Mostrando postagens com marcador economia criativa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador economia criativa. Mostrar todas as postagens

4 de dezembro de 2018

Abertura da Feira Internacional de Economia Criativa em João Pessoa


Há um ano atrás João Pessoa foi reconhecida pela UNESCO como Cidade Criativa do Artesanato e da arte popular. Esse reconhecimento foi fruto de um trabalho de pesquisa e de prospecção sobre as vocações, potencialidades e visões de futuro para a cidade, aportada por seus dirigentes e representantes de instituições públicas, acadêmicas e da sociedade civil.

Ao conceder esse titulo para João Pessoa, a UNESCO reconheceu o esforço realizado nos últimos cinco anos em projetos de importância e impacto social, como é o caso do Programa João Pessoa Artesã, idealizado e conduzido pela primeira dama Maisa Cartaxo.

O dossiê apresentado na candidatura da cidade apontava os ativos culturais existentes nas duas esferas de poder; o potencial da cidade como pólo de escoamento de uma produção artística rica e diversificada, fruto de anos de trabalho realizado pelo Programa Estadual de Artesanato, mas também, e sobretudo, as propostas e compromissos para os próximos cinco anos. Estas propostas incluiam a criação de uma infraestrutura de equipamentos contemplando todo a criação, a produção e a comercialização de uma oferta nova, diversificada e culturalmente comprometida de bens simbólicos, em especial, de um artesanato qualificado. A criação dessa nova oferta seria de responsabilidade do Laboratório de Inovação Cultural; a produção na Fábrica Social de Artesanato e a comercialização e promoção no Celeiro Criativo, inaugurado em janeiro desse ano sob a responsabilidade de Lucia França e sua dedicada equipe. 

São três equipamentos inovadores, impactantes e reproduzíveis em outras cidades, razão de ser da Rede Mundial de Cidades Criativas, que é o compartilhamento das melhores práticas, a cooperação e o intercâmbio. Exemplo prático dessa cooperação já iniciada são os projetos “Saberes e Sabores da Paraiba” e “Cartografia das Singularidades Culturais” ambos realizados com o imprescindível apoio e patrocínio do SEBRAE Paraiba e coordenados por especialistas de duas cidades criativas do design: Cidade do México e Puebla, respectivamente Carlos Alvarado e Mariana De La Rosa, ambos presentes nessa solenidade.

Ao contemplar um ano de pertencimento a Rede Mundial de Cidades Criativas, João Pessoa vem cumprindo e superando os compromissos pactuados com a UNESCO. Propôs e realizou o primeiro Encontro das Cidades Criativas do Brasil e, fazendo-se presente, por sua autoridade municipal máxima o Prefeito Luciano Cartaxo, na reunião anual na Polônia, demostrando assim seu compromisso com a UNESCO e sua visão de futuro, resumidos em dois videos bilíngues.

João Pessoa esteve presente também  no XI Encontro Iberoamericano de Artesanato, em San Miguel Allende no México e na Assembléia do Conselho Mundial de Artesanato, em Montevideu, onde a Paraiba obteve três dos quatro prêmios concedidos ao Brasil como reconhecimento da Excelência Artesanal nos países do Cone Sul, outorgados  à Mestre Valentin, Joca dos Galos e Redes Santa Luzia.

Todas essas ações foram fruto da sintonia de ideias e propostas apresentadas e debatidas no grupo gestor do Programa João Pessoa Criativa tendo a sua frente o incansável trabalho da Focus Point Marielza Rodrigues do Sebrae.

Para fechar com chave de Ouro esse primeiro ano de atividades como Cidade Criativa do Artesanato,  João Pessoa realiza com esse evento, que hoje se inicia, prova de sua capacidade de articulação multi-institucional. A aliança de esforços e recursos financeiros aportados, em especial pelo Sebrae, Prefeitura, UFPB e Instituto Federla de Educação, mas também, os recursos humanos e institucionais aportados pela Universidade Federal de Campina Grande, Unipê; Federação das Industrias, Senai, Sesc e Fecomercio, foram fundamentais e sem os quais esse evento não teria sido possível.

Parenteses especial deve ser feito ao papel estratégico do SEBRAE PARAÍBA em todo esse processo, parceiro desde a primeira hora, em especial à Regina Amorim e toda a diretoria executiva que souberam captar esse novo “espirito do tempo” de colaboração e aposta na inteligência e na criatividade como os ativos fundamentais para o desenvolvimento sustentável. Conseguiram com o SEBRAE Nacional o aporte de recursos que viabilizaram a realização desse evento e já garantiram recursos para a realização de outra Feira no próximo ano, bem como ações para o desenvolvimento de negócio criativos nos segmentos da múcica, audovisual, design, Startups digitais, tecnologia da informação e comunicação.

A Primeira Feira Internacional de Economia Criativa foi pensada, desde o principio,  para ser acolhida na Estação Cabo Branco, esse grandioso equipamento púbico dirigido com competência por Marianne Góes e sua equipe, cujo suporte técnico e operacional é de um valor não dimensionável.

A feira estará aberta de terça à sábado, das 14 às 21 horas, recebendo em seus espaços o melhor do artesanato, do design, do cinema, da música e da gastronomia. Para cada um dessas áreas, hoje conhecidas como Indústrias Criativas, teremos um salão. São eles: Salão Internacional do Artesanato, coordenado pelo SEBRAE e pelo Programa do Artesanato Paraibano com a curadoria de Lu Maia, além da presença do Celeiro Criativo mostrando o que de melhor a Paraiba produz na arte popular e no artesanato. O caráter internacional do Salão  está na presença do artesanato do Chile, Colômbia, Equador,Peru e México com destaque ara a presença das cidades de Querétaro e San Cristobal de las Casas, cidade UNESCO do Artesanato.
O Salão do Design, com a realização da primeira edição do Prêmio de Design da Paraíba, ficou sob  a responsabilidade dos coordenadores dos cursos de design da Paraíba, representados pelo Professor Kleber Barros da UFPB. O Primeiro Salão de Design realizada na Paraiba foi pensando como modo de revelar os novos talentos e divulgar os melhores projetos aproximando assim a oferta com a demanda de design. Os prêmio serãp conceidos pelos votos de um juri técnico e o voto dos visitantes.
O Salão da Música, em sua oitava edição, coordenado por Rivaldo Dias, programou diversos shows e oficinas criativas explorando a música como linguagem identitária.
O Salão Internacional do Cinema, com a exibição de filmes de todas as cidades criativas do Cinema da UNESCO, além de uma excepcional produção local. Esse Salão, coordenado pelo professor João de Lima, da UFPB, somente foi possível graças a colaboração da Cidade de Santos, Cidade Criativa do Cinema, e que será sede da reunião Anual da Rede da UNESCO em 2020, com um especial agradecimento a focus point Niedja dos Santos.
Somado-se a esses alimentos para a alma, teremos também alimentos para o corpo, com a Salão da Gastronomia, coordenado pela Professora Marisete Fernandes de Lima, da UFPB e da Feira de Agricultura Familiar coordenada pelo IFPB/FUNETEC, assessorados pelo consagrado chef Onildo Rocha.

Na retaguarda, para que tudo isso fosse possivel, contamos com o trabalho entusiasmado,  competente e voluntário de dezenas de pessoas, representadas por duas delas: Debora Carvalho e Daniel Rendón.  

Agradecemos a presença de nossos convidados internacionais representados por Manoel Ernesto, da Rede Defacto da Colômbia; Ines Maré, da Fábrica de Design da Argentina; Patricia Bellon da Empresa Etniko da Espanha, Karina Trejo Acuña diretora do Programa de Artesanato do Estado de Queretaro no México, de Indrassen Vencatachelum Presidente da RIDA Rede Internacional para o Desenvolvimento do Artesanato com sede na França e de Antonio Betolaza, Presidente do Conselho Mundial de Artesanato para a América Latina.

João Pessoa cumpre, com a realização dessa Feira, um de seus compromissos com a UNESCO, e aponta um caminho que pretende seguir. O caminho do desenvolvimento sustentável, pautado na capacidade humana de superação de seus problemas com inteligência e criatividade. Mais que opção de sobrevivência para a espécie humana, o desenvolvimento sustentável deve ser equitativo, socialmente justo, culturalmente diferenciado e economicamente viável. Um  compromisso inalienável com as gerações futuras.

Em nome da organização desejo à todos uma boa Feira, boas compras, bons negócios e bons momentos de amizade, lazer e cultura.





4 de junho de 2018

João Pessoa lança na Polônia a Feira Internacional da Economia Criativa

Dentro de uma semana começa na Polônia a Reunião Anual da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO, com a estreia de João Pessoa neste seleto grupo de 180 cidades de todo o mundo, representada por seu Prefeito Luciano Cartaxo, pelo Secretário de Comunicação Josival Pereira e o Diretor do Centro de Línguas Estrangeira Jonathan Vieira. Acompanho o grupo como consultor e coordenador dos projetos pactuados pela cidade quando de sua candidatura.

10 de março de 2015

A Economia Criativa como uma janela de oportunidades para a eventos - Palestra Cocal 2015 - Brasil

No último relatório sobre a Economia Criativa publicado em 2014 pela UNESCO e PNUD ficou constatada que a criatividade e a inovação, tanto individual como coletiva, são os motores fundamentais dessa industria emergente e a verdadeira riqueza das nações.
A Economia Criativa, expressão que abarca setores antes dispersos nas políticas publicas, capazes de gerar conteúdos e conhecimentos, que vão desde as distintas formas de arte, artesanato, arquitetura, design, moda, musica, meios de comunicação, softwares e games, dentre outros, são os que mais tem crescido nos últimos anos, não somente na geração de trabalho e renda mas também contribuído para um desenvolvimento mais harmônico, sustentável, culturalmente rico e socialmente justo.
O desafio que se impõe é estimular e promover a criatividade em todos os segmentos da sociedade, afirmando as distintas identidades culturais dos lugares onde se prospera e se agrupa, melhorando a qualidade de vida, a imagem e o prestígio local, propiciando assim atrair e manter capital intelectual e financeiro de qualidade.
Os especialistas mundiais que contribuíram na elaboração deste relatório da UNESCO apresentaram provas concludentes que a vanguarda do crescimento e da inovação contemporânea está formada por setores, tais como a indústria de alta tecnologia, a fabricação neo-artesanal, os serviços financeiros e empresariais e as indústrias culturais, que apesar da recessão mundial foram aquelas de maior crescimento.
O termo economia Criativa foi popularizado em 2001 pelo escritor e gestor de meios de comunicação britânico, John Howkins que o aplicou em 15 setores industriais, indo das artes passando pela ciência e tecnologia. Segundo seus cálculos esta indústria representava 2,2 trilhões de dólares.
Pesquisas da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam uma participação de 7% de bens e serviços culturais no PIB mundial, com crescimento anual previsto em torno de 10% a 20%. No Brasil, o crescimento médio anual dos setores criativos (6,13%), portanto bastante superior ao aumento médio do PIB nos últimos anos.
Em 2004 a UNESCO criou a Rede Mundial das Cidades Criativas – RMCC tendo por objetivo revelar e divulgar as experiências bem sucedidas de cidades que promoveram seu desenvolvimento pelo estímulo e promoção de setores mais expressivos de sua indústria cultural, contribuindo para a circulação e o intercâmbio de pessoas e idéias.
A Rede conta hoje com 69 cidades dos cinco continentes, certificadas em uma das sete categorias estabelecidas pela UNESCO: Arte popular e artesanato, artes digitais, Cinema, Design, Gastronomia, Literatura e Música.
Desde dezembro passado duas cidades brasileiras tiveram suas candidaturas aprovadas para inclusão na RMCC: Curitiba Cidade UNESCO do Design e Florianópolis Cidade UNESCO da Gastronomia.
Este reconhecimento se deu não somente pelos aspectos positivos e atendimento das condições exigidas, tais como: a existência de expressiva produção e demanda, pesquisa e desenvolvimento setorial, formação de recursos humanos e realização de eventos de expressão internacional na área pretendida, mas também pelas visão e promessas de futuro, traduzidas em um conjunto de projetos e atividades previstas para serem realizadas no curto, médio e longo prazo.
Em Florianópolis, este esforço foi coordenado pela Associação FloripAmanhã, contando com o apoio da Prefeitura Municipal, SEBRAE, ABRASEL, sindicatos e instituições de ensino. Merece destaque a proposta de criação do Observatório da Gastronomia e do Laboratório de Inovação Cultural, ambos projetos inéditos que somados aos eventos previstos atrairão a visita de especialistas e chefs de renome internacional colocando Florianópolis como uma das principais protagonistas da Rede Mundial de Cidades Criativas.
As cidades quando inseridas nessa Rede Mundial ganham projeção e visibilidade como destino turístico qualificado, demandando a organização de dezenas de eventos contemplando toda a cadeia de produção. Feiras de produtos e serviços, Festivais gastronômicos, Congressos científicos apresentando resultados de pesquisas e desenvolvimento de novos produtos, Seminários e workshops técnicos apresentando o estado da arte, são entre outros, janelas de oportunidades demandas pelas cidades criativas.
Estes eventos não são um fim em si mesmo. São sinalizadores de futuro, inicio de uma nova caminhada. Indicam novos rumos, tendências, demandas latentes e potenciais revelados. Os eventos devem ser vistos como aglutinadores de pessoas e ideias, capazes de criar sinergia, estabelecer e consolidar redes de relacionamento. São momentos únicos que podem ser potencializados quando inseridos em uma estratégia de desenvolvimento regional.
No Brasil as políticas públicas de estimulo e promoção da economia Criativa ainda são bastante modestas, com destaque para a criação em junho de 2012 no âmbito do Ministério da Cultura a Secretaria da Economia Criativa, que elegeu cinco grandes áreas de atuação:• Patrimônio (materiais e imateriais, museus e arquivos); • Expressões culturais (artesanato, artes visuais, culturas afro, indígena e populares);• Artes e espetáculo (dança, música, circo e teatro);• Audiovisual, livro e literatura (cinema e vídeo, e publicações);• Criações funcionais (moda, arquitetura, design e arte digital). Durante dois anos foi elaborado um ambicioso programa de trabalho denominado de Brasil Criativo, cujos planos, projetos e ações ainda não saíram, em sua maioria, do papel. Deste esforço ficou, contudo, a constatação do enorme potencial ainda pouco explorado que a Economia Criativa representa para o país, aguardando tão somente que as forças vivas da sociedade tomem em suas mãos a iniciativa de promovê-las.
Exemplos não faltam para demonstrar a importância de cada cidade revelar sua vocação, utilizar de seu potencial de mobilização e o desejo e aspirações de seus habitantes. Desde uma festa celebrando o aniversário da cidade atraindo de volta seus habitantes que imigraram em busca de novas oportunidades, mas que nunca se esqueceram de suas raízes, passando pelas festas religiosas ou festivais que se utilizam das expressões e vocações locais, são momentos de confraternização, mas também oportunidades de investimentos.
Parintins, com seu Festival folclórico; Blumenau com a Oktoberfest, Tiradentes com o Festival Gastronômico, Guaramiranga com o Festival de Jazz, Campina Grande com os festejos de São João, Gramado com o Festival de Cinema, Paraty com o Festival Literário, são apenas alguns exemplos de iniciativas bem sucedidas que colocaram estas cidades no mapa mundial de destinos turísticos diferenciados.
Mais do que uma janela de oportunidades para as empresas promotoras de eventos a Economia Criativa é uma nova forma de visualizar um futuro com menores impactos ambientais, com maior respeito pela diversidade cultural e pela valorização de nosso único e inalienável patrimônio que é nossa inteligência e capacidade criativa.
Para concluir gostaria somente de lembrar que as novas tecnologias que permitem a organização de ventos com a presença virtual dos palestrantes através de portais holográficos, embora sedutoras, sensacionais e praticas no sentido de viabilizar a participação de personalidades de difícil locomoção física, jamais substituirão a presença humana que propicia a troca informal de conhecimentos e experiência.
Os eventos, mais do que momentos de transmissão de ideias, novos conhecimentos e informações estratégicas são oportunidades impares para criar e estreitar laços de amizade e de cooperação, que viabilizam o novo paradigma do século XXI que a construção compartilhada de um futuro possível e desejável para todos.

9 de dezembro de 2013

Arte popular, artesanato, manualidades - Novos paradigmas



Arte popular, artesanato, manualidades e industrianato são conceitos ultrapassados pela realidade. As fronteiras conceituais não foram suficientes para dar conta da diversidade de expressões estéticas e visuais existentes hoje no comercio de bens simbólicos.

A análise tátil e visual de um produto não é suficiente para classificá-lo e atribuir um valor. É preciso conhecer suas origens, matérias primas e técnicas utilizadas, habilidades e conhecimentos requeridos na sua realização. Essa informação é uma nova exigência desse mercado para aqueles que promovem e comercializam, sejam lojas especializadas de artesanato, galerias de arte ou feiras comerciais.

O que esse mercado busca hoje? Peças únicas, de valor artístico inquestionável, que podem ser fruto de um indivíduo de baixa escolaridade e distanciado da sociedade de consumo urbana ou de alguém com formação artística acadêmica superior. Tanto faz. A originalidade e a inovação que convivem e dialogam com a tradição e as raízes culturais são os paradigmas de um desenvolvimento sustentável e socialmente responsável. Não importa de nem onde e nem em que condições emergem.

Do mesmo modo, a ruptura das fronteiras entre aquele que cria, para seu prazer ou para seu sustento, ou daquele que cria para aquele que produz, deveu-se a em grande parte a inserção do design nas unidades de produção artesanal, introduzindo técnicas e métodos próprios do processo de criação. Desapareceram as figuras do artista popular e do artesão, fundidos em um só individuo, capaz de criar e de reproduzir com pequenas variações os modelos originais. 

Restringir o acesso ao mercado, ou determinar o valor comercial de um produto apenas por uma análise acadêmica, é hoje impensável.  O mercado consumidor de bens simbólicos já está amadurecido para discernir o que é bom daquilo que é apenas belo.Bom e belo, dois conceitos que comportam imensas considerações. Pessoalmente penso que o belo é fruto do equilíbrio e da harmonia dos elementos, já o bom é aquilo que inova, surpreende, instiga a reflexão e traz o encantamento e o frescor de algo novo, porém referenciado em tempo e lugar.

21 de agosto de 2012

Economia Criativa e turismo rural


Resumo da palestra apresentada no 20º Agrinordeste
Recife 23 de agosto de 2012

Para entender melhor o conceito de Economia Criativa é mais fácil fazê-lo em oposição com a Economia Tradicional.

Na economia tradicional a valor das coisas é tangível, é visível, existe no mundo físico e sua exploração é que gera a riqueza.  A terra e os mares com seus insumos naturais tais como a fauna, a flora, os minerais, o gás, o carvão e o petróleo permitem através de seu processamento ou exploração obter alimentos, energia e produtos. Na economia tradicional os recursos são finitos e se não forem renovados se esgotam com o tempo. Os produtos e processos da economia tradicional causam impacto ao meio ambiente, poluem a terra, o ar e os oceanos. 
Nos últimos 20 anos foram incorporados ao mercado global mais de 1 bilhão de novos consumidores. Se todos aspirarem o mesmo padrão e qualidade de vida dos norte-americanos seriam necessários recursos equivalentes a sete vezes os disponíveis na Terra.
A sustentabilidade da vida no planeta requer mudanças no padrão de produção e consumo para bens e serviços cada vez mais intensivos em conhecimento e menos absorvedores de recursos naturais. 
O desafio que se coloca hoje é produzir com mais inteligência e menos matéria.  

A economia criativa foi a expressão cunhada para designar as atividades geradoras de riqueza que utilizam como insumo fundamental a inteligência, a criatividade, contribuindo assim para o desenvolvimento sustentável, e inclusivo, de uma determinada região.
Na economia criativa o valor das coisas é invisível, somente sendo reconhecido quando se revelam os frutos da inventividade humana, gerando riqueza através de produtos e serviços que levam em consideração a valorização da cultura, o respeito ao meio ambiente e atenção às necessidades da sociedade.

Os segmentos contemplados pela Economia criativa são todos aqueles que dependem do conhecimento, da inteligência e da experiência, tais como: a música, a literatura, o teatro, o cinema, a televisão, o circo, a gastronomia, a arte e o artesanato, a moda, os softwares, a propaganda, a arquitetura e o turismo.

Os dados sobre a participação destes segmentos na formação do PIB são ainda imprecisos. Estima-se que respondam por mais de quatro milhões de empregos no Brasil, gerando uma receita de cerca de 170 bilhões de dólares por anos ou aproximadamente 7% do PIB Brasileiro.  

O comércio mundial de bens criativos aumentou de 205 bilhões de dólares para US$ 407 bilhões em 2008, com um crescimento médio de 11.5% no período 2002 a 2008. O maior segmento exportador dos Estados Unidos é a indústria cinematográfica. 85% dos filmes exibidos em todo o planeta são de Hollywood gerando uma receita de 60 bilhões de dólares por ano. .

Contudo isso são apenas projeções, pois a imprecisão das informações sobre a Economia Criativa é um reflexo da novidade dessa abordagem, sendo necessário agora sair do geral para o particular, abrindo os dados setoriais disponíveis e deles separar as informações úteis, atuais e confiáveis transformando-as em insumos estratégicos para o planejamento setorial.

De acordo com a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) “As indústrias criativas compreendem os ciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam a criatividade e o capital intelectual como principais insumos. Incorporam um conjunto de atividades baseadas no conhecimento, que produzem bens tangíveis e intangíveis, intelectuais ou artísticos, com conteúdo criativo e valor econômico”  

A Economia Criativa é a “bola da vez” pois descobre-se a importância de seu potencial para: favorecer o empreendedorismo; gerar emprego e renda mantendo e fixando o homem no campo; gerando tributos e impostos; atraindo indústrias e trabalhadores qualificados; alimentando a economia do turismo; realçando as tradições e história locais; promovendo a inclusão social e o reforço da cidadania e promovendo a diversidade e a tolerância.

Os segmentos que compõe a Economia Criativa eram vistos pelo Estado Brasileiro através de diversas óticas, relacionadas às distintas instancias de poder e de importância.

As formas mais comuns de expressão artística eram da esfera do Ministério da Cultura; Arquitetura do IPHEA; o artesanato, o design e moda pelo Ministério da Indústria e Comércio; Os softwares e games pelo Ministério da Ciência e Tecnologia a o Turismo como um Ministério próprio. 
O conceito de Economia da Cultura ao agregar esses setores que vivem da habilidade e do talento individual descobre uma sinergia entre eles capaz de criar um novo ciclo virtuoso de desenvolvimento com inclusão e responsabilidade para com a geração atual como para as futuras. 

A dinâmica própria desses setores faz com que alguns sejam mais percebidos e valorizados mais que outros. Um deles é o turismo. Que contudo necessita de infraestrutura adequada (transporte e  saneamento); produtos e serviços de qualidade; mais profissionalismo e especialidades e de definir melhor o público-alvo.
  
Durante muitos anos o Governo Brasileiro apoiou e priorizou, direta ou indiretamente, o turismo de massa e os destinos mais conhecidos. A riqueza de nossa diversidade natural e cultural somente há poucos anos comoçou a ser explorada.
A criação dos roteiros culturais é uma das alternativas que precisam ser mais bem trabalhadas para atrair um turismo mais qualificado, mais vivencial, menos impactante.

O turismo vivencial que engloba os segmentos do turismo cultural, ecoturismo, turismo rural é turismo de aventura é o dos novos empreendedores com visão de futuro e dos gestores públicos a partir da percepção que esse é o turista que viaja para aprender, e não para comparar, que respeita e valoriza a cultura alheia. Viaja para viver uma experiência e não para cumprir uma obrigação ou apenas consumir.

O turismo rural é uma nova janela de oportunidades que deve ser trabalhada simultaneamente pelo poder público e pela iniciativa privada. É preciso oferecer capacitação em todos os níveis para as profissões e atividades específicas requeridas em cada destino turístico.
As principais características do turismo rural são:
  • Contato com a natureza e com as práticas e tradições rurais e locais;
  • Estabelecimentos que refletem a forma de ser e de viver no campo;
  • Serviços oferecidos aos visitantes pelos próprios agricultores  (passeios, visitas guiadas, atividades culturais); 
  • Meios de hospedagem com conforto, higiene e segurança e tranquilidade;
  • Predominância de pequenos empreendimentos e adaptações de antigas propriedades rurais;
  • Sazonalidade e baixas taxas de ocupação;
  • Preços acessíveis, geralmente abaixo da rede hoteleira urbana;
  • A recepção e o convívio visam intercâmbio de experiências e respeito mútuo.
Do mesmo modo é preciso cuidar (melhorar e divulgar) os produtos associados ao turismo
  • A arte popular, o artesanato e os produtos agropecuários típicos da região através de uma oferta diferenciada e relacionada com a experiência vivida, contribuindo para a geração local de trabalho e renda;
  • A produção diferenciada (viticultura, artefatos de montaria, cerâmica, etc) motivadora de fluxo turístico e vinculado à identidade local;
  • As manifestações culturais típicas do destino (Festa do Município; Festa da Padroeira; Festivais folclóricos e culturais; Rodeios, etc);
  • Os meios de hospedagem referenciados por sua qualidade e vínculos culturais com recursos humanos locais qualificados, valorizando os artistas da região e adaptando-se a agenda cultural local  
  • Os bares e restaurantes que utilizam ingredientes tipicamente locais e apresentam pratos de consumo tradicionais da região, valorizando os produtos da agricultura familiar e orgânica, promovendo a releitura da gastronomia tradicional estimulando a diversidade e realizando eventos gastronômicos.
O Design Territorial é um modo novo de abordagem sistêmica dos problemas de uma determinada microrregião, capaz de projetar o futuro desejado por seus habitantes.

As principais ações e projetos desse esforço resultam na realização de:
  • Um planejamento estratégico participativo e multidisciplinar, estabelecendo um plano de metas (saneamento, acesso, capacitação); um pacto de cooperação entre os distintos “atores” desse processo; o compromisso público (política de incentivos) e uma política de governabilidade (calendário longo prazo).
  • Uma cartografia ilustrada indicando os pontos de interesse;
  • O desenvolvimento de produtos artesanais de suporte a gastronomia regional, assim como de coleções temáticas vinculadas aos eventos mais expressivos da região.
  • A divulgação eletrônica das rotas e atrativos;
  • Um Guia dos empreendimentos turísticos de referencia cultural;
  • A Identidade da rota, do destino e dos produtos, incluindo um programa de identidade (marca, slogan, aplicações), a seleção dos pontos de interesse e o licenciamento de uso da marca.
  • Uma pesquisa que documente e explore os elementos mais expressivos da cultura material e iconográfica da região, servindo de inspiração para os artistas e empreendedores locais desenvolverem produtos e serviços identificados com sua origem;
  • A padronização e personalização do mobiliário urbano e viário;
  • Uma sinalização urbana e viária identificando os acessos aos pontos de interesse;
  • O desenvolvimento e instalação de equipamentos e serviços relacionados ao turismo rural para a prática do hipismo, arvorismo, canoísmo e outros esportes de aventura.  
Os elementos acima descritos são indispensáveis para qualificar um território criativo, como sendo aquele capaz de promover o melhor uso de seus recursos naturais, culturais e humanos, impulsionando um desenvolvimento mais justo e equitativo com melhor distribuição das oportunidades de trabalho e de renda para a população local. 
“Paisagem cultural” e “Cidades Criativas” são certificações concedidas pela UNESCO, baseada em critérios norteados pela qualidade dos vínculos existentes entre os distintos “atores” do processo de desenvolvimento local.

Espaços com estas características atraem visitantes que identificados com a qualidade de vida, com as oportunidades e condições de trabalho criativo, optam por fixarem-se no local, ampliando ainda mais a oferta especializada. 
Este espaço necessário para que a criatividade floresça, requer:
  • Recursos materiais, instrumentais e humanos qualificados;
  • Oportunidade de requalificação e aperfeiçoamento;
  • Oportunidades e liberdade de trabalho;
  • Conectividade colaborativa;
  • Apoio e estímulo à inovação.
Pesquisa realizada em 2011 junto as principais pousadas do litoral sul de Pernambuco apontaram os elementos mais valorizados pelos turistas que viajem com o foco na cultura local.
  1. Localização do empreendimento (facilidade de acesso, interesse cultural e ambiental);
  2. Arquitetura integrada à paisagem, personalizada, utilizando os recursos naturais da região;
  3. Decoração baseada nos elementos da cultura local, da arte popular e do artesanato;
  4. Gastronomia regional, com intervenções autorais valorizando os produtos da pesca artesanal, da agricultura familiar e do terroir.;
  5. Respeito ao meio ambiente e adoção de práticas ecológicas;
  6. Conforto e qualidade das instalações;
  7. Hospitalidade do atendimento com pessoal qualificado do local; 
  8.  Imagem do empreendimento planejada e baseada em elementos do repertório cultural local;
  9. Comprometimento  com a produção e agenda cultura regional, valorizando os artistas locais;
  10. Conectividade e abertura para receber públicos multiculturais;
  11. Avaliações positivas recebidas dos hospedes (booking).
Uma das conclusões é que na nova economia o importante e estratégico não é fazer mais barato, cada vez mais difícil em um mundo globalizado, mas fazer diferente.

Sugestões de projetos integrados:
  • Desenvolver novas coleções de produtos com a identidade do lugar.
  • Implantar um programa de capacitação e de relacionamento com outros polos turísticos. 
  • Lançar uma campanha promocional dos empreendimentos (selecionados) com foco no turismo qualificado e na gastronomia com denominação de origem.
  • Estabelecer uma agenda cultural comum entre os diversos integrantes do polo turístico.
  • Avançar na construção de planos estratégicos e de projetos de design territorial.
Tudo isso representa um grande desafio que necessitará da total convergência de interesses e da sinergia entre poder público e iniciativa privada.