Criterios para la artesanía en tiempos de pandemia - YouTube
3 de dezembro de 2020
28 de junho de 2020
16 de março de 2020
Manifesto das Cidades Criativas da UNESCO no Brasil
Manifesto das Cidades Criativas da UNESCO no Brasil
Do contexto
A Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO foi criada em 2004 com o objetivo de proporcionar uma aproximação mais efetiva entre cidades que detenham, em alguma das áreas da economia criativa, um desempenho superior, estimulando-as a colaborarem entre si, intercambiando conhecimentos e compartilhando as melhores práticas.
O prestigio e visibilidade que essa rede aporta, desperta o interesse de muitas cidades, que buscam conquistar um titulo concedido pela UNESCO, que agrega valor à imagem da cidade certificando-a como destino turístico qualificado.
Diante de objetivos comuns como a proteção do meio ambiente, a promoção da inclusão social de grupos desfavorecidos e o fomento da diversidade cultural, torna-se indispensável uma ação coordenada e multidisciplinar. Sem um intercâmbio efetivo entre as cidades a rede perde sua razão de ser.
Esse manifesto propõe um pacto de compromisso das cidades criativas do Brasil de trabalharem integradas para o bem comum, desenvolvendo projetos inovadores, impactantes e compartilháveis, apontando caminhos para um futuro desejável e sustentável.
Da destinação
Esse Manifesto é dirigido aos gestores de instituições públicas e privadas e promotoras de políticas públicas relacionadas com a Economia Criativa, em especial nas cidades brasileiras que participam, ou aquelas que desejam se incorporar, na Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO – UCCN.
Do propósito
Têm como desafio propor ações e projetos que contribuam para o fortalecimento da Economia Criativa no ambiente urbano, em especial aqueles segmentos definidos pela UNESCO, a saber: artes midiáticas, artesanato e arte popular, cinema, design, gastronomia, literatura e musica.
Contudo, outras atividades relacionadas com desenvolvimento e realização de produtos e serviços baseados no talento e na capacidade criativa, inventiva e inovadora do ser humano, devem ser também consideradas.
Da transversalidade
As ações e projetos devem buscar sinergia com os demais segmentos criativos, de modo transversal envolvendo distintos segmentos criativos na mesma cidade, ou com outras cidades da rede, em função de sua expertise.
Das ações e projetos estruturantes
1. Constituir uma equipe interinstitucional e multidisciplinar, com representantes do poder publico, iniciativa privada e academia, para gerenciar e/ou acompanhar as ações e projetos pactuados no dossiê de candidatura da cidade junto à UNESCO.
2. Mapear os setores da economia criativa (ou no segmento escolhido) identificando, quantificando e qualificando as atividades e atores que compõem o núcleo criativo, a oferta e demanda pelos produtos e serviços, e as atividades diretamente relacionadas ou de apoio. Essas informações são os insumos indispensáveis dos Observatórios da Economia Criativa, que processam, analisam e difundem informações na forma de conhecimentos práticos para os processos de tomada de decisão por gestores públicos, privados e agentes culturais além de apontar oportunidades que valorizem as potencialidades locais.
3. Pesquisar a cultura material e imaterial local, a partir das memórias afetivas de seus habitantes, cujo resultado é uma matriz de referencia para os criadores de produtos e serviços lastreados na identidade da cultural do lugar. Os resultados são insumos para Bancos de dados e imagens, Centros de Referencia, Museus ou Espaços de preservação da memória cultural do lugar.
4. Propor legislação municipal de estimulo aos empreendimentos relacionados com a economia criativa, definindo e /ou delimitando espaços urbanos com tratamento diferenciado para atração e acolhimento de atividades relacionadas com a geração e produção de bens e serviços criativos, sejam eles distritos criativos, ruas vocacionadas, corredores culturais ou ambientes compartilhados para os criadores e agentes culturais.
Das ações e projetos estratégicos
5. Documentar e disseminar os projetos de maior êxito, aplicáveis em outros contextos, reduzindo custos e investimentos, aproveitando o capital humano e intelectual existente.
6. Promover o intercâmbio e cooperação técnica, a partir da organização de encontros entre especialistas e criadores, dando visibilidade internacional para ideias, projetos e expertises de valor.
7. Premiar e certificar os melhores produtos, serviços e seus criadores, estimulando a renovação e a diversificação constante do portfólio criativo de cada cidade.
8. Criar um marco legal no município que permita aos agentes financeiros apoiar os empreendimentos da economia criativa, seja na forma de empréstimos diferenciados, financiamentos com retorno subsidiado ou a fundo perdido, bolsas de estudos e pesquisa e/ou investimento em infraestrutura.
9. Negociar com instituições governamentais a realização de uma agenda comum para as cidades criativas do Brasil convergentes com os objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS) das Nações Unidas e o cumprimento das ações pactuadas com a UNESCO.
10. Formar uma consciência critica sobre a importância da economia criativa, produzindo e divulgando material didático e pedagógico, destinado a todos os graus do ensino formal e para a população em geral, apoiada por processos de formação e capacitação profissional.
11. Incentivar a elaboração de planos municipais de economia criativa visando uma agenda de desenvolvimento calcada em redes de parcerias, inovação e competitividade.
Da autoria
Esse documento é uma proposta das representações de Fortaleza e João Pessoa, de autoria de Joaquim Cartaxo (Superintendente do SEBRAE/CE) e Eduardo Barroso Neto (Prefeitura de João Pessoa). Contou, em sua elaboração, com o apoio e contribuição critica de Indrasen Vencatachell .
A redação foi concluída e noticiada durante o 4ª Seminário Internacional sobre Cidades Inovadoras realizado em Fortaleza nos dia 4,5 e 6 de março de 2020.
4 de dezembro de 2018
Abertura da Feira Internacional de Economia Criativa em João Pessoa
Há um ano atrás João Pessoa foi reconhecida pela UNESCO como
Cidade Criativa do Artesanato e da arte popular. Esse reconhecimento foi fruto
de um trabalho de pesquisa e de prospecção sobre as vocações, potencialidades e
visões de futuro para a cidade, aportada por seus dirigentes e representantes
de instituições públicas, acadêmicas e da sociedade civil.
Ao conceder esse titulo para João Pessoa, a UNESCO
reconheceu o esforço realizado nos últimos cinco anos em projetos de importância
e impacto social, como é o caso do Programa João Pessoa Artesã, idealizado e
conduzido pela primeira dama Maisa
Cartaxo.
O dossiê apresentado na candidatura da cidade apontava os
ativos culturais existentes nas duas esferas de poder; o potencial da cidade
como pólo de escoamento de uma produção artística rica e diversificada, fruto
de anos de trabalho realizado pelo Programa Estadual de Artesanato, mas também,
e sobretudo, as propostas e compromissos para os próximos cinco anos. Estas
propostas incluiam a criação de uma infraestrutura de equipamentos contemplando
todo a criação, a produção e a comercialização de uma oferta nova,
diversificada e culturalmente comprometida de bens simbólicos, em especial, de
um artesanato qualificado. A criação dessa nova oferta seria de
responsabilidade do Laboratório de Inovação Cultural; a produção na Fábrica
Social de Artesanato e a comercialização e promoção no Celeiro Criativo, inaugurado
em janeiro desse ano sob a responsabilidade de Lucia França e sua dedicada equipe.
São três equipamentos inovadores, impactantes e reproduzíveis
em outras cidades, razão de ser da Rede Mundial de Cidades Criativas, que é o
compartilhamento das melhores práticas, a cooperação e o intercâmbio. Exemplo
prático dessa cooperação já iniciada são os projetos “Saberes e Sabores da
Paraiba” e “Cartografia das Singularidades Culturais” ambos realizados com o
imprescindível apoio e patrocínio do SEBRAE Paraiba e coordenados por especialistas
de duas cidades criativas do design: Cidade do México e Puebla, respectivamente
Carlos Alvarado e Mariana De La Rosa,
ambos presentes nessa solenidade.
Ao contemplar um ano de pertencimento a Rede Mundial de
Cidades Criativas, João Pessoa vem cumprindo e superando os compromissos
pactuados com a UNESCO. Propôs e realizou o primeiro Encontro das Cidades Criativas
do Brasil e, fazendo-se presente, por sua autoridade municipal máxima o
Prefeito Luciano Cartaxo, na reunião
anual na Polônia, demostrando assim seu compromisso com a UNESCO e sua visão de
futuro, resumidos em dois videos bilíngues.
João Pessoa esteve presente também no XI Encontro Iberoamericano de Artesanato,
em San Miguel Allende no México e na Assembléia do Conselho Mundial de
Artesanato, em Montevideu, onde a Paraiba obteve três dos quatro prêmios
concedidos ao Brasil como reconhecimento da Excelência Artesanal nos países do
Cone Sul, outorgados à Mestre Valentin, Joca dos Galos e Redes
Santa Luzia.
Todas essas ações foram fruto da sintonia de ideias e
propostas apresentadas e debatidas no grupo gestor do Programa João Pessoa
Criativa tendo a sua frente o incansável trabalho da Focus Point Marielza Rodrigues do Sebrae.
Para fechar com chave de Ouro esse primeiro ano de
atividades como Cidade Criativa do Artesanato,
João Pessoa realiza com esse evento, que hoje se inicia, prova de sua
capacidade de articulação multi-institucional. A aliança de esforços e recursos
financeiros aportados, em especial pelo Sebrae, Prefeitura, UFPB e Instituto
Federla de Educação, mas também, os recursos humanos e institucionais aportados
pela Universidade Federal de Campina Grande, Unipê; Federação das Industrias,
Senai, Sesc e Fecomercio, foram fundamentais e sem os quais esse evento não
teria sido possível.
Parenteses especial deve ser feito ao papel estratégico do
SEBRAE PARAÍBA em todo esse processo, parceiro desde a primeira hora, em
especial à Regina Amorim e toda a
diretoria executiva que souberam captar
esse novo “espirito do tempo” de colaboração e aposta na inteligência e na
criatividade como os ativos fundamentais para o desenvolvimento sustentável. Conseguiram
com o SEBRAE Nacional o aporte de recursos que viabilizaram a realização desse
evento e já garantiram recursos para a realização de outra Feira no próximo ano,
bem como ações para o desenvolvimento de negócio criativos nos segmentos da
múcica, audovisual, design, Startups digitais, tecnologia da informação e comunicação.
A Primeira Feira Internacional de Economia Criativa foi pensada,
desde o principio, para ser acolhida na
Estação Cabo Branco, esse grandioso equipamento púbico dirigido com competência
por Marianne Góes e sua equipe, cujo
suporte técnico e operacional é de um valor não dimensionável.
A feira estará aberta de terça à sábado, das 14 às 21 horas,
recebendo em seus espaços o melhor do artesanato, do design, do cinema, da
música e da gastronomia. Para cada um dessas áreas, hoje conhecidas como Indústrias
Criativas, teremos um salão. São eles: Salão
Internacional do Artesanato, coordenado pelo SEBRAE e pelo Programa do
Artesanato Paraibano com a curadoria de Lu
Maia, além da presença do Celeiro Criativo mostrando o que de melhor a Paraiba
produz na arte popular e no artesanato. O caráter internacional do Salão está na presença do artesanato do Chile,
Colômbia, Equador,Peru e México com destaque ara a presença das cidades de
Querétaro e San Cristobal de las Casas, cidade UNESCO do Artesanato.
O Salão do Design,
com a realização da primeira edição do Prêmio de Design da Paraíba, ficou
sob a responsabilidade dos coordenadores
dos cursos de design da Paraíba, representados pelo Professor Kleber Barros da UFPB. O Primeiro Salão
de Design realizada na Paraiba foi pensando como modo de revelar os novos
talentos e divulgar os melhores projetos aproximando assim a oferta com a
demanda de design. Os prêmio serãp conceidos pelos votos de um juri técnico e o
voto dos visitantes.
O Salão da Música,
em sua oitava edição, coordenado por Rivaldo
Dias, programou diversos shows e oficinas criativas explorando a música
como linguagem identitária.
O Salão Internacional
do Cinema, com a exibição de filmes de todas as cidades criativas do Cinema
da UNESCO, além de uma excepcional produção local. Esse Salão, coordenado pelo
professor João de Lima, da UFPB,
somente foi possível graças a colaboração da Cidade de Santos, Cidade Criativa do
Cinema, e que será sede da reunião Anual da Rede da UNESCO em 2020, com um
especial agradecimento a focus point Niedja dos Santos.
Somado-se a esses alimentos para a alma, teremos também
alimentos para o corpo, com a Salão da
Gastronomia, coordenado pela Professora Marisete Fernandes de Lima, da UFPB e da Feira de Agricultura Familiar coordenada pelo IFPB/FUNETEC,
assessorados pelo consagrado chef Onildo
Rocha.
Na retaguarda, para que tudo isso fosse possivel, contamos
com o trabalho entusiasmado, competente e
voluntário de dezenas de pessoas, representadas por duas delas: Debora Carvalho e Daniel Rendón.
Agradecemos a presença de nossos convidados internacionais
representados por Manoel Ernesto, da
Rede Defacto da Colômbia; Ines Maré, da
Fábrica de Design da Argentina; Patricia
Bellon da Empresa Etniko da Espanha,
Karina Trejo Acuña diretora do Programa de Artesanato do Estado de
Queretaro no México, de Indrassen
Vencatachelum Presidente da RIDA Rede Internacional para o Desenvolvimento
do Artesanato com sede na França e de Antonio
Betolaza, Presidente do Conselho Mundial de Artesanato para a América
Latina.
João Pessoa cumpre, com a realização dessa Feira, um de seus
compromissos com a UNESCO, e aponta um caminho que pretende seguir. O caminho
do desenvolvimento sustentável, pautado na capacidade humana de superação de
seus problemas com inteligência e criatividade. Mais que opção de sobrevivência
para a espécie humana, o desenvolvimento sustentável deve ser equitativo,
socialmente justo, culturalmente diferenciado e economicamente viável. Um compromisso inalienável com as gerações
futuras.
Em nome da organização desejo à todos uma boa Feira, boas
compras, bons negócios e bons momentos de amizade, lazer e cultura.
Entrevista Buenos Aires
1. ¿Cómo ha evolucionado el rol del diseñador hasta
hoy en los últimos
10 años?
10 años?
La divisón clásica del
diseño en tres grandes campos de actuación: gráfico, producto e interiores, ya
no se sostiene más. Prueba de eso es la fusión de las tres grandes asociaciones
internacionales, ICSID de los diseñadores industriales, el ICOGRADA de los
diseñadores gráficos e el IFI de los diseñadores de interior en una solo
respresentación global: el WDO –Word Design Organization. Las escuelas de
diseño más sintonizadas con las demandas del mercado, ya no ofrecen cursos con
especializaciones pre establecidas. Frente a las inumerables especializaciones,
que el mercado demanda, ofrecen apenas las bases del diseño, dejando que los
alumnos elijan sus propios caminos, pues lo que diferencia una especialidad de
diseño de las otras es solamente el conocimiento y el dominio de procesos de
producción, ya que el método proyectual y creativo es el mismo. El diseño esta
dejando de ser una profesión para ser una estratégia de acercamiento de los
problemas de alta complejidad, que necesitan de respuestas innovadoras e
disruptivas. Distinto de las demás actividades proyectuales que parte de la
observación y análisis de las partes constituyentes de un problema para la
comprensión del mismo en su totalidad, el diseãndor parte del todo para llegar
a los detalles. Antes de preocuparse por la eficiencia de un producto, mensaje
o servico el diseñador empieza por cuestionar la necesidad, la función y la
utilidad de esas cosas.
2. ¿Qué habilidades considera debería tener un diseñador en la actualidad?
Diseñar es proyectar
nuevas realidades y por lo tanto el diseñador necesita tornar el invisible, visible. Para eso necesita dominar
todos los lenguajes de comunicación, sean gráficos, digitales, tridimensionales,
verbales y hasta corporales. Necesita conocer y comprender los fenómenos físicos,
los materiales y procesos de producción, los usos y costumbres de la sociedad
para la cual estará trabajando; las necesidades, aspiraciones, anhelos y deseos
de los individuos. Sumado a esto, debe posser un sentimiento de pertencimiento
a una determinada cultura, como su patrimonio inalienable, capaz de hacer la
diferencia en un mundo cada vez más igual y homogeneo. Y por fin, necesita de
una autoestima elevada que aporte la coraje necesario para enfrentar el
desconocido y proponer soluciones nuevas y osadas, capaces de cambiar
comportamientos para el bien común.
3. ¿Qué cree que debe mejorar el ámbito académico en cuestión de
formación de profesionales y la producción del conocimiento?
Las universidades deben
fomentar una actuación equitativa y cooperativa en sus tres campos de actuación:
la enseñanza, la investigación y la extensión, en un processo continuo de
retroalimentación. De simples provedoras de diplomas las escuelas de diseño se
deberian preocupar más en formar profesionales competitivos y ciudadanos
conscientes de los profundos cambios en la sociedad y en el medio ambiente de
los cuales somos responsables y protagonistas principales. Estimular el
intercambio y la cooperación con otras universidades confrontando métodos y
herramientas; oxigenando los contenidos con otras experiencias, abriendo sus
puertas para la actualización profesional de los egresados. Los maestros cambiar su postura de de transmisores
de conociemientos para decodificadores de repertórios culturales. Hacer más que
dar respuestas para las inquietudes de los alumnos, los profesores deben hacer
preguntas que estimulen la reflexión y la toma de consciencia.
¿De
qué manera el diseño puede incorporar metodologías y procesos
de
investigación de las ciencias? (sociales y naturales)
investigación de las ciencias? (sociales y naturales)
La base de cualquier
proceso de toma de decisión son los conoscimientos adquiridos en la
confrontación de la información, que por su vez son fruto de la análisis de
datos actuales y confiables. Conocer la realidad de un determinado contexto
humano o natural exige técnicas y herramientas adecuadas, muchas ya consagradas
por las ciencias, capazes de identificar la matriz cultural de un determinado
territorio y decodificando los repertorios sensitivos y emocionales de su
habitantes. Cuando el diseño coloca el ser humano como centro de atención
necesita conocer sus hábitos, necesidades, deseos y aspiraciones. La ergonomia,
la antropomentria, la etnografia, la sociologia, la antropologia aportan
conoscimientos indispensables para el diseñador.
4. ¿Cómo ha evolucionado el trabajo del diseño en territorio en los
últimos 10 años? Cuáles han sido los aprendizajes?
La primera lección es que
no existen dos lugares iguales. Cada territorio es definido por sus
singularidades culturales. No importa cual sea el problema, la solución pasa
por las condiciones existentes y ofrecidas en el espacio de intervención. Conocer
un territorio empieza por una escucha sensible, entrevistando los actores
locales, separados en grupos por afinidad: especialistas, memória viva, memória
visual y formadores de opinión. De esas encuestas identificar las
vocaciones, el potencial y las visiones
de futuro de sus habitantes. Las intervenciones deben impulsar los atributos
positivos y las fortalezas identificadas en vez de intentar disminuir o
eliminar las deficiencias, ya que exige muchos más recursos y energía.
5. ¿Cuáles son las oportunidades y desafíos del diseño para la región?
Vivimos en un mundo
dominado por los bienes simbólicos, donde los productos y servicios tienen un
precio determinado, no por su valor intrinseco en cuanto mercancia, sino por su
valor simbólico. Por eso el diseñador debe valerse de su repertorio cultural,
único y singular para proponer algo distinto y deseable. El mercado, hoy por
hoy, se configura como una cola larga donde todos pueden encontrar un nicho de
oportunidades. En vez de proyectar para las industrias, el diseñador pasa a ser
el productor de sus propias ideas. En todos los campos de la actividad humana
veo oportunidades para el diseño. Nuestro modo de pensar se transformó en la
nueva estratégia empresarial y mercadológica, en la cual se utilizan metodologías
y herramientas de lo que se denomina “design thinking” para salir de la zona de
confort pautada por la innovación, con el fin de buscar innovación radical y/o disruptiva. De la oferta de alimentos a la construccion
civil, donde en ambos casos se desperdicia una cuarta parte de lo que fue
producido por falta de diseño, hasta los servicios esenciales de salud,
mobilidad, educación y seguridad pública, existen demandas reprimidas en la
espera de soluciones innovadoras y factibles. Especificamente en el campo del
diseño de indumentaria es importante considera-la como nuestra segunda piel,
cada vez mas inteligente, sensible, individual, exclusiva, confortables y
adaptable a las condiciones externas, además de ser la cascara, la embalaje, la
parte visible de nuestra identidad.
3 de dezembro de 2018
Abertura da Segunda Jornada Iberoamericana de Design e Artesanato
Naquele ano de 1999 eramos muitos, de
muitos países, preocupados com o futuro do artesanato em um mundo cada vez mais
globalizado. Sonhamos sonhos possíveis, alertando para o risco da perda de
identidade e do necessário esforço de prover os meios necessários para que o
desenvolvimento se fizesse de modo harmônico.
Reconhecemos a importância do design como instrumento de
inovação e preservação da cultura local, expresso em um longo capitulo nos
anais do evento.
Dos que firmaram esse documento histórico, muitos já se
foram, restando aqui e agora apenas eu e Manuel Ernesto como testemunhos de um
momento onde o artesanato deixava de ser uma preocupação relacionado ao bem
estar social, para uma dimensão mais ampla, economicamente viável e culturalmente
responsável.
Propúnhamos a criação de grupos de apoio permanente aos
artesãos, apoiando todas as etapas do ciclo de produção. O Laboratório Brasileiro de Design - LBDI era nossa referência como grupo pioneiro na
prática e difusão do design social. Os resultados de um projeto de pesquisa e
desenvolvimento de uma coleção de produtos artesanais de referência cultural de
Santa Catarina inspirou Artesanias de Colômbia, que nos convidou para propor
uma politica de design para o artesanato.
20 anos depois são 33 Laboratórios de Design e Inovação,
atendendo todos os 33 estados da Colômbia. Mais de 1.300 coleções de produtos
desenvolvidos. Expoartesanias, a maior e mais importante Feira de Artesanato da
América Latina, realizada sempre no mês de dezembro em Bogotá, tem hoje como
critério de seleção a inovação e o vínculo cultural dos produtos que serão
exibidos e comercializados.
O Artesanato no México, de excepcional riqueza, com expoentes
únicos como as cerâmicas de Mata Ortiz ou os bichos e alebrijes de Jacobo em
Oaxaca, que aparentemente prescindiram do design como protagonistas do processo
de criação, não são tradições ancestrais. Foram fruto da inteligência de um
homem, que as foi transmitindo e seduzindo outros a fazerem o mesmo, pois
descobriram um nicho de mercado que hoje valoriza o autêntico e exclusivo
produto. São verdadeiros designers autodidatas, capazes de criar um produto de
sonho e desejo. Esses são dois exemplos das oportunidades existentes em uma
mundo que privilegia os bens simbólicos, que valem não pelo seu valor
intrínseco enquanto objeto, mas por seu valor intangível, aportado pela
qualidade, pela confiabilidade, pela cumplicidade e pelo design.
No Brasil, os últimos vinte anos foram os anos dourados para
o artesanato brasileiro. O Programa de Artesanato do SEBRAE, criado com o apoio
da Fundação Espanhola, em um histórico curso organizado em Ouro Preto, tomou
como base o texto produzido e apresentado na primeira Jornada, como o Termo de
Referência do artesanato.
Pesquisas sobre a iconografia foram realizadas em
praticamente todos os estados do Brasil. Do mesmo modo foram criados os núcleos
de design e centenas de intervenções de êxito, feitas por muitos aqui
presentes.
O projeto Talento do Brasil, que aproximou o artesanato da
moda, criando memoráveis coleções, que hoje são peças cult é outro exemplo de
programas de exito unindo design e artesanato.
Passamos a reconhecer os grandes mestres do artesanato e da
arte popular e seu prestigio no mercado mundial, sendo o Mestre Expedito
Celeiro e Dona Isabel do Jequitinhonha apenas para citar dois exemplos.
Uma das maiores
contribuições ao artesanato o SEBRAE deu ao criar o Prêmio TOP 100 do Artesanato
brasileiro, que já realizou 4 edições tri anuais, criando uma cultura de
aprendizagem na avaliação de produtos e provocando um salto de qualidade do
artesanato brasileiro. Esse prêmio mudou a vida de seus ganhadores, pela
visibilidade e promoção conseguidas.
Foi criando o Centro de Referência do Artesanato, único em
se gênero no mundo, funcionando no Rio de Janeiro, que somados ao projeto
“Brasil Original” e ao Premio Top 100 colocam o SEBRAE como principal
protagonista na promoção do artesanato brasileiro em todo o continente e talvez
no mundo ocidental.
Entretanto o segmento artesanal ainda é o elo mais frágil da
economia criativa, necessitando de um suporte institucional para sua
manutenção competitiva no mercado.
Toda essa massa critica acumulada deve ser compartilhada para
aqueles que virão. Essa segunda jornada é uma espécie de passada de bastão,
onde os princípios éticos que durante anos foram pactuados, sejam
preservados. Que as boas experiencias
sejam continuadas e multiplicadas. Que novos Laboratórios sejam criados como
forma de apoio permanente ao desenvolvimento do artesanato de referência
cultural.
Os processos exitosos de intervenção, cada um com suas
abordagens próprias, ao serem compartilhados revelam-se novas estratégias, métodos
e ferramentas de êxito, tais como as técnicas de escuta sensível que desenvolvemos
com o objetivo de decodificar as memórias afetivas dos habitantes do lugar, sua
matriz cultural, suas vocações, potencialidades e desejos de sua visão de um
futuro possível e desejável.
Vejo esse evento como um novo marco, pautado pela cooperação
e pelo intercâmbio, compartilhando projetos e soluções. Sugiro que Fortaleza e
Querétaro do México, duas cidades candidatas ao titulo de cidades criativas do
design e do artesanato respectivamente, demostrem sua capacidade de colaboração
organizando ações de continuidade, e em especial a próxima jornada, sem que se
passem mais vinte anos.
Os recursos são cada vez mais escasso para serem
desperdiçados em tentativa e erro. O tempo é cada vez mais curto para reverter
erros planetários. Somos hoje cidadãos do mundo, conscientes da necessidade de
mudar os hábitos de consumo, se quisermos sobreviver como espécie. Temos um
compromisso inadiável com nossa única morada, de passar de uma sociedade do
desperdício para uma sociedade sustentável.
São 17 os princípios e práticas propostos pela ONU para o
desenvolvimento sustentável. Adesivados até na porta do elevador do SEBRAE.
1999 era o segundo ano de funcionamento do Centro de Design
do Ceará, pioneiro na introdução do ensino do design no Estado. Pioneiro em sua
forma de ensinar o design descritas em dezenas de artigos. O CDC foi
considerado, em uma pesquisa feita pela Universidade da Flórida, como a experiência
mais relevante no ensino do Design junto com a Universidade de las Américas em
Puebla. Relatar a experiência do CDC, exigiria um tempo que não disponho nesse
evento. A primeira jornada de design e artesanato foi organizada pelo CDC, demostrando dessa
forma seu compromisso com o design social e culturalmente responsável.
O design e o artesanato provaram nesses 20 anos que quando
bem realizados conseguem deixar sua marca na
vida daqueles que dele dependem. É verdade que muitos não tiveram
sucesso e ainda lutam por sobreviver. Mas as soluções exitem, já foram testas,
e custam pouco. Custam apenas desejo político
de realizá-las. Quem sabe, se com o desejo de Fortaleza ser uma cidade criativa
da UNESCO abra-se o espaço que se necessita de apoio à preservação das
tradições, o estímulo a diversidade cultural, o apoio aos talentos criativos que
anida não tiveram o espaço de expressão que merecem e um casamento frutífero entre o saber e o
fazer. Agora, e nos próximos 20 anos.
Vida longa ao artesanato e o design, juntos e misturados.
3 de novembro de 2018
Acontecerá dos dias 05 a 09 de novembro no espaço The House Mall, em João
Pessoa, a edição Paraibana do projeto “Saberes e Sabores”. Este projeto faz
parte do plano de trabalho pactuado com a UNESCO pelo Programa João Pessoa
Cidade Criativa.
Tem por objetivo promover a integração de três áreas da economia
criativa, o artesanato e a gastronomia através do design, em um processo de
desenvolvimento colaborativo de uma nova coleção de produtos artesanais destinados
a melhorar a preparação e apresentação de pratos típicos selecionados da
culinária Paraibana, com foco no turismo de experiência.
Durante cinco dias designers convidados do Brasil e do exterior,
ceramistas e especialistas em gastronomia, em um esforço criativo
compartilhado, definirão um padrão de apresentação da culinaria tradicional,
agregando valor pela inserção de elementos da cultura regional e diferenciação
qualitativa.
No segundo
momento uma rede de restaurantes
credenciados a utilizarem o selo “Saberes e Sabores da Paraíba” pela utilização
normatizada desses pratos, criando uma demanda constante e crescente por esses produtos
artesanais, em uma espiral virtuosa.
Essa Oficina Criativa dá inicio ao ciclo de inovação e de
produção de uma nova oferta artesanal de João Pessoa. Partindo de uma demanda
induzida, fruto de um acordo entre hotéis e restaurantes, assegura-se a
manutenção e continuidade do Programa.
Os produtos concebidos nessa Oficina Criativa serão produzidos na
Fábrica Social de Artesanato.
Antecedentes
Saberes e
Sabores do Maranhão 2008 (Publicado pelo Governo do Estado do Maranhão)
Saberes e
Sabores de Santa Catarina 2015 (suspenso)
Saberes e
Sabores de Puebla 2016 (Publicado pelo Governo do Estado de Puebla)
Coordenação:
Eduardo
Barroso Neto
Equipe técnica:
Camille
Aquino (Designer Industrial UFCG)
Carlos
Alvarado Dufour (Designer do México – Participou das 3 edições de Saberes e
Sabores)
Daniel Rendón Farfán (Designer do México)
Eveline
Vasconcellos (Designer - Fortaleza)
Fabio de
Moraes (Designer do SENAI)
Gina Dantas
(ceramista de João Pessoa)
Kleber
Barroso (Designer industrial UFPB)
Marianne
Góes (Designer de Interiores -João Pessoa)
Nicia Paes
Bormann (Arquiteta - Ceará)
Onildo
Rocha (Chef)
Túlio
Paracampos (participou na primeira edição. Designer e ceramista de Fortaleza)
Valeria
Antunes (Arquiteta e artesã de João Pesssoa)
Patrocinio
SEBRAE
Organização
Prefeitura
de João Pessoa
Apoio
The House
Mall
Cabana
Fabrica de Móveis
Tely
Tela Sat
·
16 de outubro de 2018
10 de outubro de 2018
Considerações, sugestões e recomendações para as candidaturas brasileiras à UCCN
Tenho acompanhado de perto o desenvolvimento da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO desde 2009, quando fui convidado a colaborar com a mesma durante o Primeiro Fórum Mundial das Industrias Criativas – FOCUS, realizado em Monza, na Itália.
Nos ano seguinte fui contratado pela Prefeitura de São Paulo para elaborar o dossiê de sua candidatura como cidade UNESCO do Design, tarefa essa que durou aproximadamente seis meses de trabalho intenso. Como a UNESCO ainda não disponha, naquele momento, de um modelo e formato definido para a elaboração dos dossiês, o processo de análise implicava em idas e vindas para atender exigências e requerimentos que o comitê de avaliação fazia. Nesse grupo, sediado em Paris, colaborava minha filha, que muito me orientou.
Ainda em 2010, residindo em Florianópolis, sugeri a candidatura da cidade no segmento da Gastronomia, colaborando na elaboração de um extenso dossiê, envolvendo dezenas de pessoas e instituições. Do mesmo modo propus que João Pessoa e Recife tentassem sua indicação como Cidade do Artesanato e Brasilia como Cidade do Cinema.
Em 2011, por questões orçamentárias o Programa das Cidades Criativas da UNESCO suspendeu todas as análises de novas candidaturas, processo que foi retomado somente no final de 2013, com novas regras e normas exigindo a reelaboração de todos os dossiês, dentro de um prazo de 4 meses. Das cidades brasileiras candidatas, cujo processo acompanhava, apenas Florianópolis deu continuidade, tendo side então contratado para elaborar o novo dossiê, permitindo a Cidade ser aceita na Rede no final de 2014.
Em 2015 foi a vez da Cidade de Ensenada no México, entrar para a Rede, consequência de um workshop de design territorial, cuja proposição e coordenação fui responsável.
Em 2017, contratado pelo SEBRAE/PB elaborei o dossiê de João Pessoa, aceita no final do ano como Cidade do Artesanato. Desde então tenho assessorado João Pessoa na implementação dos projetos pactuados com a UNESCO.
Participei das reuniões da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO em Kanazawa no Japão; Pequim na China, Ostersund na Suécia e Cracóvia na Polônia. Em todas elas acompanhando as discussões sobre as exigências de entrada e permanencia das cidades na Rede. Em função desta experiencia é que me permito sugerir e fazer algumas recomendações sobre as novas candidaturas.
O exame dos dossiês pela UNESCO leva em consideração as ações realizadas na Cidade pretendente nos últimos cinco no segmento escolhido, seus ativos culturais e seus atributos como cidade criativa. Essas informações devem responder satisfatoriamente a duas dezenas de perguntas formuladas pela UNESCO. Além disso são consideradas as propostas de ações programadas para os próximos quatro anos, com orçamentos específicos e um compromisso formal da prefeitura da cidade candidata.
As ações futuras devem ser impactantes, inovados e compartilháveis por outras cidades, exigindo um esforço de articulação institucional envolvendo o poder público, a academia e a sociedade civil representativa. Para isso é necessário a constituição de um grupo gestor, designado e coordenado pela Prefeitura da cidade candidata.
Importante enfatizar que a cada edição apenas duas cidades por país são eleitas para a Rede. Sabendo que no Brasil existem atualmente cinco cidades cuja elaboração do dossiê esta sendo apoiada financeiramente pelo MinC, além de outras duas dezenas de cidades pretendentes trabalhando de forma isolada, será um desafio fornecer elementos convincentes para conseguir essa designação em 2019.
Fazer parte da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO é mais que um privilégio e um reconhecimento, capaz de agregar valor como destino turístico qualificado. É uma oportunidade de acesso as melhores práticas em termos de políticas urbanas. É poder compartilhar experiências e inteligência, atraindo capital humano e financeiro de qualidade.
Isso não se consegue apenas com disposição e boa vontade dos atores políticos. É necessário articulação, compromisso e uma visão de futuro pautada pela Agenda 2030 da ONU.
Pela experiência acumulada com a elaboração recente dos dossiês de Florianópolis e João Pessoa recomendo uma agenda de trabalho compartilhada com os atores institucionais envolvidos que dificilmente será inferior a seis meses de atividades intensas.
27 de setembro de 2018
As origens do Design no Ceará
Em 1996 o então Secretario de Cultura do Ceará, Paulo Linhares, empreendeu um grande esforço no sentido de implantar uma nova política cultural baseada no estimulo à industrial de bens simbólicos de alto valor agregado, inserindo em seus planos a criação de uma Escola de Design no âmbito do Centro Dragão do Mar. Neste sentido, diversas instituições de ensino foram visitadas e propostas foram apresentadas por professores de uma conceituada Escola de Design do Rio de Janeiro e da Itália. No entanto, ambas foram rejeitadas. Buscava-se uma proposta diferenciada e adequada ao Ceará, naquele momento.
Uma visita da Subsecretaria de Cultura do Ceará ao Laboratório Brasileiro de Design / LBDI, em Florianópolis, abriu a perspectiva para uma colaboração, tendo em vista, principalmente, as experiências pioneiras de ensino que estavam sendo testadas em Santa Catarina. Assim formulamos um projeto de escola alternativa contando com a intermediação da arquiteta Janete Costa.
Partimos dos dados obtidos com a pesquisa “Oferta e a demanda de Design no Nordeste do Brasil” realizada por minha empresa de consultoria por encomenda do SENAI/Piauí. A carência de profissionais qualificados disponíveis no Ceará não correspondia à demanda reprimida existente. Nossa proposta não pretendia criar (naquele momento) a 68a Escola de Design do país. Defendiamos a criação de uma escola pioneira, inovadora em sua forma e conteúdo, livre das normas e exigências do Ministério da Educação e dos sistemas formais de ensino, sintonizada com as mudanças do mercado e as necessidades do nordeste. Capaz de oferecer ao mercado respostas em um espaço de dois anos.
Para desenhar as bases desta nova Escola de Design convidei um pequeno grupo de professores que reunidos durante uma semana em Fortaleza, estabeleceram as bases do projeto pedagógico. Participaram desse grupo:
Augusto Morello, Fundador do ICSID. Presidente da Trienal de Milão. Um dos pioneiros do design Italiano. Editor e critico da Revista Estilo e Industria. Falecido em 2001.
Luis Rodriguez Morales; designer Mexicano; PhD. Viveu e trabalhou no Japão, Inglaterra, Dinamarca, Holanda., Cuba e Brasil. Um dos mais consagrados autores sobre teoria e ensino do design na América Latina.
Joaquim Redig; designer; professor da UFRJ. Autor de três livros sobre ensino do Design.
Romeu Damaso; Professor da Escola de Design da UEMG. Falecido em 2011
Lia Mônica Rossi; MsC; Professora no Curso de Design da UFPB. Falecida em 2018
Este grupo propôs a criação de uma escola cujo ensino fosse fundamentado em três pilares:
•Domínio de linguagens
•Compreensão de fenômenos
•Aplicações na realidade.
Foi sugerida uma grade curricular com quase 100 disciplinas de modo a dar a mais ampla visão possível do universo do design, sem concentrar-se em nenhuma especialidade, contrariando assim as recomendações do MEC, porém indo de encontro ao modelo de ensino que estava sendo adotado nas escolas de design mais avançadas do mundo.Esta escola não formaria designers Industriais, gráficos ou de interiores e sim DESIGNERS. Cidadãos conscientes de seu papel na sociedade e não mais fazedores de produtos e imagens apenas para induzir o consumo. Ao final de cada matéria ou disciplina ampliava-se a visão dos alunos, abrindo novas perspectivas e novos campos de intervenções. A organização das disciplinas pressupunha a criação de uma espiral de competência em graus crescentes de complexidade.No ultimo período seriam concentrados esforços no sentido de preparar os alunos para o mercado de trabalho constituindo eles próprios suas empresas de design. O circulo se fecharia com a criação da primeira Incubadora de Empresas do país de modo a garantir a inserção destes jovens designers no mercado de trabalho.
Devida a escassez de professores com experiência em design no Ceará decidimos concentrar as disciplinas em bloco viabilizando assim a vinda de professores de outros estados do Brasil, ou mesmo do exterior. Como estes professores seriam remunerados por hora-aula e sem vínculos poder-se-ia pagar um valor mais atraente. Para cobrir as despesas com hospedagem e alimentação a SECULT valeu-se da negociação de dívidas de impostos do setor hoteleiro com o Governo do Ceará. Para cobrir as despesas de passagens e honorários foi montado um projeto que foi aprovado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT do Ministério do Trabalho. Recursos adicionais, incluindo bolsas para professores visitantes, foram negociados e obtidos com outras instituições, tais como: CNPq e SECITECE que permitiram adquirir computadores e equipamentos para as Oficinas. Estas decisões permitiram trazer professores da Alemanha, Bélgica, Holanda, Argentina, Chile, Colômbia, México e Estados Unidos, fazendo com que o time de professores do CDC não encontrasse paralelo em nenhuma outra escola de design do Brasil. Em disciplinas cujo conteúdo não eram específicos de Design foram convidados os melhores professores locais entre eles Claudia Leitão, que posteriormente foi Secretaria de Cultura do Ceará.
O processo de seleção consistia em um preparatório com cujo numero de alunos era o dobro ou o triplo da vagas. Durante dois meses, avaliações semanais de desempenho, permitiam uma seleção dos mais talentosos.
Em artigo publicado em uma Revista Internacional a pesquisadora da Universidade da Florida, Maria Bernal, apontou o CDC como uma das duas experiências de maior sucesso no ensino de design na América Latina, ao lado da Universidad de las Américas em Puebla no/ México.
Os principais elementos de diferenciação do CDC com as demais escolas de design podem ser assim resumidos:
•Preocupação em capacitar para o mercado e não para a docência (que exige diploma):
•Sistema de avaliação baseado em afirmações lingüísticas e aplicação multilateral (Todos avaliam tudo e a todos);
•Aprendizado baseado na experimentação e em projetos reais;
•Foco nos elementos da cultura regional, porém cotejados com as tendências mundiais;
•Apoio financeiro (isenção de pagamento) somente para os que necessitam e com um processo seletivo baseado no mérito.
•Acompanhamento pedagógico por profissionais com larga experiência docente de projeto, fazendo a ligação entre conteúdos.
Deste modo duas turmas foram concluídas entre 1997 e 2000.
A saída de Maurice Capovilla, da Direção do Instituto Dragão do Mar em meados de 2000 significou o princípio do fim do projeto inicialmente idealizado. As mudanças de orientação do Dragão precipitaram minha saída da direção do CDC em julho de 2001 assim como do coordenador pedagógico Marcelo de Resende. O novo diretor do CDC, Álvaro Guillermo, tentou manter as propostas iniciais, mesmo diante da escassez de recursos e dos novos métodos de administração. A expectativa de todos era por uma mudança do comando da SECULT com a eleição de um novo Governador que poderia então permitir retomar os rumos inicialmente traçados. As mudanças efetivamente vieram com o novo governo porem não aquelas esperadas. O Instituto Dragão do Mar foi extinto e com ele o projeto do Centro de Design do Ceará. Um dos argumentos utilizados nos discurso oficial era o fim dos recursos do FAT e necessidade de adequar o curso à realidade de um Estado pobre. A proposta de transferir o Curso de Design para o SENAC significou uma radical mudança do modelo de ensino até então defendido. O fim de uma utopia. Mais uma vez, a vitória do formalismo acadêmico sobre a ousadia e a inovação, exatamente os princípios norteadores do design. Durou pouco esta experiência. A terceira turma nunca conseguiu concluir seu curso.
Eduardo Barroso
Artigo redigido em 2003 e revisado em 2018.
Relação (não exaustiva) dos professores do CDC nos primeiros anos do curso
Adélia Borges Grad. MUBE São Paulo
Alberto Ireneu Puppi PhD UFPR Curitiba
Alberto Rossa Grad. Universidade de Guadalajara Guadalajara / MX
Alvaro Guillermo Guardia São Paulo
Alvaro Hardy MsA UFMG Belo Horizonte
Amilton Arruda MsA UFPE Recife
Antonio Jorge Fonseca MsA ONDI Havana / CU
André Dalmazzo Grad. UFSM Santa Maria
Arno Vogel PhD FLACSO Rio de Janeiro
Augusto Morello Grad. ADI / ICSID Milão
Bia Martinez MsA São Paulo
Bernadete Teixeira MsA UEMG Belo Horizonte
Bernardo Krieguel Grad ESDI Nova York / USA
Carlos Alvarado Dufour MsA Azcapotazalco C. México
Celio Teodorico Santos MsA UDESC Florianópolis
Charles Bezerra MsC UFPE Recife
Cláudia Leitão PhD UECE Fortaleza
Cybele Cunha Lauande Grad. UFMA São Luís
Daniel Borgaro MsA Universidade Iberoamericana C. México
Darlan Ferreira Moreira Grad. CDC Fortaleza
Dirk Jacobs MsA HFG Antuérpia / BE
Eduardo Araújo MsC UFCG Campina Grande
Eduardo Barroso Neto MsA LBDI Florianópolis
Gissel Iza Saffar MsA UEMG Belo Horizonte
Guinther Parschalk MsA São Paulo
Gui Bonsiepe PhD CNPq Florianópolis
Helcio Noguchi Autod Rio de Janeiro
Henry Benavides MsA Bahia Design Salvador
Janet Robinson MsA ESDI Rio de Janeiro
Joaquim Redig Grad. PUC - Rio Rio de Janeiro
Jose Dias MsA UFRJ Rio de Janeiro
Jose Korn Bruzzone MsA Universidad Del Pacifico Santiago
Juan Carlos Capa MsA Madrid ES
Júlio Silveira Téc. Fortaleza
João Calligaris MsA UDESC Florianópolis
Jorge Montaña Grad. Bogotá / CO
José Marconi Bezerra MsA UFPB C. Grande
Lalada Dalglish MsA São Paulo
Lacidez Marques MsA Phillips Eindhoven / HL
Lia Mônica Rossi Grad. UFPB C. Grande
Luis Rodríguez Morales PhD Universidade Iberoamericana México
Luis Saralle MsA UNC Mendoza AR
Majoi Aina Vogel Grad. UFRJ / CDC Rio de Janeiro
Manoel Acosta Téc. Artesanias de Colômbia Bogotá / CO
Maria Regina Alvarez MsA UEMG Florianópolis
Marcelo Resende Grad. LBDI Florianópolis
Martha Alvarado MsA UAM México
Milvia Perez MsA ONDI Havana Cuba
Pedro Alan Martinez MsA Cuernavaca / MX
Priscila Farias MsA São Paulo
Roberto Bezerra MsA UFCE Fortaleza
Romeu Dâmaso Grad. UEMG B. Horizonte
Solange Coutinho MsA UFPE Recife
Tatiana Telles Ferreira MsA UFSC Mexico
Terezinha Maciel MsA UECE Fortaleza
4 de junho de 2018
João Pessoa lança na Polônia a Feira Internacional da Economia Criativa
Dentro de uma semana começa na Polônia a Reunião Anual da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO, com a estreia de João Pessoa neste seleto grupo de 180 cidades de todo o mundo, representada por seu Prefeito Luciano Cartaxo, pelo Secretário de Comunicação Josival Pereira e o Diretor do Centro de Línguas Estrangeira Jonathan Vieira. Acompanho o grupo como consultor e coordenador dos projetos pactuados pela cidade quando de sua candidatura.
22 de maio de 2018
14 de maio de 2018
A presença de João Pessoa na reunião anual da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO
Algumas cidades buscam com o titulo de Cidade Criativa da UNESCO uma agregação de valor em sua imagem como destino turístico qualificado. Outras cidades buscam, ao entrar nessa rede, projetos e soluções para problemas comuns, compartilhando as melhores práticas em políticas urbanas e nas ações centradas na Economia Criativa por acreditarem que esse é o melhor caminho para o desenvolvimento sustentável. João Pessoa é uma delas.
A presença do Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, na reunião anual das Cidades Criativas da UNESCO, em junho na Polônia, é uma demonstração inequívoca dos compromissos assumidos. Leva consigo 40 convênios de cooperação para apresentar para algumas cidades da Rede UNESCO a proposta de uma Feira de Economia Criativa em João Pessoa, cuja realização está prevista para novembro deste ano.
Em apenas seis meses participando da Rede da UNESCO João Pessoa já mostrou sua opção preferencial por desenvolver projetos e ações baseadas na cooperação e intercâmbio como forma de ganhar mais robustez e eficácia nos desafios necessários. Realizou em março o primeiro encontro das cidades criativas do Brasil (E-criativa) criando novos vínculos e fortalecendo laços de amizade, independente das cores político-partidárias de seus dirigentes.
O Programa João Pessoa Cidade Criativa da UNESCO defende a noção que o desenvolvimento harmonico e durável se consegue com inteligência e criatividade na superação dos problemas existentes, sem impactar o meio ambiente, respeitando a diversidade cultural e promovendo a inserção social, pela educação, das populações carentes ou marginalizadas.
O foco inicial sobre o artesanato e arte popular amplia-se para as demais areas da Economia Criativa. A criação de três equipamentos para atender a cadeia de produção do artesanato de referência cultural: o Laboratório de Inovação Cultural, a Fábrica Social de Artesanato e o Celeiro Criativo, respondem respectivamente pela criação, produção e comercialização de bens simbólicos de maior valor agregado. Projetos que contam em sua força de trabalho de especialistas e voluntários do Brasil e do exterior.
Parcerias entre as Prefeitura, Sebrae e Universidades viabilizam a realização de projetos e pesquisas essenciais para o esforço de criação de produtos com identidade e foco no mercado. Dentre eles: Pesquisa sobre os referentes da cultura material e iconográfica da Paraíba e uma pesquisa sobre as memórias gastronômicas, dando suporte ao projeto Saberes e Sabores da Paraíba que busca resgatar a culinária tradicional através do design e do artesanato.
O projeto da Cartografia das Singularidades Culturais é um outro esforço de desenvolvimento conjunto e compartilhado entre Puebla no México e João Pessoa. Trata-se de um aplicativo que apontará em sete mapas, um para cada cada área da Economia Criativa, o que existe de mais singular e importante na cidade. Um guia virtual inédito cujo sistema que será compartilhado com as 180 cidades da Rede UNESCO.
Participar dos encontros anuais da cidades criativas da UNESCO é ser coprotagonista de um momento histórico. Nesses encontros são propostas estratégias e metas para alterar o curso do desenvolvimento com ações centradas na educação e na cultura. João Pessoa é desde agora partícipe de uma história que poderá mudar os destinos do planeta, cuja importância, dimensão e impacto somente poderão ser percebidas e mensuradas com a lente do tempo e da distância.
A Reunião anual da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO será realizada na semana de 11 a 16 de junho na Polônia, dela participando representantes das 180 cidades da Rede. Um momento único para a troca de experiências e de identificação de novos parceiros no desenvolvimento de projetos de interesse comum.
20 de abril de 2018
Dia Mundial da Criatividade e da Inovação
Em 27 de abril de 2017, as Nações Unidas decidiram criar o Dia Mundial da Criatividade e Inovação, escolhendo a data de 21 de abril para incentivar as pessoas a usar a criatividade na solução de problemas para todas as questões relacionadas com os objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
2018 é o primeiro ano em que será celebrado o Dia Mundial da Criatividade e da Inovação, estando programados eventos em varias cidades do Brasil. http://www.diamundialdacriatividade.com.br/programacao
Entendo a criatividade como sendo a resposta mais surpreendente e satisfatória para um problema de qualquer natureza, usando os recursos disponíveis com economia, simplicidade e engenhosidade. Implica em olhar os problemas em todos os seus aspectos, mesmo os invisíveis, aportando uma solução inovadora e memorável.
Criatividade não é fazer algo novo. É criar uma nova realidade, que encante e seduza, diferente daquela conhecida em seus aspectos funcionais e emocionais. É tornar real aquilo que existia somente no domínio das necessidades e desejos não satisfeitos ou das intenções não realizadas, ampliando as fronteiras do conhecido. Já a inovação é o processo que torna essa nova realidade acessível as pessoas.
Para ser criativo é necessário uma mudança de atitude que pode ser traduzida em comportamentos e hábitos cotidianos, tais como:
1. Um inconformismo crônico baseado na certeza que tudo, absolutamente tudo, pode ser melhorado, questionado permanentemente as certezas conclusivas;
2. Uma visão assimétrica, não linear, quântica, capaz de enxergar realidades paralelas e simultâneas, necessária para projetar futuros possíveis e desejáveis;
3. A determinação de não se contentar com as soluções fáceis e pouco arriscadas, posicionadas a meia distância dos extremos, conhecida como o caminho do meio, que é o caminho da mediocridade;
4. O desejo permanente de mudança, saindo da zona de conforto, permitindo uma distância critica, adulterada pelo excesso de proximidade com os problemas;
5. O hábito de nunca trilhar os mesmos caminhos, evitando as rotinas que entorpecem os sentidos e acomodam o espirito e nos tornam escravos de nossos vícios;
6. Experimentar o novo, sem preconceitos e prejuízos, expandindo as portas de percepção e da intuição;
7. Permitir e aceitar os erros, como partes indissociáveis dos processos criativos, sabendo também festejar os acertos estimulando o desejo de ousar e a coragem de arriscar cada vez mais, desbravando territorios desconhecidos, criando assim a espiral virtuosa da criatividade.
https://www.wciw.org/about/
8 de março de 2018
No dia da Mulher um recado para os designers
Em 1910 numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca foi decidido que o dia oito de Março seria designado como sendo o "Dia Internacional da Mulher". Esta data foi escolhida em função do primeiro protesto organizado por empregadas de indústrias têxteis de Nova York, em 1857, que reivindicavam melhores condições de trabalho, redução da jornada de 16 horas e melhores salários, já que recebiam aproximadamente um terço dos salários dos homens.
Pretendia-se com esta comemoração chamar a atenção para o papel e a dignidade da mulher na sociedade, promover uma tomada de consciência sobre suas dificuldades e principalmente rever preconceitos e limitações que vêm sendo impostos à mulher ao longo dos séculos. Mesmo nos países mais desenvolvidos e igualitários em suas oportunidades, muitas mulheres são hoje protagonistas de três jornadas de trabalho, sendo duas delas silenciosas e muitas vezes invisíveis, nos papéis de dona de casa, esposa e/ou mãe.
Infelizmente, em nosso mundo contemporâneo, ávido de consumo e carente de informação, transformaram esta data em um dia propício para aquecer o comércio, estimulando a prática de dar presentes como forma de homenageá-las.
Para os designers é um dia para lembrar que produtos e serviços deveriam traduzir as diferentes expectativas e necessidades de gênero. Homens e mulheres guardam preciosas diferenças que devem ser entendidas, mantidas, respeitadas e valorizadas.
Porém, quais são estas diferenças e atributos diferenciados? Para responder esta pergunta, consultei duas dezenas de amigas e colegas. Queria saber delas o que pensam de si mesmas e de nós, homens.
O resultado não me surpreendeu, e apenas confirmou o que de certo modo já sabia, ou intuía. A agressividade, a objetividade, a praticidade, o pragmatismo e a lealdade são atributos 100% masculinos, enquanto que a emotividade, atenção aos detalhes, a fidelidade, a intuição, o sexto sentido, a sensibilidade e a tolerância são os atributos com os quais as mulheres, em minha modesta pesquisa qualitativa, mais se identificaram.
Como designer não me preocupo, tão somente, em projetar produtos que melhorem as condições de trabalho, reduzam o esforço físico, facilitem o uso e o manuseio dos objetos cotidianos, seja em casa ou na empresa. Sinto que é necessário, além disso, procurar entender e decodificar a lógica da fruição entre a mulher e seu mundo material.
Agindo assim estaremos usando com um pouco mais de sabedoria e sensibilidade (que dizem que nos falta) os repertórios simbólicos do universo feminino que funcionam como insumos inconscientes para sua autoestima e valorização pessoal.
Finalizo deixando um abraço carinhoso às amigas que me ajudaram nesta pesquisa em 2012* e, através delas, homenageando todas as mulheres com as quais compartilho meu trabalho, meus sonhos e expectativas.
* Obrigado Ana Claudia, Ananélia, Ana Maia, Angela, Áurea, Beth, Helena, Heloisa, Janine, Maria Célia, Milena, Mônica, Regina A, Raquel, Regina C, Rosa, Rossana, Teresita e Wanessa.
Publicado originalmente em 08/03/2012
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