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4 de junho de 2015
Oficina Criativa Design + Gastronomia + Artesanato
Conceito norteador dos projetos
A proposta é promover o entrelaçamento de três atividades da economia criativa. O design intervindo na gastronomia, gerando trabalho e estimulando a demanda de produtos e utensílios artesanais, que produzidos localmente internalizam renda na comunidade.
Como cada alimento tem uma história, uma origem, e uma forma de preparo que pode mudar de uma região para outra, entender essas diferenças e, em suas singularidades, descobrir o repertorio emocional das pessoas, e deles extrair valor, é o desafio proposto.
Não se trata da tendência defendida pelo movimento do “Food Design” onde é a experiência no ato de comer é o foco de sua preocupação. Nem tampouco projetar embalagens de produtos alimentícios, conm cara do lugar, ou ainda, intervir na própria forma dos alimentos, como desafio artístico.
O que buscamos será unir os saberes tradicionais das cozinhas com aquele presente nas oficinas artesanais. O sabor de uma soma de saberes, que toca não somente o palato, mas a alma das pessoas.
Cada prato da culinária remetendo a um determinado tipo de sensação e prazer. A uma lembrança, no tempo e no espaço. Cada prato com uma uma linguagem formal e simbólica, que o distinguiam e o coloquem em valor. Dotado de estímulos táteis e visuais capazes de provocar um maior entendimento do valor da experiência presente no ato de alimentar, não somente o corpo, mas também o espírito. Com saúde, prazer, cultura e emoção.
Resultados esperados
Novas coleções de produtos relacionados com os principais pratos da culinária de Santa Catarina, tais como: travessas, vasilhames, utensílios e complementos de mesa, na forma de coleções, cuja produção seja preferencialmente local e sua adoção pelos restaurantes comprometidos com o projeto “Florianópolis – Cidade UNESCO da Gastronomia”.
Dotar os pratos de uma referencia simbólica, relacionada com a história ou a cultura do lugar, ampliando a percepção de seu valor.
O que se espera são artefatos que proponham uma solução relacionada com sua cultura de origem, estimulando a preservação de hábitos e tradições, porém aberta ao novo, as experimentações que enriquecem e ampliam o repertorio cultural.
1 de junho de 2015
Viagem à terra do sol nascente
Fomos a Kanazawa com dois propósitos. Participar ativamente da primeira reunião anual das cidades criativas e apresentar a proposta de sediar essa reunião em 2017. Um grande desafio. Uma meta ambiciosa a perseguir. Uma forma de demonstração da capacidade de agir proativamente, requisito para uma cidade ser criativa.
A expressiva participação da comitiva de Florianópolis que contava com a Secretaria Municipal de Turismo, o Presidente da Assembleia Legislativa do Estado e o Presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE SC, era uma clara demonstração da solidez do programa e do compromisso conjunto do poder público e iniciativa privada.
Durante a reunião plenária quando se debatia as contribuições da RMCC às comemorações dos 70 anos da UNESCO, sugerimos que as cidades criativas da gastronomia participassem do evento de abertura da Assembleia Geral em Paris. Por aclamação foi decidido que Florianópolis coordene esse projeto e a cidade de Östersund organize uma mesa redonda sobre o tema.
Esta é a maior oportunidade que Florianópolis poderia aspirar. Ser conhecida pelos chefes de Estado e Ministros de Cultura de mais de 150 países, na sede da UNESCO em Paris, com um espaço próprio de promoção como destino qualificado.
Em paralelo a esse desafio temos cinco meses para elaborar um projeto para sediar a reunião anual de 2017. Uma proposta que será avaliada e votada por todas as demais cidades da rede. Deverá conter uma sugestão de temário e demonstrar a infraestrutura disponível para o evento.
Florianópolis está disputando essa indicação com outras três cidades, cada uma com seus méritos. Nassau (Bahamas), Inghein-les-bains (França) e Fabriano (Itália).
Argumentamos que vir o evento para a América do Sul amplia a visibilidade da rede em uma região do mundo ainda com poucas cidades certificadas, além do fato de Florianópolis dispor de infraestrutura de qualidade e experiência na realização de eventos de grande porte, sendo designada capital do Mercosul.
A escolha final da cidade que sediará esse evento será feita pela diretora geral da UNESCO entre os meses de janeiro e fevereiro de 2016, após recebimento das consultas feitas às 69 cidades da rede mundial. Por esta razão a participação de Florianópolis em Paris, no mês de novembro, assume importância estratégica nesse processo. Do mesmo modo as atividades desenvolvidas pelo Núcleo de Inovação Cultural e do Observatório da Gastronomia são provas da capacidade de liderar projetos inovadores.
Caso Florianópolis ganhe a possibilidade de organizar a reunião de 2017, a cidade não apenas terá entrado para o mais seleto grupo que qualquer cidade do mundo desejaria fazer parte. Mais que isso, estaria trazendo toda a rede para dentro de si. E com ela convênios e acordos de cooperação além da visibilidade planetária.
A viagem ao Japão teve também outro beneficio adicional. Conhecer de perto o grau de desenvolvimento e de civilidade que chegaram, servindo de parâmetro e de inspiração para os que pensam o futuro das cidades.
As possibilidades de incremento da cooperação técnica e do intercâmbio com outras cidades criativas fazem parte de uma dinâmica já iniciada. Visitas técnicas realizadas ou programadas para estimular outras cidades a aderirem à RMCC além da confirmação da participação de designers da Argentina, Colômbia, Espanha e México que virão á Florianópolis para colaborar no desenvolvimento do projeto “Saberes e Sabores de Santa Catarina” em julho deste ano, são os primeiros frutos desse esforço.
20 de novembro de 2014
Florianópolis Cidade da Gastronomia
Florianópolis deverá receber até o dia 30 de novembro a certificação de Cidade UNESCO da Gastronomia. Distinção que agrega valor como destino turístico qualificado. Representa o ingresso a uma espécie de clube cujo compromisso é a cooperação mútua, intercambiando ideias, projetos e pessoas, constituído pelos integrantes da Rede Mundial de Cidades Criativas.
Foram cinco anos de persistentes esforços na busca de informações e parcerias compromissadas com um projeto de futuro. Essa certificação da UNESCO, se concedida, deverá em parte aos projetos e ações propostas, dentre elas a criação do Observatório da Gastronomia, cujo modelo de atuação e pioneirismo no Brasil, será construído pela inteligência local. Em parte pela opinião de especialistas internacionais, que contratados pela UNESCO, visitam as cidades candidatas. Em função de seus pareceres é concedida a certificação pretendida.
Em que pese algumas constatações negativas, cujos exemplos podem ser o fato de um importante restaurante da cidade, com gastronomia de qualidade, não aceitar pagamento com cartão de crédito. Ou a defasagem entre preço e qualidade da culinária, ou dos serviços, na maioria dos estabelecimentos da cidade. Ou lembrar que a mão de obra ocupada na gastronomia estimada em 35.000 pessoas, 30% dela trabalha somente na temporada, segundo dados do sindicato patronal.
Em contrapartida cresceram os exemplos bem sucedidos, de empresários que apostaram na tradição com a contemporaneidade. Na qualidade da culinária com um preço acessível. Alguns exemplos: o Restaurante Rita Maria, do chefe Narbal ou os produtos do “terroir” como os vinhos de altitude, as cachaças Premium e as cervejas artesanais que já são um patrimônio cultural e econômico.
Em Florianópolis a produção de maricultura e a pesca artesanal, base da alimentação local, agora são acrescidas de uma produção hortifrutigranjeira orgânica em todo seu entorno. Restaurante do tipo km zero, abastecido de seus insumos essenciais em seu entrono imediato já podem ser realidade.
Essa certificação se deve, principalmente, a articulação inédita entre setor público, academia e iniciativa privada, capaz de estrutura e propor um projeto possível, desejável, factível e compromissado com um futuro sustentável, socialmente justo, culturalmente responsável.
Independente dessa certificação Florianópolis deve se imbuir do espírito de uma cidade criativa, privilegiando o talento e a inovação, a qualidade em detrimento da quantidade, a cooperação ao invés da concorrência predatória. São novos desafios que exigem uma mudança cultural, acostumada a explorar o turista e não o turismo.
16 de julho de 2010
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