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28 de junho de 2020
2 de novembro de 2017
João Pessoa Cidade Criativa da UNESCO no artesanato e na arte popular
João Pessoa Cidade Criativa da UNESCO no artesanato e na arte popular é o titulo que a capital da Paraíba recebeu no último dia 31 de outubro após um longo processo, que poucos sabem começou alguns anos atrás.
A cada dois anos a UNESCO lança o edital para que as cidades interessadas se inscrevam para entrarem na Rede. Quando o resultado é anunciado, meses mais tarde, muitos questionam, por desconhecimento, as razões porque essa ou aquela cidade foram aceitas e outras rejeitadas. Conhecer os mecanismos e exigências da UNESCO é fundamental antes de se fazer qualquer crítica responsável.
Para fazer parte da Rede da UNESCO é necessário responder satisfatoriamente uma serie de perguntas que uma cidade de pequeno porte terá grande dificuldade, dentre elas a existência de um mercado demandante compatível com a oferta de bens simbólicos; da existência de ações de envergadura internacional e do desejo e da capacidade de investimento do poder público. Essa simples razão explica o porquê da maioria das cidades da Rede serem capitais e poucas delas cidades do interior. Essa conquista foi obtida não somente pelos méritos e ativos culturais que a cidade ostenta ou pelos investimentos na economia criativa realizados nos últimos cinco anos, mas também por suas propostas de futuro. São ações que quando realizadas a partir de 2018 abrirão novos mercados para o artesanato Pessoense, Paraibano, Nordestino e Brasileiro seja através da cooperação técnica internacional, seja pela participação em eventos especializados para os quais nossos talentosos artistas serão constantemente solicitados em participar.
Do seleto grupo de 180 cidades de todo o mundo que compõe a Rede da UNESCO apenas oito cidades brasileiras conseguiram até o momento essa façanha. São elas: Brasília e Curitiba no design, Salvador na música, Belém, Florianópolis e Paraty na gastronomia, Santos no cinema e João Pessoa no artesanato.
João Pessoa se destaca em todas as sete áreas da Economia Criativa definidos pela UNESCO. A decisão de priorizar o artesanato e a arte popular em seu dossiê de candidatura foi em razão de ser um segmento que necessita do poder público por sua fragilidade sócia econômica e pelas possibilidades de ações transversais com o design, o turismo e a gastronomia, criando uma espiral virtuosa.
Receber esse título é sem dúvida razão para comemorar, mas também para se preocupar em realizar o que foi prometido. Para isso será necessário à participação de todas as instituições e lideranças envolvidas com a Economia Criativa, seja em nível municipal, estadual ou federal, deixando de lado as intrigas e picuinhas políticas do passado. Afinal estamos olhando para o futuro e para o bem comum.
Uma cidade criativa é antes de tudo colaborativa.
31 de outubro de 2017
João Pessoa - Cidade UNESCO do Artesanato
João Pessoa foi escolhida, junto com Brasília (design) e Paraty (gastronomia), para se integrarem a Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO. O objetivo dessa rede é posicionar a economia criativa no centro das políticas publicas municipais, estimulando o intercâmbio de especialistas e divulgando as melhores práticas em ações de interesse comum.
João Pessoa foi reconhecida por sua riqueza cultural, expressa através de sua arte popular e de seu artesanato, dos ativos existentes no município e por sua visão de futuro apresentada em um plano de trabalho inovador. Dentre as ações previstas para o próximo ano está a criação de um Laboratório de Inovação e Design para o Artesanato e a realização de uma Feira Internacional de Artesanato com a participação de artesãos e artistas convidados de outras cidades da Rede.
No próximo encontro anual das cidades criativas, em junho de 2018 na Polônia, João Pessoa será apresentada à Rede juntamente com as demais 63 cidades do mundo escolhidas pela UNESCO.
Esse reconhecimento da UNESCO foi obtido graças ao esforço coordenado pelo SEBRAE na elaboração do dossiê contemplando todas as exigências deste processo de designação que ocorre somente a cada dois anos.
O comunicado foi feito pela diretora da UNESCO, Irina Bokova, neste 31 de outubro de 2017.
21 de março de 2017
4 de junho de 2015
Oficina Criativa Design + Gastronomia + Artesanato
Conceito norteador dos projetos
A proposta é promover o entrelaçamento de três atividades da economia criativa. O design intervindo na gastronomia, gerando trabalho e estimulando a demanda de produtos e utensílios artesanais, que produzidos localmente internalizam renda na comunidade.
Como cada alimento tem uma história, uma origem, e uma forma de preparo que pode mudar de uma região para outra, entender essas diferenças e, em suas singularidades, descobrir o repertorio emocional das pessoas, e deles extrair valor, é o desafio proposto.
Não se trata da tendência defendida pelo movimento do “Food Design” onde é a experiência no ato de comer é o foco de sua preocupação. Nem tampouco projetar embalagens de produtos alimentícios, conm cara do lugar, ou ainda, intervir na própria forma dos alimentos, como desafio artístico.
O que buscamos será unir os saberes tradicionais das cozinhas com aquele presente nas oficinas artesanais. O sabor de uma soma de saberes, que toca não somente o palato, mas a alma das pessoas.
Cada prato da culinária remetendo a um determinado tipo de sensação e prazer. A uma lembrança, no tempo e no espaço. Cada prato com uma uma linguagem formal e simbólica, que o distinguiam e o coloquem em valor. Dotado de estímulos táteis e visuais capazes de provocar um maior entendimento do valor da experiência presente no ato de alimentar, não somente o corpo, mas também o espírito. Com saúde, prazer, cultura e emoção.
Resultados esperados
Novas coleções de produtos relacionados com os principais pratos da culinária de Santa Catarina, tais como: travessas, vasilhames, utensílios e complementos de mesa, na forma de coleções, cuja produção seja preferencialmente local e sua adoção pelos restaurantes comprometidos com o projeto “Florianópolis – Cidade UNESCO da Gastronomia”.
Dotar os pratos de uma referencia simbólica, relacionada com a história ou a cultura do lugar, ampliando a percepção de seu valor.
O que se espera são artefatos que proponham uma solução relacionada com sua cultura de origem, estimulando a preservação de hábitos e tradições, porém aberta ao novo, as experimentações que enriquecem e ampliam o repertorio cultural.
26 de março de 2015
O luxo emocional e o sentido de pertencimento na decoração de interiores
Sem me ater às diferenças conceituais que existem entre decoração, design de interiores e arquitetura de interiores, discussão essa que interessa muito mais aos acadêmicos que ao público em geral, gostaria apenas de marcar minha posição sobre o que penso sobre os compromissos daqueles que se dedicam a estas atividades.
Alguns defendem de modo restritivo e reducionista que os decoradores se ocupam apenas da casa e seus ambientes internos ou externos. Os designers de interiores dos ambientes comerciais e profissionais (lojas, consultórios, escritórios, etc) e os arquitetos de interiores dos ambientes de uso coletivo (edifícios públicos, hospitais, escolas, bibliotecas, museus, bares, restaurantes, etc)
Defendo a ideia de que os profissionais que trabalham com a ambientação dos espaços, independente de sua formação ou do tipo de espaço a ser projetado, o fato de serem públicos ou privados, abertos ou fechados, devem ter como primeiras preocupações, o conforto, a segurança e a satisfação humana.
Em primeiro lugar deve vir o conforto. Isso significa dotar o ambiente de condições adequadas às tarefas que ali serão desenvolvidas, levando em consideração, logicamente as características físicas e antropométricas dos ocupantes. Isso determinará a altura de bancadas, o desenho dos armários e a escolha dos móveis. A busca pelo conforto significa considerar também os aspectos sensoriais, em especial a visão e a audição, dotando os espaços de uma ventilação e climatização adequada, de uma iluminação correta e proteção acústica.
Ventilação e climatização adequada podem ser obtidas com especificações de projeto, através de paredes vazadas, aberturas zenitais, altura do pé direito, envidraçamento adequado e outras providencias que permitam a troca e circulação do ar e de calor, ou impeçam a entrada do frio, dependendo da região. Revestimentos acústicos minimizam a reverberação dos sons e atenuam os ruídos.
A definição e escolha dos materiais, mobiliário e equipamentos devem levar em consideração sua durabilidade e facilidade de limpeza e manutenção. Isso também significa conforto.
Equipamentos de ar condicionado e máquinas de lavar de ruído reduzido, refrigeradores com baixo consumo de energia, de preço acessível e funcionalidade satisfatória devem ser buscados por quem os especifica. Fogões e coifas importadas, que custam dez vezes o preço de um similar nacional não significam luxo, mas ostentação e trazer problemas quando for necessária uma assistência técnica.
Em segundo lugar, mas não menos importante, está a questão da segurança. Isso significa prever, para evitar, o risco de acidentes em função da correta colocação dos produtos e equipamentos permitindo ou restringindo o acesso aos mesmos de acordo com as necessidades. Traduzindo em exemplos práticos significa evitar a acesso de crianças aos pontos de energia, sinalizar adequadamente escadas elementos contundentes, prever saídas, luzes e equipamentos de emergência, dentre outras questões. Sinalizar não significa colocar placas e avisos. Às vezes basta utilizar um elemento cromático diferenciado no primeiro lance de escada ou em um desnível do piso para evitar acidentes. A escolha dos pisos e revestimentos deve sempre levar em consideração o tipo de utilização, existindo modelos adequados para áreas úmidas em substituição aos pisos lisos e escorregadios.
Não basta atender as exigências e normas preconizadas pelos bombeiros. É comum vermos espaços com poucos pontos de eletricidade. Tomadas localizadas em lugares de difícil acesso ou distantes dos pontos, onde é previsível o uso de equipamentos elétricos, acabam induzindo ao uso de múltiplos equipamentos em uma única tomada, causando sobrecarga ou curtos circuitos.
Isso não representa excesso de zelo ou uma preocupação desmesurada com eventos improváveis. Quando estamos lidando com questões que põem em risco a vida humana todo cuidado sempre é pouco. Temos sempre de ter em mente as limitações físicas ou cognitivas de crianças e idosos.
Em terceiro lugar está a questão da satisfação humana entendida como sendo uma resposta positiva às diversas expectativas e exigências estéticas, sensitivas ou emocionais.
Viver em um espaço acolhedor e prazeroso, como uma metáfora do colo materno, é o sonho de todos. Um espaço decorado deve ter a cara do dono e não de quem o decorou. Nisso reside a diferença entre um artista e um designer, que é o compromisso.
O artista, qualquer que seja popular ou erudito, deve ter um único compromisso que é consigo mesmo. Exprimir sua visão pessoal e única de tudo que o cerca e o sensibiliza, expandindo os limites do conhecido, é a razão de ser do artista. Gostar ou não daquilo que ele faz é problema do observador, não dele. A partir do momento que produz arte para vender, passa a ser um comerciante, que utiliza sua técnica, sua habilidade, sua cultura e sua sensibilidade apenas para agradar ao público, deixando de ousar, de criar algo novo e revolucionário.
Os verdadeiros artistas devem ficar imunes aos modismos, aos apelos do mercado, ao assédio dos marchands cujo objetivo é vender e às aproximações tendenciosas de outros criativos cuja meta é intervir em seu trabalho para atender necessidades próprias. Resumindo, o compromisso do verdadeiro artista é com sua arte e não com quem a compra.
Com o designer, não importando sua especialidade (produto, gráfico, interiores, moda...), seu compromisso é com seu cliente. Sua responsabilidade é atender as necessidades daquele que o contrata e daqueles que serão usuários de suas criações.
Respeitar o gosto, a cultura e os valores do cliente, ou daquele que irá habitar ou usufruir do espaço ambientado, deveria ser um imperativo de projeto. Esse repertório do cliente não é necessariamente o mesmo do arquiteto, do decorador ou do designer contratado, mesmo que pertençam a um estrato social semelhante, pois cada um tem sua própria história de vida, de escolhas e recordações.
Para fazer de um lugar um espaço de convívio e de prazer é necessário ouvir com atenção e sensibilidade o cliente para conhecer suas aspirações e desejos. Penetrar em seu universo simbólico requer mais que ouvidos e olhos atentos. Requer uma escuta sensível capaz de identificar as coisas que fazem parte de seu universo afetivo. Recordações de viagens e descobertas para decorar um ambiente nunca são de mau gosto já que o mau gosto é sempre dos outros.
Para mim, nada mais triste e melancólico que um espaço decorado com peças e objetos de uma cultura exógena, desconhecida, talvez sonhada, mas jamais visitada. Artesanato, esculturas e objetos de decoração da China, da Índia, de Bali, da Indonésia, que chegam ao Brasil em containers, são atraentes pelo preço, pela novidade e pelo exotismo, mas são desprovidos de conteúdo emocional para quem nunca esteve nestes lugares. Enfeitam mas não trazem recordações. Simulam um falso status. Emprestam um valor simbólico inexistente. Decorando salas que nunca são ocupadas pelos verdadeiros moradores a espera de visitas improváveis.
Uma sala não é um templo com objetos irremovíveis, ocupando eternamente o mesmo lugar, exigindo uma labuta diária para as coisas permanecerem como sempre estiveram. Deixem a pátina dada pelo tempo colorir as paredes. Deixem que os objetos envelheçam com dignidade. As casas não são museus ou galerias de arte.
Uma casa para ser um “lar” é uma extensão da vida das pessoas que nela habitam. Mudam com o tempo. Evoluem com suas preferências. Trazem um novo gosto adquirido. Mudam de cor, de estilo. Como as pessoas mudam de penteado, de roupas, de companhias e crenças, os verdadeiros lares são também mutantes.
Cada cômodo tem sua própria personalidade em função do papel que exercem na casa. Suas paredes e pisos podem, e devem ter cores e texturas diferentes. O quarto dos filhos deve ser um território que somente a eles cabem decidir o que entra o que fica, e o que sai.
Nestes espaços únicos, singulares, personalizados, reside o sentimento de pertencimento. Pertencer a um determinado lugar é parte de sua identidade. Se sentir em casa, seja em um país, uma cidade, um bairro, uma rua, uma vivenda, e dentro dessa até mesmo um cômodo, traz um sentimento de segurança, de proteção, de abrigo. É saber para onde voltar.
Esse mundo singular no qual nos sentimos integrados configura uma cultura específica e uma identidade própria. Nisso está nossa diferença com os demais habitantes do planeta. O que gostamos o que sentimos o que vemos e criticamos nos faz diferente. Se ampliarmos o olhar descobrimos que existem outras pessoas parecidas conosco, assemelhadas, mas não iguais. Com elas me reconheço, confirmo minha identidade. Sinto-me em casa.
Nossa cultura está impregnada de histórias, lendas, memórias e de um mundo material único e singular. Podem ser objetos com os quais aprendemos a superar nossas deficiências ou a conviver pacificamente em nosso cotidiano, aportando o sentimento de familiaridade.
Neste universo material nascem e florescem artefatos que trazem consigo as raízes do lugar. Sua história, seu passado, seus mitos, crenças e ritos. Estes objetos são expressão de nossa cultura. O artesanato e a arte popular são portadores de uma visão de futuro, muito mais que um olhar ao passado. Renovam-se continuamente, impulsionados pelo mercado e pelo desejo permanente de criar.
Trazer o artesanato do lugar para o interior das casas é prova de amor e respeito com sua cultura além da satisfação pelo retorno social, que significa criar novas oportunidades de renda e de trabalho para os artesãos.
Diferente do artista popular o compromisso do artesão é com sua família. Fazer do seu trabalho um meio de subsistência permitindo adquirir os produtos e serviços que necessita. O artesanato não vive da repetição, do lugar comum, do estereótipo fácil apenas sobrevive. Para manter-se vivo e atuante o artesão deve renovar sua oferta, melhorar continuamente a qualidade de seu trabalho, ouvir a voz do mercado, inovar, mas sem desvirtuar. Surpreender pelo compromisso com as pessoas do lugar e pelo respeito ambiental.
A tarefa fundamental de um decorador é participar com o cliente da escolha de materiais e peças, funcionais ou de decoração, ofertadas no mercado, ou feitas artesanalmente na região. A descoberta de um elemento artesanal que possa substituir outro importado ou sem um atributo diferenciador significativo, é aquilo que fará o ambiente trazer consigo a personalidade do lugar.
É necessário conhecer, tomar intimidade, se aproximar, para depois gostar, amar ou respeitar. Entender que por detrás de uma peça artesanal reside uma singularidade, uma exclusividade, um luxo emocional.
Fazendo um paralelo, tem sido observada uma mudança de comportamento de consumo no vértice da pirâmide social. Da busca desenfreada pelas grandes marcas, pelas grifes internacionalmente reconhecidas, as pessoas de alto poder aquisitivo estão reorientando suas escolhas para produtos feitos artesanalmente, customizados, únicos e exclusivos.
As pessoas “antenadas” com as tendências também estão observando esse fenômeno e rompendo seus preconceitos, principalmente em achar que artesanato é coisa de pobre para pobre. Da quartinha ou moringa de cerâmica ao lado da cama, capaz de tratar domesticamente e com grande eficiência a água de consumo noturno, ao revestimento de palhinha trançada como papel de parede, já é possível perceber um nicho de mercado que começa ser revelado.
Os profissionais contratados para projetar um produto, espaço ou serviço deveriam mudar sua forma de pensar. Ao invés de dizerem “Eu trabalho para meu cliente” deveriam dizer “Eu trabalho com o meu cliente”. Tarefa difícil para aqueles que se acham superiores. A humildade em ouvir a voz do cliente e com ele visualizar um futuro melhor é o atributo dos bons arquitetos e designers.
É necessário estreitar a colaboração entre os artesãos e quem possa especificá-los na ambientação e na decoração. A aproximação traz benefícios aos dois lados. Os artesãos encontram nos arquitetos, designers e decoradores valiosas contribuições sob a forma de novas ideias, sugestões e demandas, ampliando a possibilidade de sucesso. A especificação e compra do artesanato para a decoração de interiores contribui para garantir a continuidade dessa atividade e do benefício social disso resultante.
Por sua vez estes profissionais de projeto buscam nas raízes da arte popular e do artesanato uma ampliação de seu repertório cultural, base para qualquer processo criativo.
Neste encontro do saber e do fazer o que permeia as discussões tem sido o conceito atribuído ao que é belo. A beleza é um conceito subjetivo e que muda em função do tempo e do lugar, mas que encontram no pensamento coletivo pontos comuns. Para alguns o belo representa a harmonia e o equilíbrio entre os elementos presentes na peça ou no lugar. Para outros a pureza, a leveza, o essencial despojado do supérfluo.
“A perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar” Saint-Exupéry
O que é feio ou bonito são, ao final, conceitos pessoais e intransferíveis. Podemos nos aproximar, mas nunca alcançar na plenitude, o conceito de belo que reside no outro.
Porém, o que é bom é bom, ou seja, é o contrario do ruim. Enquanto a beleza está no domínio do intangível à qualidade está no mundo físico. E visível é palpável. Um produto bom é aquele feito com habilidade e destreza e carrega uma carga emocional e cultural. Como disse Janete Costa, justificando suas escolhas em um concurso de produtos artesanais “Nem tudo que é bonito é bom e nem tudo que é feio é ruim”.
Essas reflexões remetem ao conceito de pertencimento, de identidade, de coerência entre o ser humano e seu espaço habitável. Da morada que é um lar e não apenas uma casa.
Satisfeita essa necessidade física, de morar bem, com conforto, com dignidade, com familiaridade, podemos aspirar um segundo nível de exigência ou expectativa, que é morar com luxo.
Remetendo as palavras de Coco Chanel para quem o ”luxo não é sinônimo de ostentação. O luxo é o contrário da banalidade” podemos admitir que o luxo fosse tudo aquilo que é capaz de fazer a diferença entre o medíocre e extraordinário. O medíocre é o que está no meio, entre o bom e o ruim, entre o feio e o bonito, entre o caro e o barato, entre o útil e o inútil, entre o encantamento e a decepção.
O luxo é o exclusivo, o singular, o personalizado, o único, o que traz consigo uma distinção de valor emocional. Respirar o ar puro da montanha, beber da água cristalina da fonte, dormir sem ruídos e insetos ao redor, trabalhar naquilo que dá prazer, desfrutar da companhia de verdadeiros amigos... Tudo isso é luxo, que não se adquire apenas com dinheiro.
Para os que pensam em decorar suas casas digo: Luxo é ter um espaço próprio, único, personalizado, com sua cara, seu jeito de ser e de viver, onde você se sinta bem, recompensado, energizado e feliz.
Para realizar essa tarefa busque o trabalho de um profissional (decorador, arquiteto, designer de interiores) que possa indicar e ajudar na definição das cores, dos revestimentos, dos móveis, equipamentos, objetos, na definição do layout, na escolha dos fornecedores e todas as demais atividades de modo há racionalizar os tempos, movimentos e custos. Mas não delegue responsabilidades. Participe das escolhas e faça ouvir seu coração. Afinal quem vai morar neste lugar é você e não quem o decorou.
E, para os decoradores, arquitetos e designers duas atitudes éticas fundamentais que não devem ser esquecidas são o respeito com o gosto e com o dinheiro de seu cliente. Trabalhe com ele e não para ele. Seja capaz de aportar com seu amplo repertorio tecnológico e cultural aquilo que o cliente talvez desconheça e de repente nem sabe que necessita. Traduza o desejo e expectativa em surpresa e encantamento.
E, finalmente, olhe com generosidade, com sensibilidade e com um pouco de erudição, a arte popular e o artesanato como alternativas ecologicamente responsáveis, socialmente justas e culturalmente insubstituíveis.
Lançamento da Casa Cor Espírito Santo 2015
Vitória, 24/03/2015
9 de dezembro de 2013
Arte popular, artesanato, manualidades - Novos paradigmas
Arte popular, artesanato, manualidades e industrianato são
conceitos ultrapassados pela realidade. As fronteiras conceituais não foram
suficientes para dar conta da diversidade de expressões estéticas e visuais
existentes hoje no comercio de bens simbólicos.
A análise tátil e visual de um produto não é suficiente para
classificá-lo e atribuir um valor. É preciso conhecer suas origens, matérias primas
e técnicas utilizadas, habilidades e conhecimentos requeridos na sua realização.
Essa informação é uma nova exigência desse mercado para aqueles que promovem e
comercializam, sejam lojas especializadas de artesanato, galerias de arte ou
feiras comerciais.
O que esse mercado busca hoje? Peças únicas, de valor
artístico inquestionável, que podem ser fruto de um indivíduo de baixa
escolaridade e distanciado da sociedade de consumo urbana ou de alguém com
formação artística acadêmica superior. Tanto faz. A originalidade e a inovação
que convivem e dialogam com a tradição e as raízes culturais são os paradigmas
de um desenvolvimento sustentável e socialmente responsável. Não importa de nem
onde e nem em que condições emergem.
Do mesmo modo, a ruptura das fronteiras entre aquele que
cria, para seu prazer ou para seu sustento, ou daquele que cria para aquele que
produz, deveu-se a em grande parte a inserção do design nas unidades de
produção artesanal, introduzindo técnicas e métodos próprios do processo de
criação. Desapareceram as figuras do artista popular e do artesão, fundidos em
um só individuo, capaz de criar e de reproduzir com pequenas variações os
modelos originais.
Restringir o acesso ao mercado, ou determinar o valor
comercial de um produto apenas por uma análise acadêmica, é hoje impensável. O mercado consumidor de bens simbólicos já
está amadurecido para discernir o que é bom daquilo que é apenas belo.Bom e belo, dois conceitos que comportam imensas
considerações. Pessoalmente penso que o belo é fruto do equilíbrio e da
harmonia dos elementos, já o bom é aquilo que inova, surpreende, instiga a
reflexão e traz o encantamento e o frescor de algo novo, porém referenciado em
tempo e lugar.
5 de abril de 2013
14 de novembro de 2012
Lembranças e souvenires – Uma oportunidade que está sendo perdida no artesanato.
Recentemente fiz uma viagem por sete países da Europa. Com
meu olhar de designer e uma acentuada atração por artesanato acabei comprando
coisas que nunca imaginei. Dentre elas alguns imãs de geladeira, satisfazendo
uma nova curtição iniciada no último período que morei em Brasília.
Sempre achei de gosto duvidoso essa mania de usar a porta de
geladeira como painel de avisos e recordações. Aceite recentemente o fato que a
porta da geladeira (ou do freezer) é um bom local para nos lembrar, várias
vezes ao dia, fragmentos de coisas e momentos únicos e especiais. São pequenos
objetos ou imagens que fazem referencia as nossas gostos, preferências
e memórias.
Entretanto estes souvenires, durante tanto tempo por mim
desprezados, ganharam um novo status. Alguns são pequenas obras de arte por sua
beleza e qualidade. O mais impressionante é que estes pequenos objetos custam na Europa o
mesmo preço que os produtos similares vendidos no Brasil, com a diferença que
os nossos souvenires são, em sua grande maioria, de uma ingenuidade simplória, feitos
de biscuit ou de gesso de qualidade duvidosa, explorando um exaustivo repertório de lugares comuns,
de estereótipos vulgares ou alusivos aos times de futebol.
Em virtude de seu preço acessível a qualquer bolso, estas
pequenas lembranças poderiam representar um ganho expressivo para artesãos melhor preparados, desde que saibam representar com conteúdo e qualidade nossas
singularidades culturais de modo inovador e sedutor.
Caixas de fósforos transformadas em oratórios minúsculos
para os devotos; fotos, reproduções de pinturas, desenhos, rótulos tradicionais
e etiquetas de produtos ícones colados sobre papel imantado; representações da
fauna e da flora locais sobre metal esmaltado; tabelas e avisos sobre o perigo
dos excessos; testemunhos de viagens e descobertas, entre outros, encontram na
porta da geladeira um local privilegiado para serem vistos constantemente e com
isso provocarem uma recorrente reflexão sobre sua função, sobre nossas vidas e
sobre nossas escolhas.
4 de junho de 2012
TOP 100 do Artesanato - Resultado da Premiação de 2012
- ADERE - ASSOCIAÇÃO P/ DESENVOLVIMENTO EDUCAÇÃO E RECUPERAÇÃO DO EXCEPCIONAL / SP
- ALEX MONT'ELBERTO / PE
- AMO BIO DESIGN / MS
- ANART ARTESANATO / PE
- APAMI – ASSOCIAÇÃO DE PROTEÇÃO E ASSISTÊNCIA A MATERNIDADE, A INFÂNCIA E AO MEIO RURAL / RN
- ART EM COCO / RN
- ARTE CAMUCIM / AC
- ARTE E RAIZ /AP
- ARTE PRIMITIVA / PE
- ARTECAM / PI
- ARTES E OFÍCIOS / PE
- ARTESANATO CANA BRAVA / PE
- ARTESANATO CANDANGO / DF
- ARTESANATO EM FIBRA DE BANANEIRA / SE
- ARTESANATO PAMPA CAVERÁ / RS
- ARTESANATO TRANÇAS DA TERRA - TEREZA BITTENCOURT / SC
- ARTESANIA / RS
- ARTFIO / CE
- ASSOAM – ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE MONTEIRO / PB
- ASSOCIAÇÃO COMFRIBA / PR
- ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA DE MOCOTÓ DE VARZEA ALEGRE / CE
- ASSOCIAÇÃO DA RAPOSA / MA
- ASSOCIAÇÃO DAS ARTESÃS DE VILA SAMAMBAIA / SE
- ASSOCIAÇÃO DAS PRODUTORAS DE ARTESANATO DAS MULHERES INDIGENAS DE TARAUACÁ E JORDÃO / AC
- ASSOCIAÇÃO DE ARTESANATO E APICULTURA DOS POVOADOS TIGRE E JUNÇA / SE
- ASSOCIAÇÃO DE INCLUSÃO SOCIAL BORDADEIRAS DE PENEDO – AISBOPE / AL
- ASSOCIAÇÃO DO BABAÇU DA AMAZONIA / TO
- ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE CASTELO DO PIAUÍ / PI
- ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE PIMENTA BUENO / RO
- ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE SANTA MARIA – AASM / MA
- ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DE SÃO JOSÉ DE RIBAMAR – AASJR / MA
- ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DO CAPIM DOURADO PONTEALTENSE - VALTAIR DANIEL / TO
- ASSOCIAÇÃO DOS ARTESÃOS DO PONTAL DE CORURIPE / AL
- ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA RENDA IRLANDESA DE DIVINA PASTORA / SE
- ASSOCIAÇÃO RIO GRANDE / MA
- ASSOCIAÇÃO SANTA RITA DO AÇUZINHO / SE
- ATELIE DE PRATA / PI
- ATELIÊ MIRITI DA AMAZÔNIA / PA
- ATELIER FEDALTO & OTERO / PR
- ATUAR MUNDO NOVO / ES
- BICHOS DO MAR DE DENTRO - NÚCLEO ARROIO GRANDE / RS
- BORDADEIRAS DE TAGUATINGA / DF
- BORDADOS DE TIMBAUBA / RN
- CAFÉ IGARAÍ / SP
- CARQUEIJO ARTESANATO / CE
- CASA CATARINA - CLAUDIA BARTCZAK / SC
- CEARÁ DESIGNER / CE
- CENTRAL VEREDAS / MG
- CENTRO DE ARTESANATO DE IBIPORA / PR
- CERÂMICA DO CABO / PE
- CERÂMICA NEGRA DA MARÉ / RJ
- CERÂMICA SERRA DA CAPIVARA / PI
- COOBAN – COOPERATIVA DAS BORDADEIRAS DE ALAGOA NOVA / PB
- COOPERART – POTY / PI
- COOPERATIVA DAS BORDADEIRAS LILI ESCÓRCIO / PI
- COOPERATIVA DOS ARTESÃOS DO RIO GRANDE DO SUL - PROJETO CANOA - EDY FERREIRA RIBEIRO / RS
- COOPERATIVA DOS PRODUTORES E PRODUTORAS RURAIS DA APA DO PRATIGI – COOPRAP /BA
- COOPERATIVA LÃ PURA / RS
- DEDO DE GENTE ARTESANATO / MG
- DESFIAR – LABIRINTO / PB
- DÔRA BORDADOS / SE
- ELSON ANGELIM / RJ
- ENCANTO E ARTE ARTESANATO / RJ
- ENGENHO DA TERRA / SE
- FATINHA FIBRAS E FIOS / GO
- FIBRAS COM ARTE / MG
- FIO BRASIL / MG
- FLOR DE XARAÉS / MS
- FLOR DO CERRADO DESIGN E ARTESANATO LTDA / DF
- FLORES DE GABI / GO
- FORMIGUINHAS EM AÇÃO / SE
- GARIMPO DAS ARTES / MG
- GIBARBOSA / ES
- ISNALDO REIS / PE
- JM BRINQUEDOS EDUCATIVOS EM MADEIRA / SP
- JOIAS DO PANTANAL / MS
- LOLI COLPA ECO DESIGN / SP
- MÃOS À OBRA / MS
- MARCHETARIA DO ACRE / AC
- MARCHETARIA MORAIS / PE
- MARIAS / MG
- MONICA CARVALHO / RJ
- MOSAICO DAS ARTES / MA
- MULHERES DE FIBRA / MA
- MULHERES DO FREI / SC
- NABOA / ES
- NATURAL FASHION / PB
- NOV'ARTE /AM
- NÚCLEO BOA NOVA DE ARTE E CULTURA / GO
- OFICINA PRODUTIVA EQUILLIBRIUM / ES
- OPALAS PEDRO II / PI
- PROART / MS
- RITA PROSSI /AM
- SABOARANA ARTE EM MADEIRAS /AM
- SOL A FIO / PI
- STUDIO GABRIELA ROSSI / SP
- TAPEÇARIA TIMBI / PE
- TOCA TAPETES / SC
- WS ARTES / PE
- 1001 RETALHOS / SP
Júri da Terceira Edição do
Prêmio SEBRAE TOP 100 do Artesanato
- Claudia Leitão – Socióloga - Secretária da Economia Criativa do Ministério da Cultura.
- Marcelo Rosembaum - Designer
- Cristina Franco - Jornalista e consultora de moda
- Fátima Mergulhão - Estilista e empresária
- Angela Carvalho – Designer
- Márcio Waked de Moraes- Diretor da Bio Fair Trade / Comércio Justo.
- Eduardo Barroso Neto - Designer
15 de março de 2012
Somos todos artesãos
Como designer, já fui artista e como todo artista já fui artesão, pelo simples fato que o fazer pressupõe o domínio de uma ou mais ferramentas. E até recentemente todas as ferramentas eram operadas a partir de comandados da mão, que moldava a matéria ou criava as imagens. A primeira lição que se aprende na vida é usar as mãos. Do chucalho (um objeto qualquer que a mão movimente) até chegar na lua demos um pulo enquanto civilização.
Dominar o traço seja com qual ferramenta for, lápis ou computador, é o primeiro passo para domesticar o pensamento criativo, ou seja, torná-lo visível para os outros e assim se tornar possível.
O traço é o primeiro gesto para expressar um pensamento de um produto ou imagem. Conseguir desenhar duas linhas paralelas é o suficiente para que se aprenda a desenhar. Desenhar é um exercício que se aprende e se aperfeiçoa até o limite que quisermos. Por mais que as palavras nos ajudem a expressar uma idéia, chega um momento que ela deve ser visível. Desenhando a mão ou no computador expressamos o universo.
Os seres humanos aspiraram o primeiro grau da evolução quando conseguiram a oposição entre o polegar e o indicador. Este gesto de “pinça” permitiu que fizessem ferramentas e com elas aprenderam a dominar seu entorno. Com o passar dos séculos as ferramentas foram se sofisticando em um processo de evolução contínuo.
Melhores são as ferramentas melhor será o resultado desejado. Não compactuo com a idéia que o artesão tem mais valor quando sua ferramenta de trabalho é rústica. Ou do artista que não busca o contínuo aperfeiçoamento de sua técnica.
Seja qual for o nosso “fazer” devemos tentar ser os melhores, pois isso se consegue quando dominamos as técnicas e estas se aprendem e, com elas, o pensamento criativo evolui com mais facilidade.
12 de outubro de 2011
Prêmio SEBRAE TOP 100 do Artesanato

Chega a sua terceira edição o Prêmio que criamos para o SEBRAE em 2006, cujos objetivos são:
• Identificar, premiar e divulgar os casos de maior sucesso na área do artesanato, apontando as 100 melhores unidades de produção cujos produtos transcendam os aspectos puramente estéticos e culturais, colocando em evidência o compromisso social, econômico e ambiental.
• Dispor de informações atuais e confiáveis sobre a realidade do segmento artesanal, permitindo a tomada de decisões sobre a oportunidade e necessidade de projetos e ações para o desenvolvimento sustentável do setor artesanal.
Período de inscrições: De 03 de Outubro a 30 de novembro de 2011
Capacitação dos gestores: 17 e 18 de outubro de 2011
Capacitação dos consultores: 28 e 29 novembro de 2011
Visitas de consultores as unidades: De 10 de janeiro a 30 de março de 2012
Entrega de relatórios dos consultores ao SEBRAE estadual: Abril de 2012
Divulgação dos resultados: Junho de 2012
Evento de premiação e rodada de negócios: Agosto de 2012
http://www.top100.sebrae.com.br/
3 de maio de 2011
Excelência UNESCO para o Artesanato dos países Andinos
Durante a última semana de abril estive novamente diante de um novo desafio, de enorme responsabilidade, que foi o de escolher os produtos artesanais dos países Andinos que receberam o selo de Excelência da UNESCO. Dividi esta tarefa com duas especialistas de enorme projeção internacional: Sandra Theule, responsável pelas relações institucionais do Ateliers d’Art da França e Rafaela Luft, diretora do Fundo Nacional para o Fomento do Artesanato do México.
Este evento, realizado em Lima no Peru, amplia a visibilidade do artesanato produzido na América Latina cuja seleção se iniciou pela escolha dos melhores produtos artesanais do México e Brasil, em 2006 em Salvador na Bahia. Na seqüência o selo foi concedido ao artesanato dos países do Caribe, em 2008 em Havana; depois os países do Mercosul em 2010 em Santiago do Chile.
A experiência de haver participado como jurado nestes três eventos reforça minha visão sobre a importância deste trabalho e o quanto ele pode ser determinante para o futuro profissional dos agraciados. A enorme visibilidade internacional que este reconhecimento aporta aos artesãos e o valor que agrega a seus produtos conferem uma dimensão nova a nossa difícil tarefa de julgar o “melhor dentre os melhores”.
Nossa decisão se pautou pelos critérios recomendados pela UNESCO, que foram:
1. Qualidade (estética, domínio técnico, materiais e acabamento utilizados)
2. Autenticidade (expressão da identidade cultural local)
3. Inovação (design contemporâneo em sintonia com os valores tradicionais)
4. Comercialização (preço compatível com o mercado e com a qualidade do produto)
Os produtos devem ainda cumprir com as exigências de respeito ao meio ambiente e responsabilidade social.
Dentre os 67 produtos selecionados pelos paises participantes, com exceção da Colômbia que inexplicavelmente não os enviou, os agraciados foram:
BOLIVIA
"Poncho medio ojo", de Hilda Ramos Figueroa
EQUADOR
"El venado andino", de Segundo Honorio Cocha Ladino
"Línea de productos funcionales a base de la fibra natural cabuya sisal", del Centro Artesanal de la Asociación SIMIATUG SAMAI
"Peineta de filigrana", de Andrea Tello de Ecuador
"Sombrero súper fino de paja toquilla" de Flerida Yolanda Pachay Anchundia
“Oso de anteojos", de Héctor Parión Aigaje
PERU
"Camélidos", de Gustavo Salas Palomino
"Cuadro de mate burilado", de Tito Medina Salomé
"Kero contemporáneo con plata", de Juan Alberto Estrada Ortega
"Poncho femenino", de Ruth Pimentel Quishpe
"Retablo taller de mascaras", de Julio César Gallardo Montoya
"Tabla de Sarhua de enamoramiento", de Pompeyo Berrocal Evanan
"Wawa waltha", de Abraham Fausto Aller Escalante
VENEZUELA
"Chinchorro de Curagua", de Ramona Antonia Romero Chiguita
"Chinchorro Wayuu doble cara", de Leixy Zoila Uriana
"Susú con dos técnicas” de la Cooperativa Ayataulee
As todos eles minhas mais sinceras felicitações.
Este evento, realizado em Lima no Peru, amplia a visibilidade do artesanato produzido na América Latina cuja seleção se iniciou pela escolha dos melhores produtos artesanais do México e Brasil, em 2006 em Salvador na Bahia. Na seqüência o selo foi concedido ao artesanato dos países do Caribe, em 2008 em Havana; depois os países do Mercosul em 2010 em Santiago do Chile.
A experiência de haver participado como jurado nestes três eventos reforça minha visão sobre a importância deste trabalho e o quanto ele pode ser determinante para o futuro profissional dos agraciados. A enorme visibilidade internacional que este reconhecimento aporta aos artesãos e o valor que agrega a seus produtos conferem uma dimensão nova a nossa difícil tarefa de julgar o “melhor dentre os melhores”.
Nossa decisão se pautou pelos critérios recomendados pela UNESCO, que foram:
1. Qualidade (estética, domínio técnico, materiais e acabamento utilizados)
2. Autenticidade (expressão da identidade cultural local)
3. Inovação (design contemporâneo em sintonia com os valores tradicionais)
4. Comercialização (preço compatível com o mercado e com a qualidade do produto)
Os produtos devem ainda cumprir com as exigências de respeito ao meio ambiente e responsabilidade social.
Dentre os 67 produtos selecionados pelos paises participantes, com exceção da Colômbia que inexplicavelmente não os enviou, os agraciados foram:
BOLIVIA
"Poncho medio ojo", de Hilda Ramos Figueroa
EQUADOR
"El venado andino", de Segundo Honorio Cocha Ladino
"Línea de productos funcionales a base de la fibra natural cabuya sisal", del Centro Artesanal de la Asociación SIMIATUG SAMAI
"Peineta de filigrana", de Andrea Tello de Ecuador
"Sombrero súper fino de paja toquilla" de Flerida Yolanda Pachay Anchundia
“Oso de anteojos", de Héctor Parión Aigaje
PERU
"Camélidos", de Gustavo Salas Palomino
"Cuadro de mate burilado", de Tito Medina Salomé
"Kero contemporáneo con plata", de Juan Alberto Estrada Ortega
"Poncho femenino", de Ruth Pimentel Quishpe
"Retablo taller de mascaras", de Julio César Gallardo Montoya
"Tabla de Sarhua de enamoramiento", de Pompeyo Berrocal Evanan
"Wawa waltha", de Abraham Fausto Aller Escalante
VENEZUELA
"Chinchorro de Curagua", de Ramona Antonia Romero Chiguita
"Chinchorro Wayuu doble cara", de Leixy Zoila Uriana
"Susú con dos técnicas” de la Cooperativa Ayataulee
As todos eles minhas mais sinceras felicitações.
14 de abril de 2011
O valor das coisas tangíveis
Consultando as estatísticas desse meu blog descubro que o texto mais acessado é o que tem por titulo “como calcular o preço de venda de um produto artesanal” com mais de 900 visualizações. Deduzo, portanto, que a maioria dos que me visitam são artesãos ou pessoas com eles envolvidas, com exceção dos patrícios que me confundem com um cirurgião e um juiz de futebol que são meus homônimos e que vivem em Portugal.
Suponho também que a questão do preço e conseqüentemente a comercialização são os temas mais preocupantes para este grupo de visitantes. Deste modo, me sinto compelido a trazer outras reflexões sobre estes temas.
A primeira delas diz respeito ao valor agregado, ou valor percebido pelos consumidores, expresso na capacidade de atração, de encantamento, de sedução ou de surpresa que um produto é capaz de despertar nas pessoas. Este “algo mais” que distancia um produto do lugar comum, do “déjà vu”, está sobre uma linha tênue que separa o banal do extraordinário. Para alcançar e se manter nesta posição de fronteira é necessário ousar, transgredir, romper as convenções estéticas e formais. Significa perscrutar o coração e a mente dos seus consumidores buscando decodificar seus desejos e aspirações ainda não reveladas.
Este exercício criativo, ao invés de copiar as boas idéias alheias, é tarefa para pessoas treinadas na pratica cotidiana da inovação, como é o caso dos artistas, designers e afins. Esta parceria entre criadores e produtores deve ser apoiada, estimulada, fomentada e patrocinada pelas instituições, como o SEBRAE, que atuam no setor pois, salvo exceções, as unidades de produção artesanal assim como as micro e pequenas empresas não possuem capital, e cultura de risco, para investir na contratação destes serviços.
A segunda reflexão está relacionada ao valor monetário que pode ser acrescido ao preço básico de um produto (obtido pela soma do tempo utilizado em sua produção, dos insumos, matéria prima e encargos) cuja margem de elasticidade é determinada em parte pela concorrência, mas principalmente pelo poder e disponibilidade de compra do público visado, fruto da experiência e da vivência que o uso, a proximidade, a contemplação ou fruição que aquele produto proporcionou.
Os consumidores de maior poder aquisitivo, e de maior grau de compreensão/inclinação cultural para o artesanato, a arte popular e o design vernacular, público mais disposto em adquirir produtos de preço mais elevado, não são os freqüentadores habituais das feiras artesanais e lojas de souvenir. Para alcançá-los é necessário uma mudança de estratégia. Trata-se de procurar ir até onde estão, e não esperar que venham até você.
Como fazer isso?
Separando-se da manada, buscando um espaço ou nicho específico que esteja em conexão direta com esse público culturalmente mas exigente. Entrando em seu "habitat", fixo ou provisório, como algo que tem uma história para contar, ou uma emoção para relembrar.
Fazendo parte integrante dos espaços interiores das pousadas e hoteis, dos restaurantes temáticos,das residencias oficiais e dos formadores de opinião.
Fazendo parcerias estratégicas na comercialização, com estes mesmos fornecedores de serviços exclusivos. Como dizem os arqueiros: É mirando (e pensando) mais alto que se acerta o alvo. E o preço se determina de trás para frente. Ou seja,avaliando o quanto vale no mercado a diferença que meu produto possui?
__________ Veja o artigo: "Como calcular o preço de venda de um produto artesanal"
Suponho também que a questão do preço e conseqüentemente a comercialização são os temas mais preocupantes para este grupo de visitantes. Deste modo, me sinto compelido a trazer outras reflexões sobre estes temas.
A primeira delas diz respeito ao valor agregado, ou valor percebido pelos consumidores, expresso na capacidade de atração, de encantamento, de sedução ou de surpresa que um produto é capaz de despertar nas pessoas. Este “algo mais” que distancia um produto do lugar comum, do “déjà vu”, está sobre uma linha tênue que separa o banal do extraordinário. Para alcançar e se manter nesta posição de fronteira é necessário ousar, transgredir, romper as convenções estéticas e formais. Significa perscrutar o coração e a mente dos seus consumidores buscando decodificar seus desejos e aspirações ainda não reveladas.
Este exercício criativo, ao invés de copiar as boas idéias alheias, é tarefa para pessoas treinadas na pratica cotidiana da inovação, como é o caso dos artistas, designers e afins. Esta parceria entre criadores e produtores deve ser apoiada, estimulada, fomentada e patrocinada pelas instituições, como o SEBRAE, que atuam no setor pois, salvo exceções, as unidades de produção artesanal assim como as micro e pequenas empresas não possuem capital, e cultura de risco, para investir na contratação destes serviços.
A segunda reflexão está relacionada ao valor monetário que pode ser acrescido ao preço básico de um produto (obtido pela soma do tempo utilizado em sua produção, dos insumos, matéria prima e encargos) cuja margem de elasticidade é determinada em parte pela concorrência, mas principalmente pelo poder e disponibilidade de compra do público visado, fruto da experiência e da vivência que o uso, a proximidade, a contemplação ou fruição que aquele produto proporcionou.
Os consumidores de maior poder aquisitivo, e de maior grau de compreensão/inclinação cultural para o artesanato, a arte popular e o design vernacular, público mais disposto em adquirir produtos de preço mais elevado, não são os freqüentadores habituais das feiras artesanais e lojas de souvenir. Para alcançá-los é necessário uma mudança de estratégia. Trata-se de procurar ir até onde estão, e não esperar que venham até você.
Como fazer isso?
Separando-se da manada, buscando um espaço ou nicho específico que esteja em conexão direta com esse público culturalmente mas exigente. Entrando em seu "habitat", fixo ou provisório, como algo que tem uma história para contar, ou uma emoção para relembrar.
Fazendo parte integrante dos espaços interiores das pousadas e hoteis, dos restaurantes temáticos,das residencias oficiais e dos formadores de opinião.
Fazendo parcerias estratégicas na comercialização, com estes mesmos fornecedores de serviços exclusivos. Como dizem os arqueiros: É mirando (e pensando) mais alto que se acerta o alvo. E o preço se determina de trás para frente. Ou seja,avaliando o quanto vale no mercado a diferença que meu produto possui?
__________ Veja o artigo: "Como calcular o preço de venda de um produto artesanal"
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