25 de janeiro de 2012

Inovação no Serviço Público.

O Concurso “Inovação na Gestão Pública Federal” vem sendo promovido desde 1996 pela ENAP como estímulo à disseminação de soluções inovadoras em organizações do Governo Federal. Este concurso tem servido como amostragem sobre as contribuições mais destacadas para que o Estado brasileiro aumente a qualidade do atendimento e melhore a eficácia e eficiência dos serviços.

Até 2011 o concurso havia recebido 1.309 inscrições, tendo premiado 301 iniciativas, enquadradas nos seguintes grandes temas: Arranjos institucionais; Atendimento ao cidadão; Articulação de parcerias; Inclusão digital; Inclusão social; Avaliação de desempenho institucional; Estabelecimento de padrões de atendimento e serviços; Gestão da informação; Gestão de serviços gerais; Gestão de suprimentos; Gestão e desenvolvimento de pessoas; Gestão financeira e orçamentária; Implementação de melhoria contínua; Simplificação e melhoria de processos de trabalho; Planejamento e gestão estratégica.

Os temas relacionados com a gestão e desenvolvimento de pessoas estão em sua maioria relacionados com a busca pela melhoria da qualidade de vida dos servidores; métodos mais eficazes de identificação e monitoramento do grau de satisfação e eficiência no trabalho; métodos de avaliação de desempenho; gestão por competências; conformação de equipes de alto desempenho e participação, dentre outras.

Em comum, estes estudos, pesquisas e projetos experimentais estão relacionados com uma visão mais pragmática e de respeito ao servidor público, vendo-o como parte do patrimônio imaterial das instituições. Entretanto, esse capital intelectual acumulado, responsável pelo reconhecimento e sucesso das empresas públicas de maior destaque, não tem recebido ainda, em muitas instituições públicas, as atenções devidas tendo suas necessidades, expectativas e ansiedades tratadas com morosidade e descaso, fruto do excesso de burocracia e de práticas obsoletas.

Este quadro defasado da modernidade administrativa é perenizado por gestores com perfil centralizador e autoritário, com pequena inteligência interpessoal e representam o lado arcaico e retrógrado da administração pública. Infelizmente estes gestores ainda estão presentes em grande parte das empresas públicas.

A mudança do perfil dos novos gestores de RH, escolhidos por suas características e méritos pessoais, na contramão das práticas fisiológicas e políticas, está propiciando o aparecimento de métodos e ferramentas inovadoras, que emergiram com razoável sucesso em algumas empresas privadas e referendadas no ambiente acadêmico e que agora estão sendo adaptadas e aprimoradas para sua utilização no serviço público.

Enquanto no ambiente privado a meta é o incremento competitivo, os fatores a serem considerados na busca pela eficiência são aqueles relacionados com ameaças e oportunidades decorrentes das fraquezas e fortalezas das empresas concorrentes e de suas próprias.
Nas empresas governamentais o panorama é outro. No serviço público os inimigos a serem combatidos estão dentro das próprias instituições. São eles: a ineficiência resultante do desestimulo dos servidores cujas causas podem ser inúmeras, dentre elas: salários incompatíveis com as atribuições e responsabilidades; gestão autocrática; excesso de normas e mecanismos limitantes e restritivos ditadas pela burocracia e engessamento das possibilidades de inovar.

As empresas e instituições públicas devem oferecer o melhor serviço possível ao cidadão que as mantém através dos impostos que pagam e que estão embutidos em tudo que produzem e consomem. E para isso estas empresas e seus gestores devem procurar se adequar aos novos imperativos ditados por uma sociedade que aspira a igualdade de oportunidades, a justiça, a transparência e honestidade, a presteza e eficiência do serviço público.

Ser um Gestor identificado com estas exigências significa criar espaços e oferecer condições para que o trabalho se constitua, para todos, em oportunidade de crescimento profissional e pessoal, dignamente remunerado, estimulante, desafiador e criativo.

11 de janeiro de 2012

Mobilidade e outras mazelas urbanas

Trinta anos depois de ter concluído meu mestrado em Design Urbano na Suíça, tive meu diploma revalidado pela UEMG, coincidentemente no mesmo dia da entrega do Prêmio Jovem Cientista cujo tema escolhido para este ano foi “Cidades Sustentáveis”.

Desde aquela longínqua década de 70 aprendi que o grande desafio é criar condições para que as cidades possam conquistar e manterem uma qualidade de vida satisfatória para seus habitantes e para as gerações futuras.

E, qualidade de vida implica em moradias dignas; segurança; aprovisionamento de energia, água e esgoto; limpeza urbana; serviços essenciais de saúde; oferta de trabalho; espaço de laser e mobilidade.

Para me ater apenas em um ponto vital, que é a mobilidade urbana, a lista de problemas e equívocos tem sido exponencialmente maior que as soluções propostas pelo poder público, na maioria dos grandes centros urbanos, que historicamente sempre privilegiaram o uso do transporte privado em detrimento do transporte público.

Como o crescimento do número de veículos particulares não é acompanhado pelo crescimento do espaço de circulação viária, em um primeiro momento, as medidas de contenção tendem ser coercitivas, tais como a proibição ou restrição a circulação de caminhões, ônibus fretados e veículos particulares em determinados dias e horários.

Mas estas medidas nunca solucionam o problema, apenas o postergam um pouco mais. Por isso são necessários grandes investimentos em obras viárias: duplicação de pistas, faixas exclusivas, viadutos, pontes, trincheiras entre outras obras de engenharia, drenando recursos de outras áreas de interesse público.

A opção de aumentar e aperfeiçoar o espaço de circulação viário é um ciclo vicioso e equivocado, onde o aumento da frota privada sempre será maior que a capacidade de resposta do poder público que favorece o transporte individual em detrimento do coletivo.

Nas cidades brasileiras em que vivi, todas padecem dos mesmos males, fruto de um planejamento capenga e monodisciplinar, endossado pelo compromisso com o calendário político ao invés da visão de longo prazo.

As soluções para alguns problemas de mobilidade urbana, muitas vezes óbvias, não são implementadas por não interessarem a certos grupos e interesses econômicos. O que explica a inexistência de um transporte marítimo, para veículos e pessoas, entre o continente e a ilha de Santa Catarina, em seus extremos sul e norte?

Um planejamento urbano que considere todos os interesses em jogo, sejam sociais, políticos e econômicos, com o mesmo grau de importância, desloca a visão de futuro para o imediatismo e o oportunismo.

Uma cidade somente deveria ser considerada um modelo de sustentabilidade quando o foco nos problemas vindouros for a tônica do planejamento e da ação prática, respaldados no consentimento popular. Um pouco dessa prática conheci durante o breve período que estagiei na Prefeitura de Lausanne.

A metodologia de planejamento urbano na Suíça incluía uma pesquisa de origem e destino diário das pessoas, uma escuta aos desejos e necessidades de seus habitantes e visitantes e o cruzamento de dados sobre eventos futuros, que serviam como base para dimensionar a necessidade de modificação do espaço urbano e o destino da inteligência e dos recursos disponíveis.

Trinta anos depois vejo que ainda estamos longe disso.

Soluções?

A mobilização propositiva da sociedade civil organizada através de suas associações (Em Floripa destaque positivo para a atuação da Associação FloripAmanhã) é que possibilita uma agenda deslocada do calendário político.

A conformação de equipes multidisciplinares no desenvolvimento dos projetos urbanos, (ainda pouco praticada) vital para o surgimento de proposta inovadoras que sigam a cartilha da sustentabilidade.

A utilização efetiva de métodos e técnicas de verificação das necessidades e anseios da população e das vocações relacionadas a cada município.

A capacidade técnica e gerencial pára obter os recursos necessários para a viabilização das propostas e projetos mais adequados ao perfil e necessidade de cada município.

31 de dezembro de 2011

Mens sana in corpore sano

Boa parte da felicidade humana está na capacidade de não saber diferenciar o trabalho do lazer. Quando o trabalho não depende mais do esforço físico mas sim do intelectual o trabalho resume-se a pensar. E o pensamento flui com mais espontaneidade quando o corpo está relaxado e o tempo estendido, sem obrigações de prazos e horários.

É a disposição, em tempo integral, de ocupar o pensamento usando sempre a estrutura da reflexão criativa que permite o surgimento de ideias não convencionais, diferentes das propostas imediatistas originadas na premência por resultados.

Pensar não dói, diz um ditado antigo. O não pensar é alienação.
Ler um livro ou ver um filme é, no fundo, se apropriar do pensamento que outros tiveram. Contudo é bom e prazeroso quando voltamos a pensar sobre o assunto apreendido dando-lhe novo sentido a partir de nossa experiência pessoal.
Dedicar um pouco de tempo ao exercício criativo, como uma forma de lazer, é como frequentar uma academia de ginástica. A disciplina de realizar exercícios intelectuais diários é necessária para manter o cérebro ativo e em boa forma. “Mens sana in corpore sano” ("uma mente sã num corpo são") é uma famosa citação do poeta romano Juvenal.
Escolha um sujeito de reflexão que contenha um problema. Qualquer objeto, serviço ou ação pode ser melhor e mais bem concebido. Nada alcançou a perfeição. E a busca pela melhoria contínua começa pela identificação da causas e origens do problema. A partir daí o “design thinking” entra em ação. E isso serve para tudo. É um modo de refazer as coisas para que sejam melhores.

Esta forma de pensamento, especifica do design, leva por caminhos não trilhados ao encontro de propostas inovadoras, que fogem da lógica e das regras cartesianas, e constroem novas realidades. A satisfação resultante deste esforço mental é um dos tripés de uma vida feliz.

Fazer isso diariamente é o primeiro item da lista das minhas propostas para o ano novo.

27 de novembro de 2011

Melancolia - Um filme de Lars Von Trier



Se, como dizem os roteiristas, um grande filme é aquele que tem um belo começo e um final inesquecível então “Melancolia” de Lans Von Trier já seria, somente por isso, Maravilhoso.

Os quadros iniciais, em câmera ultra lenta, lembram Magritte e despertam o mesmo incômodo e admiração estética. São imagens inesquecíveis, por sua beleza plástica e carga emocional, que antecipam o filme e seu desfecho inevitável.

O filme vai muito mais além que ter um bom começo e um bom final. É bom do principio ao fim, e nos faz pensar.

Justine e Claire, as personagens principais, assumem a dimensão trágica dos acontecimentos, cada uma a sua maneira. A desesperança, a depressão e a melancolia, competem com o otimismo, à inocência e o conformismo.

Como reagiríamos diante da possibilidade eminente de desaparecimento de todas as formas de vida na terra?
Por trás deste questionamento, e de sua dimensão coletiva, a vida individual perde importância?

É o medo, é o sentimento de derrota em suas crenças e convicções ou saber que concluiu sua tarefa de mantenedor da ordem e do equilíbrio que leva Jonh antecipar sua morte em algumas horas?

Perguntas sem respostas, mas que fazem pensar, e muito.
Melancolia é um desses filmes que valem muitas vezes o valor de seu ingresso.


Em tempo: Uma semana depois que escrevi o texto acima o filme "Melancolia" conquistou em Berlim o prêmio de melhor filme de 2011 na 24º edição do European Film Awards (Prêmio do Cinema Europeu).
Nada mais justo e esperado.

25 de novembro de 2011

Fórum de Inovação das Américas - FIA/11


Em meu pronunciamento no FIA/11 retomei alguns pontos abordados na palestra de Manizales, procurando enfocar a questão da inovação sob três dimensões distintas e complementares. A dimensão cultural, a temporal e a tecnológica.

Na dimensão conceitual procurei aprofundar os argumentos que questionam o uso do design simplesmente como “ferramenta” do processo de inovação.

Entendo a inovação como sendo a absorção do mercado (ou pelas instituições) de um produto, processo ou serviço que até então inexistia. Deste modo atribuo o mesmo significado de inovação ao do design, traduzido no seguinte enunciado: “Design significa projeto, que por sua vez significa a construção de novas realidades, que significa inovação, que significa design”.

Porém, esta visão ampliada do design se fundamenta em uma abordagem holística dos problemas a serem solucionados, distanciando-se da compreensão popular do design como uma atividade cosmética, voltada exclusivamente para a fruição estética dos produtos, ambientes ou mensagens, ou no outro extremo, na visão pragmática e cartesiana do funcionalismo germânico cuja máxima é o enunciado “form follow function”. Tanto as qualidades estéticas como as características funcionais são fundamentais em um produto, mas não são as únicas e nem são o objetivo final do design.

Para contextualizar a evolução do design no mercado mundial em geral, e no mercado latino, nos últimos 50 anos, relacionei algumas das especializações que foram sendo criadas fruto de uma crescente pressão de demanda. Existem hoje centenas de especializações do design, tendência esta que deve subsistir nos próximos anos, tendo como frente de oposição a corrente que advoga o fim do design como profissão especifica e a absorção do Pensamento do Design (Design Thinking) por inúmeras outras profissões, especialmente pelas engenharias e pela administração.

Como exemplo deste argumento, que o pensamento do design pode ser aplicado em qualquer ambiente, apresentei alguns projetos de inovação na gestão pública que estamos implementando no CNPq, em especial, a Pesquisa de satisfação e eficiência no trabalho, Os Jogos Internos, O circulo da Saúde e o Passaporte Cultural.

Todos esses projetos obedecem ao fluxo metodológico denominado de Círculo da Inovação e do Design, cujo uso foi consagrado pelo SEBRAE e aplicado em alguns de seus programas. Esse modelo tem como ponto de partida a compreensão das demandas e necessidades do mercado (ou dos usuários) e as fortalezas e deficiências da oferta (ou dos concorrentes) para, somente então, iniciar o desenvolvimento de novos produtos e processos.

Na dimensão temporal, procurei relacionar os vínculos entre inovação e cenários futuros, cuja resultado será fruto de uma visão estratégica, que por sua vez orienta o gradiente de mudanças que se pretende alcançar. Mudanças incrementais ou mudanças radicais é que determinam a concretização de cenários futuros, que podem acontecer de modo simultâneo e não excludentes. Tanto cenários otimistas de fartura, abundância e de plena realização humana, quanto cenários desiguais, de escassez e sofrimento deverão coexistir no futuro, pois não existe ainda um desejo comum.

As mudanças incrementais permitem visualizar cenários prováveis pela simples projeção de da trajetória das ações e resultados pregressos. Já cenários desejáveis implicam em mudanças radicais, ou revolucionárias, na medida que estão relacionadas com mudanças comportamentais e, portanto, de ordem cultural.

O questionamento que proponho é sobre o futuro que queremos e os estilos de vida que aspiramos. Se nosso modelo de qualidade de vida é o “Americam Way of Life”, para que todas as pessoas do mundo tenham o mesmo, serão necessários recursos equivalentes a sete planetas Terra.

Por fim, sob a dimensão tecnológica tomei como paradigma a aceleração e incorporação de novos conhecimentos, potencializados pelo desenvolvimento de pesquisas em rede. Isso significa termos hoje, para cada ano de esforço coletivo e consorciado, um avanço tecnológico corresponde a cinco anos anteriores. Portanto, dentro de 10 anos 80% dos produtos com os quais estaremos convivendo cotidianamente hoje sequer foram inventados.

O desafio proposto é considerar nos processos de inovação, além dos requerimentos de ordem econômica e tecnológica, as questões de ordem social, cultural e ambiental.

Concluí mencionando parte da herança intelectual deixada por Steve Jobs, resumida em seis pontos principais, a saber:
1. Valorizar as coisas feitas à mão.
2. Focalizar. Definir o público-alvo para cada produto ou serviço.
3. Empatia. Conhecer e procurar atender os desejos dos clientes.
4. Agregar valor e qualidade (que seja percebida pelas pessoas).
5. Fazer as coisas para que sejam fáceis de serem usadas (amigáveis).
6. Tornar tudo o mais simples possível.

27 de outubro de 2011

Prestando contas com o CNPq

Promessas e metas cumpridas em 20 meses.

Creio ter cumprido com meu propósito de pagar, em parte, a dívida que tenho com o CNPq por tudo que me proporcionou na vida. Sinto que estou perto de poder afirmar que os compromissos que assumi desde que retornei a Brasília assim como as metas que estabeleci foram todas alcançadas.

As principais promessas e ações, sobre as quais procurei imprimir a visão estratégica do design, inscritas no âmbito de minha atuação enquanto gestor de recursos humanos, foram:

1. Transparência e abertura ao diálogo
A porta da sala da coordenação geral permanentemente aberta como demonstração de receptividade e transparência. Todas as solicitações de reuniões ou debates feitas por servidores isolados ou em grupo imediatamente atendidas foram a constância e espelho da filosofia de trabalho.

Os três primeiros dias da nova gestão foram dedicados ao Planejamento Estratégico da CGERH com a participação de todos os servidores e colaboradores lotados na área.

Por nossa iniciativa foi recomposto o Fórum dos Coordenadores Gerais. A intermediação efetiva do diálogo dos servidores com a alta direção.

A criação da rede social interna, Entrenós, como veiculo de participação e debate e de incremento das relações interpessoais.

3. O compromisso com os servidores
A implantação do mestrado e doutorado “in company” permitindo 15 admissões ao doutorado junto com o consorcio de Universidades do Rio Grande do Sul e 15 admissões ao mestrado junto com o CDS/UnB atendendo antiga aspiração dos servidores.

Os investimentos na atualização profissional dos servidores, através da organização e oferecimento de cursos, palestras técnicas, e apoio à participação em eventos e congressos com recursos duplicados do Programa de Capacitação.

A avaliação e o monitoramento permanente do grau de satisfação e eficiência no trabalho com o desenvolvimento e aplicação semestral de uma ferramenta de pesquisa estruturada e disponível na Intranet.

A proposição do projeto “Memória do Servidor” para registro da história oral na visão dos servidores aposentados ou em vias de se aposentarem.

A proposição dos “Círculos da Saúde”, de auto-monitoramento, apoiadas por médios, psicólogos e fisioterapeutas.

Resgate da filosofia de "Gestão por competência" atuando na mediação dos processos mais dificeis de movimentação de pessoas, procurando compatibilizar os interesses institucionais com as expectativas e competências individuais.


4. O compromisso com a instituição
A realização de concurso público e a admissão de 96 novos servidores.

A coordenação das atividades alusivas aos 60 anos do CNPq

5. Compromisso com a inovação
A criação e realização dos Primeiros Jogos Internos do CNPq como processo de adaptação às mudanças, melhoria do clima organizacional e incremento das relações interpessoais.

A criação do Passaporte Cultural como atividade de integração em 2012.

A proposição do lançamento de um Edital direcionado às Industrias Criativas (aprovada pela DEX).

A proposta de um projeto institucional para maior aproveitamento do Capital Intelectual disponível na instituição para ampliação da cooperação técnica e intercambio internacional.

A realização de todas essas ações somente foi possível graças ao apoio da Diretoria e da Presidencia do CNpq, dos colegas do Fórum dos coordenadores que acreditaram em nosssas iniciativas e do corpo técnico da CGERH que com competência, comprometimento e disposição tornaram possível colocar tudo isso em prática. A todos eles meus sinceros agradecimentos.

21 de outubro de 2011

A Nona Inteligência

Se Howard Gardner, o autor da “Teoria das Oito Inteligências”, tivesse vivido no Brasil, provavelmente teria descoberto a Nona Inteligência. Aquela típica de nosso temperamento luso-tropical, forjada desde os tempos da colônia, construída sobre a ética do compadrio e do conluio, das vantagens obtidas com a prática de favores e da ocupação dos espaços vazios que nenhuma legislação soube coibir.

Um exemplo típico dessa Nona Inteligência é a capacidade, quase infinita, do brasileiro contornar as leis e as normas com seu “jeitinho” esperto e malandro. É a Lei do Gerson. Para os que não se lembram, logo depois da Copa de 70, em um comercial de televisão, o famoso centro-avante da seleção canarinho dizia que sua opção por determinada marca de cigarros era fruto de sua filosofia, traduzida na frase “Gosto de levar vantagem em tudo, certo?”. Errado, respondeu o Brasil em coro, retirando a propaganda do ar e estigmatizando o pobre Jogador que apenas repetiu numa frase idiota, que publicitários idiotas, fizeram sair de sua boca. Como ilustra o wikipedia “ O fato é que a Lei de Gérson acabou sendo usada para exprimir traços bastante característicos e pouco lisonjeiros do caráter nacional, associados à disseminação da corrupção e ao desrespeito a regras de convívio para a obtenção de vantagens pessoais”.

Os anos se passaram e a Rede Globo importa da Holanda um “Reality Show” aqui rebatizado de BBB, cuja essência consiste em colocar um grupo de pessoas em uma casa, em um convívio forçado, numa espécie de “jogo” onde tudo vale. É a lógica do vencer a todo custo, não importando o sentimento dos demais, a ética e a moral.

Para consertar os estragos feitos em nossa frágil moral coletiva serão necessários anos de reeducação e de permanente indignação.

Rui Barbosa em um famoso discurso no Senado Federal, proferiu há quase cem anos uma frase que continua atual nos dias de hoje: ”De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

12 de outubro de 2011

Prêmio SEBRAE TOP 100 do Artesanato


Chega a sua terceira edição o Prêmio que criamos para o SEBRAE em 2006, cujos objetivos são:
• Identificar, premiar e divulgar os casos de maior sucesso na área do artesanato, apontando as 100 melhores unidades de produção cujos produtos transcendam os aspectos puramente estéticos e culturais, colocando em evidência o compromisso social, econômico e ambiental.
• Dispor de informações atuais e confiáveis sobre a realidade do segmento artesanal, permitindo a tomada de decisões sobre a oportunidade e necessidade de projetos e ações para o desenvolvimento sustentável do setor artesanal.

Período de inscrições: De 03 de Outubro a 30 de novembro de 2011

Capacitação dos gestores: 17 e 18 de outubro de 2011
Capacitação dos consultores: 28 e 29 novembro de 2011
Visitas de consultores as unidades: De 10 de janeiro a 30 de março de 2012
Entrega de relatórios dos consultores ao SEBRAE estadual: Abril de 2012
Divulgação dos resultados: Junho de 2012
Evento de premiação e rodada de negócios: Agosto de 2012

http://www.top100.sebrae.com.br/

9 de outubro de 2011

Todas las canciones hablan de mi


“Todas as canções falam de mim” é um surpreendente e bonito filme espanhol, dirigido por Jonas Trueba, que rompe com alguns paradigmas sobre o tempo que uma cena pode durar na tela, entre outras pequenas proezas. Tentar falar do filme é recordar com carinho de dezenas de momentos surpreendentes.

Romero, o personagem principal, esta saindo de uma relação de seis anos. Para ele não está sendo fácil colocar a vida de novo nos trilhos. Seu mundo, seus desejos, suas dúvidas e suas memórias são simples e comuns. Por isso todos se identificam com ele e se reconhecem em seus sofrimentos e angustias. O drama convive com o humor todo o tempo, principalmente com a figura de Lucas, o tipo de amigo que todos nós gostaríamos de ter, sincero, engraçado e humano.

A trilha sonora é de uma qualidade extraordinária, desde a fidelidade aos ruídos simples do cotidiano, como o mastigar de cereais, até o processo de sintonia no rádio de uma música cafona, que toca do principio ao fim, com um Ramiro estático e de costas ouvindo e curtindo sua letra e nos fazendo lembrar de situações idênticas que já vivemos.

As falas dos personagens são as mesmas que já ouvimos da boca de nossos amigos, exprimindo sentimentos com os quais todos nos identificamos, ou fazendo citações geniais. “Todas as cartas de amor são ridículas, porém mais ridículos são aqueles que nunca as escreveram” disse Fernando Pessoa.

O final, uma inesquecível cena de 3 minutos de duração com a música crescendo enquanto Ramiro decide abrir o jogo com Andréa, é arrebatadora e nos deixa com a sensação de que a vida real é mais interessante e charmosa que a maioria das produções de Hollywood.

6 de outubro de 2011

O Design e as tabelas nutricionais


Vivemos em uma Aldeia Global como antevia Marshall MacLuhan nos anos setenta.
Temos hoje a disposição um universo jamais imaginado de informação disponível em tempo real, ao simples toque de um dedo. O Google como ferramenta eletrônica de buscas na internet é hoje uma espécie de “oráculo” devido a sua infinita capacidade de processamento de informações digitais com razoável grau de confiabilidade. O tradutor automático de línguas estrangeiras, inclusive com reconhecimento de voz, já é uma realidade.

Todas estas novas invenções do gênio humano criaram na prática essa aldeia global. Principio da mudança, a mais profunda, na história da humanidade, cuja dimensão mal se consegue hoje imaginar. A idéia decorre do progresso tecnológico reduzindo o mundo à dimensão de uma aldeia onde todos se comunicam com todos, eliminam-se as distâncias e barreiras, e se multiplica exponencialmente o poder do índivíduo.

Os sinais desta mudança no curso da história já são percebidos. No Oriente Médio as revoluções recentes nasceram do twitter. Os internautas de todo o mundo descobriram o poder de sua voz e com isso emerge um sentimento de cidadania global. Quando se rompem as barreiras da comunicação às mudanças sociais surgem como conseqüência. Os indivíduos passam a exigir seus direitos, dentre eles o direito de segurança, sobretudo aquela que privilegie a vida ao invés da propriedade.

A necessidade de comunicação é uma característica nata do ser humano, que desde as cavernas da pré-história deixa as marcas de seus ritos de passagens, cujos significados perderam-se no tempo. Na ausência de uma linguagem escrita nossos ancestrais se valiam de símbolos para expressar e transmitir aos demais seus propósitos ou feitos. Formas geométricas, orgânicas, antropomorfas ou zoomorfas deixaram indícios, mas não certezas sobre seus significados.

Nas sociedades mais desenvolvidas os símbolos fazem parte de sua cultural e representam um conceito, sem a precisão da palavra escrita. A presença ostensiva destes símbolos possui significado e valor. A força de uma imagem, impregnada na memória das pessoas, é a certeza de seu poder de comunicação. Da cruz do Cristianismo a suástica do Nazismo como exemplos diametralmente opostos de credos e intenções, a sociedade foi construindo no imaginário coletivo uma linguagem universal.

Em qualquer país o desenho de uma caveira representa a morte, mesmo que seja como uma broma mexicana, assim como o desenho de um raio como símbolo da eletricidade, são exemplos clássicos da capacidade da comunicação não verbal para expressar o perigo.

Os avanços científicos que permitiram a possibilidade de divisão do átomo, criando a energia atômica obrigaram a criação de um pictograma como o símbolo da radioatividade, de compulsório uso universal, constituído de três segmentos de um círculo.

O vermelho, amarelo e verde nos semáforos de todo o mundo parte desta necessidade de uma informação inequívoca relacionada a preservação da vida.

O mesmo esforço fazem os aeroportos de todo o mundo, buscando adotar a mesma iconografia básica, construindo-se aos poucos um repertório visual-simbólico universal

Em breve a sociedade começará a exigir, por meio de seu maior instrumento que é o poder de compra, que os produtos alimentícios industrializados tenham informações claras e compreensíveis sobre seus possíveis efeitos no organismo humano.

Um saquinho de batatas fritas ou de pipocas teria estampando em sua embalagem ícones representando gordinhos cuja tamanho ou quantidade repetida do icone seria proporcional a taxa de gordura saturada encontrada no produto. Corações riscados ao meio como sugestão de elemento gráfico indicaria a quantidade de sódio, apenas para citar dois exemplos.

As tabelas nutricionais cumpriram um papel relevante de abrir a caixa preta dos alimentos, mas seu conteúdo é incompreensível pela maioria da população, principalmente nas regiões e países mais pobres.

A hipótese de uma iconografia específica e aplicável nas embalagens de alimentos, traduzindo simbolicamente os efeitos sobre o organismo é bastante promissora. Embora já se antevejam dificuldades para sua implementação, devido às legislações e normas ainda vigentes. Um desafio para a ANVISA.

29 de setembro de 2011

Restaurante do Futuro

Em meu conceito o Restaurante do Futuro é aquele que representa e explora a gastronomia regional singular, baseada em produtos do território, cuja preparação, apresentação e consumo são partes indissociáveis, concebidas com o mesmo propósito de oferecer uma experiência vivencial diferenciada, fruto de um projeto multidisciplinar de abrangência socioeconômica, cultural e ambientalmente responsável.

Cada região do planeta possui características de solo, vegetação, clima e tradições que as diferenciam das demais. Em todas elas alguns produtos se destacam por valerem-se exatamente destas características singulares. São produtos que compõe o repertório cultural da região, tido hoje como um ativo turístico a ser explorado.

O consumo destes produtos regionais não obedecem mais, na maioria das vezes, rituais e tradições locais, nem em sua preparação, apresentação ou consumo. Reverter esta situação significa agregar valor a gastronomia através da proposição de uso de utensílios específicos para cada prato típico além de incorporar a preparação como parte do ritual da restauração, onde o consumidor participa como sujeito ativo.

Esta fusão da culinária com a produção de objetos locais e com a valorização dos produtos alimentícios do território cria uma espiral virtuosa, gera mais oportunidades de trabalho e renda para os produtores locais e preservar o patrimônio cultural imaterial.

A demanda por essa gastronomia local é aspiração dos turistas que viajam para aprender e não para comparar. São os turistas vivenciais que buscam uma imersão na cultura do local. É o turismo que se apóia nos meios de hospedagem alternativos, tais como: pousadas, albergues, hotéis de charme, residências temporárias e restaurantes que valorizam a gastronomia local. Estes turistas apreciam o artesanato e a arte popular local, a arquitetura integrada a paisagem, o respeito ao meio ambiente e a responsabilidade social.

O Restaurante do futuro, voltado a este público de maior repertório cultural, oferece não somente a alimentação e a fruição do ambiente, mas uma experiência pessoal, única e singular, do cliente fazer parte de um processo que o integra como agente ativo, participando na elaboração final do prato; levando consigo a receita e comprando os utensílios relacionados.

27 de setembro de 2011

A assimetria e o espelho retrovisor- Pilares da Inovação



A busca da perfeição, em alguns campos da expressão humana, esteve durante muito tempo relacionada com a simetria das formas e objetos, em função do equilíbrio e da harmonia que representa. Isso não traz, somente por si mesmo, um ganho estético. O design de um objeto simétrico tende a ser facilmente banalizado por sua monotonia e previsibilidade, devendo recorrer a outros artifícios como textura e cor para ser notado e memorizado.

O mesmo se aplica ao pensamento e conseqüentemente ao comportamento humano cuja opção preferencial pelos caminhos simétricos, onde um lado é o espelho do outro, conduz inevitavelmente a resultados previsíveis. A simetria é antes de tudo uma visão pragmática, portanto econômica, no mundo das coisas tangíveis. A reflexão simétrica justifica causa com conseqüência, definindo os fenômenos dentro de nossa concepção de espaço e tempo sobre uma linha continua e ininterrupta. Assim enxergamos o passado e sobre essa linha projetamos o futuro, linearmente.

Se, no entanto, abdicarmos desta tentação cartesiana e imaginarmos que o que buscamos é a surpresa e o encantamento, estamos falando da essência e do significado de inovação positiva. O novo, em todas as suas acepções, é tudo aquilo que até então não existia e que para nós aparece sob outra forma ou aspecto. Através do pensamento assimétrico é que conseguimos ampliar nossa percepção daquilo que nos cerca abrindo as portas de outras realidades, mais complexas e mais interrelacionadas.

A dificuldade de lidar com o pensamento assimétrico é a ausência de parâmetros, de balizas que indiquem quanto estamos próximos ou distantes do caminho do meio e do equilíbrio. Isso ao invés de ser uma deficiência do processo mental deve ser visto como sua maior qualidade, pois o caminho do meio costuma ser também o caminho da mediocridade, onde não há sofrimento e nem prazer.

A questão que se coloca é a dúvida de como romper com os paradigmas estabelecidos? Como sair dos quadrados mentais que criamos? Como enxergar o essencial, invisível aos olhos de muitos. Como romper bolhas após bolhas, círculos através de outros círculos? Como uma pedra jogada em um lago, criando formas concêntricas que vão se diluindo à medida que se afastam?

A melhor resposta nos propõe Ítalo Calvino com uma digressão filosófica sobre a importância do espelho retrovisor nos automóveis como inovação que foi capaz de alterar o comportamento humano ao descobrir a possibilidade de ter esse olhar atrás simultâneo ao olhar para frente.

Essa visão assimétrica, capaz de ver lados até então não revelados dos problemas, para propor uma solução que traga prazer e não sofrimento é que deve ser nosso compromisso permanente e exercitado cotidianamente.
Isso serve para o trabalho e para uma vida criativa e feliz.


Leiam também
http://bodisatva.com.br/autocentramento-uma-praga-curavel-sobre-a-sabedoria-do-espelho-retrovisor/

16 de setembro de 2011

Rua Aurora s/n


A alvorada de um novo tempo, um tempo sem tempo, que mistura passado com futuro e onde o presente é apenas a ponte de ligação do impossível (pois já vivido) com o improvável devir, começa agora.

Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas e por isso mesmo o momento de avaliar os caminhos percorridos, de perceber as bifurcações que ficaram para trás e para os destinos (in) prováveis que conduziriam. Estes percursos trilhados, que construíram o momento presente, não podem ser desconsiderados. Foram deles que se condensou a energia para as decisões tomadas, cuja prova de acerto é o fato de estarmos aqui e agora, íntegros e conscientes de nossas possibilidades e potencialidades.

Os destinos prováveis, que serão frutos de nossas escolhas, têm no passado sua referencia. O alinhamento destas ações pretéritas indica trajetórias prováveis, ascendentes ou descendentes, que desenharão o futuro. Se este resultado projetado for diferente das expectativas impõe-se uma correção de rumo, recalculando os prejuízos e ganhos dessa decisão, lembrando que quanto maior for a distancia entre o desejo e o resultado projetado, mas radical deverá ser a mudança de rota exigida.

O fim de um ciclo é o inicio de outro. Como na música, o trem que chega é o mesmo da partida onde a despedida é também encontro, do que foi e do que poderá vir a ser.