27 de abril de 2012

Capacitação institucional - Um desafio para as modernas organizações

As instituições públicas, assim como as empresas privadas, necessitam preparar as pessoas que serão vitais para seu futuro. A educação é a base de qualquer mudança e a ausência ou falência dela significa estar atrelado às velhas práticas e conceitos. Educar ou preparar os indivíduos para novos desafios é uma mudança cultural que exige tempo e disposição não sendo uma atribuição exclusiva da família ou da escola. 

O primeiro desafio em educar é saber que tipo de futuro se aspira, tendo a clareza e a consciência de suas implicações. Um futuro que valorize as inteligências individuais e as fortaleça pela multiplicação de vínculos de cooperação, ampliando com isso a inteligência coletiva, passa por novas técnicas, ferramentas, métodos e processos, totalmente diversos daqueles que hoje dominamos. De acordo com as teorias sobre o crescimento exponencial da cultura cientifica e tecnológica, cada ano para frente representa, em termos de avanços, o mesmo gradiente que nos separa de cinco anos atrás. Portanto, dentro de dez anos os produtos e serviços com os quais estaremos lidando com eles cotidianamente hoje sequer foram inventados.

Do mesmo modo, as mudanças culturais serão igualmente profundas, pois a inovação é um conceito que se espalha em todas as direções, com a força sedutora presente naquilo que até então não existia, criando novas necessidades e dependências. Contudo, mudar hábitos arraigados não é uma tarefa trivial, sobretudo quando os indivíduos usam seu conhecimento e informação para se manterem na zona de conforto das velhas práticas.

Um futuro de oportunidades iguais, que aceite e valorize as diferenças culturais entre os povos, que promova a paz e a justiça social, onde o equilíbrio entre o bem estar coletivo e meio ambiente seja compatível, é a única forma de sobrevivermos como espécie humana.

Para isso precisamos não somente de cientistas, pesquisadores e tecnólogos, mas principalmente de indivíduos que além de seus conhecimentos fundamentais e específicos para o desenvolvimento possuam visões amplas, generosas, criativas e libertárias das formas e modelos de organização da sociedade.

Mentes criativas necessitam de espaços de trabalho e de convívio que promovam os valores acima descritos e, principalmente, de formas, modelos, projetos, programas e estratégias de capacitação que considerem estas visões como competências essenciais e que sobre elas sejam formuladas. 

Períodos destinados à capacitação deveriam ser não apenas uma oportunidade, mas um direito de todos os servidores e funcionários, e quanto menos burocratizados forem, quanto mais liberdade de escolha permitirem, melhores serão os resultados. O simples viajar nos faz acumular uma riqueza de experiências cuja importância é complementar àquela que se possa obter em um processo tradicional de transmissão de conhecimento por meio de cursos presenciais.

Assim posto, defendo com convicção a necessidade, a oportunidade e a importância das instituições e empresas criarem programas de capacitação continuada, que crie momentos e espaços de reflexão e de ócio criativo, estimulando a inovação, que necessita de novos ares e horizontes para sua oxigenação permanente. Significa também simplificar os procedimentos que permitam o usufruto deste beneficio, e não complicá-lo atando-o com normas rígidas e entraves burocráticos, na contra-mão das modernas práticas gerenciais.

Isto significa, ainda, dotar os “programas de capacitação institucionais” de recursos instrumentais, econômicos e humanos a altura do desafio proposto e, em um nível hierárquico próximo da alta gerência, em perfeita sintonia com o planejamento estratégico, com gestores com capacidade cognitiva para olhar além das fronteiras herméticas das estruturas existentes, pois são estes os ambientes onde o futuro das organizações é desenhado.



13 de abril de 2012

O acaso favorece as mentes conectadas