PROJETO DE LEI Nº 136, DE 2009 – SENADO
Dispõe sobre a profissão de artesão e dá outras providências.
O CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Artesão é toda pessoa física que desempenha suas atividades profissionais de forma individual, associada ou cooperativada.
Parágrafo único. A profissão de artesão presume o exercício de atividade predominantemente manual, que pode contar com o auxílio de ferramentas e outros equipamentos, desde que visem a assegurar qualidade, segurança e, quando couber, observância às normas oficiais aplicáveis ao produto.
Art. 2º O artesanato será objeto de política específica no âmbito da União e terá como diretrizes básicas:
I – valorização da identidade e cultura nacionais;
II – destinação de linha de crédito especial para o financiamento da comercialização da produção artesanal e para a aquisição de matéria-prima e equipamentos imprescindíveis ao trabalho artesanal;
III – integração da atividade artesanal com outros setores e programas de
desenvolvimento econômico e social;
IV – qualificação permanente dos artesãos e estímulo ao aperfeiçoamento dos métodos e processos de produção;
V – apoio comercial, com identificação de novos mercados nos níveis local,
nacional e internacional;
VI – certificação da qualidade do artesanato, agregando valor aos produtos e às técnicas artesanais;
VII – divulgação do artesanato.
Art. 3º O artesão será identificado pela Carteira Nacional de Artesão, válida em todo o território nacional por, no mínimo, um ano, a qual somente será renovada com a comprovação das contribuições sociais vertidas para a Previdência Social, na forma do regulamento.
Art. 4º O Poder Executivo fica autorizado a criar a Escola Técnica Federal do Artesanato, dedicada exclusivamente ao desenvolvimento de programas de formação
do artesão.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
14 de julho de 2010
10 de julho de 2010
As bolas “Wilson” de nossas vidas ou o significado de alguns objetos de valor simbólico
Há muitos anos que deixei de acreditar na igreja católica e sua doutrina, mesmo tendo vivido meu ano de admissão no ginásio, em um seminário.
Porque então, portar ainda, uma medalha com o Sagrado coração? Minha medalha, um presente de batizado com nome e data gravado, virou parte de uma identificação pessoal. Possui agora uma carga afetiva, e para alguns uma energia singular, de um objeto usado durante quase toda a vida. Virou uma espécie de amuleto da sorte. Faz parte do corpo e lembra um passado e da crença dos pais. É este tipo de valor simbólico que o torna um acessório perene, que transcende ao tempo e aos mutantes padrões estéticos, sobre o qual já não faço mais nenhum tipo de juízo. Uso-o apenas, por pura fruição.
Assim deveriam ser a maioria dos objetos com os quais convivemos cotidianamente, cuja cumplicidade máxima foi exemplificada pela bola “Wilson” em “Náufrago”.
Porque então, portar ainda, uma medalha com o Sagrado coração? Minha medalha, um presente de batizado com nome e data gravado, virou parte de uma identificação pessoal. Possui agora uma carga afetiva, e para alguns uma energia singular, de um objeto usado durante quase toda a vida. Virou uma espécie de amuleto da sorte. Faz parte do corpo e lembra um passado e da crença dos pais. É este tipo de valor simbólico que o torna um acessório perene, que transcende ao tempo e aos mutantes padrões estéticos, sobre o qual já não faço mais nenhum tipo de juízo. Uso-o apenas, por pura fruição.
Assim deveriam ser a maioria dos objetos com os quais convivemos cotidianamente, cuja cumplicidade máxima foi exemplificada pela bola “Wilson” em “Náufrago”.
8 de julho de 2010
Porque torço pela Espanha
Sempre fui muito bem recebido em todas as viagens que fiz a Holanda. Os holandeses são cordiais, cosmopolitas, hospitaleiros e liberais. Na Holanda estão duas das melhores universidades européias de design. Mantive através do LBDI profícua cooperação e intercâmbio com alunos da Academia de Eindhoven e a da Universidade de Delft. O congresso do ICSID em Amsterdam realizado em 1987 foi inesquecível. Apesar de tudo isso, vou torcer pela Espanha na partida final da Copa do mundo de futebol. Acho que todos os artesãos brasileiros deveriam fazer o mesmo. Foi a Espanha através da Agencia Espanhola para a promoção do Artesanato quem nos ensinou os primeiros passos para implantarmos no nosso país uma política consistente de apoio ao artesanato.
Foram eles que organizaram no Brasil, na década de 90 vários cursos destinados a formar gestores e técnicos para atuarem no setor artesanal. Tive o privilégio de ter sido escolhido naquela oportunidade para apresentar o tema: “design no artesanato” sendo o único brasileiro do time de professores e instrutores.
Minas aproximações com a Espanha começaram em 1986 quando viajei a convite do Centro de Design de Bilbao, que serviu de inspiração e modelo para a criação do LBDI em Florianópolis no ano seguinte. Em 1993 participei em Barcelona de um Seminário Internacional sobre Centros de Design organizado pelo BCD, onde apresentei um plano de criação na América Latina dos Laboratórios de Design para o Artesanato. Provavelmente foi esta iniciativa que me abriram as portas para minha indicação, pela Espanha, para concorrer à direção do ICSID. Neste mesmo ano, em Glasgow na Escócia, na Assembléia do ICSID fui eleito para o cargo de diretor da instituição, tendo sido o primeiro designer do Hemisfério sul a alcançar esta posição. Devo isso aos Espanhóis.
Em 1999 a Fundação Espanhola patrocinou a realização do “Primeiro Encontro Ibero Americano sobre Design e Artesanato” que organizei em Fortaleza, no Dragão do Mar. Deste evento memorável participaram técnicos e especialistas de 20 países do continente. O documento final serviu de base para a elaboração do “Termo de Referencia do Artesanato” publicado em 1994 e ainda hoje adotado pelo SEBRAE Nacional.
Durante muitos anos eles foram nossos interlocutores preferenciais no continente europeu quando o tema era artesanato, propiciando a formação de uma rede de colaboradores excepcionais. Por tudo isso é que sou muito grato a eles e merecem meio apoio e torcida incondicional.
Foram eles que organizaram no Brasil, na década de 90 vários cursos destinados a formar gestores e técnicos para atuarem no setor artesanal. Tive o privilégio de ter sido escolhido naquela oportunidade para apresentar o tema: “design no artesanato” sendo o único brasileiro do time de professores e instrutores.
Minas aproximações com a Espanha começaram em 1986 quando viajei a convite do Centro de Design de Bilbao, que serviu de inspiração e modelo para a criação do LBDI em Florianópolis no ano seguinte. Em 1993 participei em Barcelona de um Seminário Internacional sobre Centros de Design organizado pelo BCD, onde apresentei um plano de criação na América Latina dos Laboratórios de Design para o Artesanato. Provavelmente foi esta iniciativa que me abriram as portas para minha indicação, pela Espanha, para concorrer à direção do ICSID. Neste mesmo ano, em Glasgow na Escócia, na Assembléia do ICSID fui eleito para o cargo de diretor da instituição, tendo sido o primeiro designer do Hemisfério sul a alcançar esta posição. Devo isso aos Espanhóis.
Em 1999 a Fundação Espanhola patrocinou a realização do “Primeiro Encontro Ibero Americano sobre Design e Artesanato” que organizei em Fortaleza, no Dragão do Mar. Deste evento memorável participaram técnicos e especialistas de 20 países do continente. O documento final serviu de base para a elaboração do “Termo de Referencia do Artesanato” publicado em 1994 e ainda hoje adotado pelo SEBRAE Nacional.
Durante muitos anos eles foram nossos interlocutores preferenciais no continente europeu quando o tema era artesanato, propiciando a formação de uma rede de colaboradores excepcionais. Por tudo isso é que sou muito grato a eles e merecem meio apoio e torcida incondicional.
6 de julho de 2010
Trecho do livro "A quem interessar possa", de Gilka Aria.
Tenho conversado muito com algumas pessoas sobre o significado da palavra luxo. Sobretudo aquilo que podemos chamar de luxo emocional. Tks Vivi. Por esta razão resolvi postar o texto abaixo que recebi de meu amigo Alvinho, que me pareceu, apesar de um pouco repetitivo com muita coisa que circula por ai, demasidamente oportuno.
Boa leitura e reflexão!
"Nunca o termo chique foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente. A verdade é que ninguém é chique por decreto.
E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão a venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que uns guarda-roupas recheados de grifes importadas. Muito mais que um belo carro Alemão. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta.
Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas que, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio. Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas
inoportunas, nem procura saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e as pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder nunca. Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir. Chique mesmo é olhar no olho do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados a mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado. Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto que a vida é breve e de que vamos todos para o mesmo lugar. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se cruzar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem.
Porque, ao final das contas, chique mesmo é ser feliz!"
Boa leitura e reflexão!
"Nunca o termo chique foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente. A verdade é que ninguém é chique por decreto.
E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão a venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que uns guarda-roupas recheados de grifes importadas. Muito mais que um belo carro Alemão. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta.
Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas que, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio. Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas
inoportunas, nem procura saber o que não é da sua conta.
Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua.
Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e as pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder nunca. Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir. Chique mesmo é olhar no olho do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados a mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia.
Chique mesmo é honrar a sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.
Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado. Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto que a vida é breve e de que vamos todos para o mesmo lugar. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se cruzar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem.
Porque, ao final das contas, chique mesmo é ser feliz!"
3 de julho de 2010
Tecnologias apropriadas no CNPq – As origens
A experiência pioneira com as “tecnologias apropriadas” no Brasil ocorreu na década de setenta através do setor de design do CETEC de Minas Gerais.
Desencantados com as possibilidades que se apresentavam de projetar para as indústrias, mais ocupadas em copiar do que em criar, e com a inserção do discurso da matriz cultural brasileira como insumo fundamental, os designers do CETEC transferiram seus esforços para uma pequena cidade no norte de Minas. A Cidade de Juramento revelava as possibilidades de aproximação entre o design e as necessidades sociais. Os produtos resultantes desta ação fugiam do convencional: uso do bambu como condutor hidráulico trazendo água para a população; construções e cisternas em peças pré-moldadas de fibrocimento substituindo a taipa de pilão hospedeira do barbeiro; equipamentos públicos essenciais; marcenaria volante e ações diversas de âmbito sócio-cultural, tais como os mutirões de construção e as feiras de produtos locais, revelando o artesanato como tecnologia patrimonial. No nível institucional o CETEC também realiza o primeiro seminário internacional sobre tecnologias apropriadas, O SINTA-78, estabelecendo um discurso coerente e as bases conceituais do que se convencionava chamar de tecnologias apropriadas.
A idéia, naquela época, que uma intervenção tecnológica deveria considerar as condições locais (socioculturais, econômicas e ambientais) era sedutora e revolucionária, pois propunha capacidade de autodeterminação da comunidade como meta de projeto, princípio quase subversivo em tempos de ditadura.
O terceiro curso de pós-graduação sobre países em desenvolvimento realizado no verão de 1980, na Escola Politécnica de Lausanne / Suiça amplia o universo de referências e possibilidades sobre a utilização das tecnologias apropriadas e de sua importância estratégia, analisando experiências realizadas na índia, Israel e África.
Converge-se neste momento o discurso do design como o das tecnologias apropriadas. O design social adota e propõe como fundamento o respeito á cultura, as condições ambientais e econômicas das populações alvo.
De volta ao Brasil e requisitado pelo CNPq ao CETEC me mudo para Brasília, levando comigo o sonho de divulgar e ampliar o discurso afirmativo das tecnologias apropriadas. Mais uma vez Dr. Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque aparece como responsável por acatar e promover a criação do primeiro Programa governamental de apoio as Tecnologias Apropriadas encabeçado pelo CNPq, contando com a parceria de diversos organismos federais.
O PTTA foi a primeira ação articulada em nível nacional que tinha por objetivo identificar, aprimorar e difundir soluções alternativas relacionadas à produtos e processos nas áreas de saúde, habitação, agricultura familiar, pesca artesanal, produção de alimentos; saneamento básico e pequenas produções. Esta é umas das origens de nossas preocupações com o artesanato, que sempre foi uma "tecnologia patrimonial, social e apropriada".
Projetos específicos apresentados por 12 estados brasileiros foram apoiados pelo CNPq desde 1983, disseminado os conceitos das tecnologias apropriadas, hoje revisitadas com a neo denominação de “tecnologias sociais”.
Os envolvidos com estes projetos formaram a massa critica necessária para que até hoje sobrevivam estes critérios nas intervenções realizadas em muitas comunidades carentes.
Quem quiser conhecer esta história à fundo não deixe de ler a brilhante dissertação de mestrado de Flávio Cruvinel:
http://www.rts.org.br/bibliotecarts/trabalhos-academicos/dissertacao_mestrado_tecnologias_apropriadas_flavio_cruvinel.pdf
Desencantados com as possibilidades que se apresentavam de projetar para as indústrias, mais ocupadas em copiar do que em criar, e com a inserção do discurso da matriz cultural brasileira como insumo fundamental, os designers do CETEC transferiram seus esforços para uma pequena cidade no norte de Minas. A Cidade de Juramento revelava as possibilidades de aproximação entre o design e as necessidades sociais. Os produtos resultantes desta ação fugiam do convencional: uso do bambu como condutor hidráulico trazendo água para a população; construções e cisternas em peças pré-moldadas de fibrocimento substituindo a taipa de pilão hospedeira do barbeiro; equipamentos públicos essenciais; marcenaria volante e ações diversas de âmbito sócio-cultural, tais como os mutirões de construção e as feiras de produtos locais, revelando o artesanato como tecnologia patrimonial. No nível institucional o CETEC também realiza o primeiro seminário internacional sobre tecnologias apropriadas, O SINTA-78, estabelecendo um discurso coerente e as bases conceituais do que se convencionava chamar de tecnologias apropriadas.
A idéia, naquela época, que uma intervenção tecnológica deveria considerar as condições locais (socioculturais, econômicas e ambientais) era sedutora e revolucionária, pois propunha capacidade de autodeterminação da comunidade como meta de projeto, princípio quase subversivo em tempos de ditadura.
O terceiro curso de pós-graduação sobre países em desenvolvimento realizado no verão de 1980, na Escola Politécnica de Lausanne / Suiça amplia o universo de referências e possibilidades sobre a utilização das tecnologias apropriadas e de sua importância estratégia, analisando experiências realizadas na índia, Israel e África.
Converge-se neste momento o discurso do design como o das tecnologias apropriadas. O design social adota e propõe como fundamento o respeito á cultura, as condições ambientais e econômicas das populações alvo.
De volta ao Brasil e requisitado pelo CNPq ao CETEC me mudo para Brasília, levando comigo o sonho de divulgar e ampliar o discurso afirmativo das tecnologias apropriadas. Mais uma vez Dr. Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque aparece como responsável por acatar e promover a criação do primeiro Programa governamental de apoio as Tecnologias Apropriadas encabeçado pelo CNPq, contando com a parceria de diversos organismos federais.
O PTTA foi a primeira ação articulada em nível nacional que tinha por objetivo identificar, aprimorar e difundir soluções alternativas relacionadas à produtos e processos nas áreas de saúde, habitação, agricultura familiar, pesca artesanal, produção de alimentos; saneamento básico e pequenas produções. Esta é umas das origens de nossas preocupações com o artesanato, que sempre foi uma "tecnologia patrimonial, social e apropriada".
Projetos específicos apresentados por 12 estados brasileiros foram apoiados pelo CNPq desde 1983, disseminado os conceitos das tecnologias apropriadas, hoje revisitadas com a neo denominação de “tecnologias sociais”.
Os envolvidos com estes projetos formaram a massa critica necessária para que até hoje sobrevivam estes critérios nas intervenções realizadas em muitas comunidades carentes.
Quem quiser conhecer esta história à fundo não deixe de ler a brilhante dissertação de mestrado de Flávio Cruvinel:
http://www.rts.org.br/bibliotecarts/trabalhos-academicos/dissertacao_mestrado_tecnologias_apropriadas_flavio_cruvinel.pdf
29 de junho de 2010
Pisaram nos meus calos exato no dia de nosso aniversário
Hoje, dia mundial do designer industrial me deparo com um texto rancoroso e retrógado de um grande antropólogo brasileiro que banaliza as inserções do design na atividade artesanal, generaliza criticas e se equivoca em suas colocações sobre o que seja o design, que demonstra não conhecer.
Somente em virtude desta data simbólica, que ajudei a construir como membro do ICSID, decidi rebater os argumentos que me parecerem preconceituosos e equivocados, com exemplificações inverossímeis.
Para os que tiverem curiosidade de ler o texto "Tenho visto barbarismos sendo cometidos pelo país todo em nome do gosto, da estética, do bom design" acessem o link: http://www.acasa.org.br/ensaio.php?id=265&modo=
Querem uma amostra? “O designer é o representante da elite brasileira e, na história desse país, sempre coube à elite pensar e ao povo fazer. A gente vem se batendo contra a repetição desse modelo histórico, pois eu acredito que essas coisas são o patrimônio imaterial do país”.
Resumindo minha resposta pretendo apenas explicar “o que é design” para aqueles que ainda possam ter dúvidas. Em primeiro lugar o designer tem por premissa projetar pensando na cultura, seja de origem seja de destino dos produtos. Quando se projeta um produto industrial pensamos sempre na cultura de destino, interpretando necessidades e anseios, traduzidos na forma e na função destes produtos a partir dos repertórios culturais e das tendências de mercado.
Quando se projeta um produto artesanal o que o designer faz é decodificar e utilizar os repertórios culturais de origem, incorporando elementos diferenciadores locais e agregando valor traduzindo as emoções daqueles que produzem. Estes são os produtos que conseguem hoje uma melhor posição no mercado de bens simbólicos. É a economia da experiência que relaciona produto ao lugar e o transforma em objeto de desejo.
Os que fazem isso não são somente os bons designers, são todos os designers, alguns com mais, outros com menos talento. Existem sim maus profissionais que se fazem passar por designers ou produtos que vendem o que não podem oferecer. Generalizar a enorme contribuição que o design trouxe ao artesanato brasileiro nos últimos dez anos por conta de um exemplo ou outro, de erros cometidos pinçados entre milhares, é no mínimo lamentável, para ser polido.
Aqueles que pretendem preservar o artesanato da colaboração do design me lembram aqueles fazendeiros da América profunda que recusam os avanços da civilização. Essa atitude pode ser linda mas é romântica e economicamente injusta pois preserva a pureza original do artesanato mas também a pobreza daqueles que o produzem.
A eterna confusão entre arte e artesanato é que exige dos artesãos o domínio do processo criativo que eles praticam apenas episodicamente já que sua busca é quase sempre pela perfeição técnica.
Os artesãos necessitam da colaboração de um designer para fazer emergir uma nova geração de produtos contemporâneos, referenciados com a cultura local e preservando seus vínculos com o passado.
A afirmação que o design “assedia” o setor artesanal sugerindo como conseqüência a falta de espaço na industria é hilária. Basta considerar que temos hoje no Brasil mais de 300 escolas de design que já diplomaram mais de cem mil designers, mas contamos nos dedos das mãos aqueles que atuam no setor artesanal.
E para estes eu tiro meu chapéu pois em sua maioria atuam em condições quase sempre precárias, premidos pelo tempo, mal remunerados e movidos apenas pelo idealismo.
Vamos combinar uma coisa? Aqueles que se apresentam como defensores do artesanato deveriam sair de seus gabintes climatizados, botar o pé na terra, e perguntar aos artesãos o que eles desejam, antes de sairem ditando regras e fazendo juizo de valor sobre aquilo que desconhecem.
Somente em virtude desta data simbólica, que ajudei a construir como membro do ICSID, decidi rebater os argumentos que me parecerem preconceituosos e equivocados, com exemplificações inverossímeis.
Para os que tiverem curiosidade de ler o texto "Tenho visto barbarismos sendo cometidos pelo país todo em nome do gosto, da estética, do bom design" acessem o link: http://www.acasa.org.br/ensaio.php?id=265&modo=
Querem uma amostra? “O designer é o representante da elite brasileira e, na história desse país, sempre coube à elite pensar e ao povo fazer. A gente vem se batendo contra a repetição desse modelo histórico, pois eu acredito que essas coisas são o patrimônio imaterial do país”.
Resumindo minha resposta pretendo apenas explicar “o que é design” para aqueles que ainda possam ter dúvidas. Em primeiro lugar o designer tem por premissa projetar pensando na cultura, seja de origem seja de destino dos produtos. Quando se projeta um produto industrial pensamos sempre na cultura de destino, interpretando necessidades e anseios, traduzidos na forma e na função destes produtos a partir dos repertórios culturais e das tendências de mercado.
Quando se projeta um produto artesanal o que o designer faz é decodificar e utilizar os repertórios culturais de origem, incorporando elementos diferenciadores locais e agregando valor traduzindo as emoções daqueles que produzem. Estes são os produtos que conseguem hoje uma melhor posição no mercado de bens simbólicos. É a economia da experiência que relaciona produto ao lugar e o transforma em objeto de desejo.
Os que fazem isso não são somente os bons designers, são todos os designers, alguns com mais, outros com menos talento. Existem sim maus profissionais que se fazem passar por designers ou produtos que vendem o que não podem oferecer. Generalizar a enorme contribuição que o design trouxe ao artesanato brasileiro nos últimos dez anos por conta de um exemplo ou outro, de erros cometidos pinçados entre milhares, é no mínimo lamentável, para ser polido.
Aqueles que pretendem preservar o artesanato da colaboração do design me lembram aqueles fazendeiros da América profunda que recusam os avanços da civilização. Essa atitude pode ser linda mas é romântica e economicamente injusta pois preserva a pureza original do artesanato mas também a pobreza daqueles que o produzem.
A eterna confusão entre arte e artesanato é que exige dos artesãos o domínio do processo criativo que eles praticam apenas episodicamente já que sua busca é quase sempre pela perfeição técnica.
Os artesãos necessitam da colaboração de um designer para fazer emergir uma nova geração de produtos contemporâneos, referenciados com a cultura local e preservando seus vínculos com o passado.
A afirmação que o design “assedia” o setor artesanal sugerindo como conseqüência a falta de espaço na industria é hilária. Basta considerar que temos hoje no Brasil mais de 300 escolas de design que já diplomaram mais de cem mil designers, mas contamos nos dedos das mãos aqueles que atuam no setor artesanal.
E para estes eu tiro meu chapéu pois em sua maioria atuam em condições quase sempre precárias, premidos pelo tempo, mal remunerados e movidos apenas pelo idealismo.
Vamos combinar uma coisa? Aqueles que se apresentam como defensores do artesanato deveriam sair de seus gabintes climatizados, botar o pé na terra, e perguntar aos artesãos o que eles desejam, antes de sairem ditando regras e fazendo juizo de valor sobre aquilo que desconhecem.
14 de junho de 2010
A atuação do CNPq no apoio ao design brasileiro – Parte 1 – As origens
Em 2011 o CNPq completará sessenta anos de existência. Na discussão das possibilidades de comemoração foi proposta a realização de uma exposição e/ou publicação que colocasse em evidência as contribuições da instituição para as distintas áreas do conhecimento. A atuação do CNPq foi determinante para a afirmação e consolidação da base acadêmica, científica e tecnológica de determinadas disciplinas, dentre elas o design.
Nenhum outro país do continente teve uma política de estimulo ao design como o Brasil. Os investimentos começaram no início da década de setenta, com a criação pela Secretaria de Tecnologia industrial do Ministério da Industria e Comércio, de um programa de apoio ao design, denominado Programa 06. Naquela ocasião a opção estratégica foi apoiar os emergentes grupos de design existentes no Brasil, dentre eles o CETEC em Belo Horizonte, através de projetos de interesse coletivo. No caso do grupo de design do CETEC, do qual eu fazia parte desde sua criação por Marcelo Resende em janeiro de 1973, a encomenda foi um projeto de mobiliário urbano para cidades de porte médio.
Estes investimentos serviram, acima de tudo, para formar uma nova geração de designers, que mais tarde dariam grande contribuição na docência, na pesquisa, no atendimento das demandas industriais e na construção de políticas de estado. Na coordenação deste programa da STI/MIC estava o engenheiro Itiro Iida cuja atuação nos anos seguintes transformou-o em um dos mais importantes personagens no processo de afirmação do design no Brasil.
Na seqüência dos acontecimentos – meados dos anos setenta - Itiro foi convidado por Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, na época Reitor da Universidade Federal da Paraíba, para criar um curso de Design em Campina Grande. Esta atuação foi determinante para aproximar estes dois personagens, que podemos considerar os principais patronos do design Brasileiro.
Em 1980 Lynaldo é designando presidente do CNPq e traz consigo Itiro como Superintendente de Inovação Tecnológica, e com ele a proposta de implantar um programa de apoio ao design. Neste momento, o designer alemão Gui Bonsiepe, que havia tido uma atuação destacada no Chile e na Argentina, é convidado para assumir no CNPq a função de responsável pelo detalhamento de ações e projetos relacionados com o design.
Em pouco tempo ficou evidente a necessidade da atuação de um contraparte brasileiro junto com Bonsiepe na qualidade de interlocutor nas relações de aproximação com o setor acadêmico e produtivo. Para esta função tive o privilégio de ser convidado, após a recusa de Luiz Blank do INT, provavelmente em virtude do trabalho que Bonsiepe havia prefaciado denominado “Estratégia de design para os países periféricos”.
Este trabalho acadêmico, foi redigido por mim, Thomas Kollbrunner da Suíça e Fabrico Van Den Broeck do México, como conclusão do curso de pós-graduação de fizemos juntos na Escola Politécnica de Lausanne em 1980 e publicado no Brasil pelo CNPq.
O conteúdo deste trabalho tinha a pretensão de definir as linhas gerais de uma ação estratégica e sistêmica para a inserção do design na realidade dos países em desenvolvimento, e assim interpretado pelo CNPq.
Com o entusiasmo de atuar em nível nacional e tendo a dimensão estratégica desta oportunidade nos lançamos na definição de um conjunto de ações que se iniciaram pela quantificação e qualificação da oferta de design em função das demandas que se identificaram nas reuniões de detalhamento do III PBDCT - Plano Brasileiro de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico.
Um recenseamento dos designers brasileiros a partir das listas dos formados pelas escolas de design foi o ponto de partida. A leitura atenta das respostas fornecidas em um longo questionário permitiu identificar primeiramente que 80% dos quase dois mil profissionais que responderam a esta pesquisa atuavam apenas marginalmente com design.
Este distanciamento da atividade pratica impedia a aquisição da experiência necessária para o atendimento das incipientes demandas industriais.
Impunha-se, portanto, qualificar a demanda. Uma inédita pesquisa sobre a oferta acadêmica foi realizada. Todas as escolas de design foram visitadas. Professores, servidores, alunos e ex-alunos foram entrevistados. Os resultados, publicados pelo CNPq, motivaram a criação de um grupo técnico para definir um currículo mínimo para os cursos de design.
Deste esforço saíram recomendações para mudanças estruturais no ensino do design, e para tanto, era necessário formar mestres e doutores. Mas de cinqüenta bolsas de estudos no exterior foram concedidas pelo CNPq para a área de design.
A massa crítica resultante destes investimentos deu origem ao mais formidável incremento da atividade docente no Brasil, que conta hoje com mais de 300 cursos superiores de design, em todas as suas especificidades.
Nenhum outro país do continente teve uma política de estimulo ao design como o Brasil. Os investimentos começaram no início da década de setenta, com a criação pela Secretaria de Tecnologia industrial do Ministério da Industria e Comércio, de um programa de apoio ao design, denominado Programa 06. Naquela ocasião a opção estratégica foi apoiar os emergentes grupos de design existentes no Brasil, dentre eles o CETEC em Belo Horizonte, através de projetos de interesse coletivo. No caso do grupo de design do CETEC, do qual eu fazia parte desde sua criação por Marcelo Resende em janeiro de 1973, a encomenda foi um projeto de mobiliário urbano para cidades de porte médio.
Estes investimentos serviram, acima de tudo, para formar uma nova geração de designers, que mais tarde dariam grande contribuição na docência, na pesquisa, no atendimento das demandas industriais e na construção de políticas de estado. Na coordenação deste programa da STI/MIC estava o engenheiro Itiro Iida cuja atuação nos anos seguintes transformou-o em um dos mais importantes personagens no processo de afirmação do design no Brasil.
Na seqüência dos acontecimentos – meados dos anos setenta - Itiro foi convidado por Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, na época Reitor da Universidade Federal da Paraíba, para criar um curso de Design em Campina Grande. Esta atuação foi determinante para aproximar estes dois personagens, que podemos considerar os principais patronos do design Brasileiro.
Em 1980 Lynaldo é designando presidente do CNPq e traz consigo Itiro como Superintendente de Inovação Tecnológica, e com ele a proposta de implantar um programa de apoio ao design. Neste momento, o designer alemão Gui Bonsiepe, que havia tido uma atuação destacada no Chile e na Argentina, é convidado para assumir no CNPq a função de responsável pelo detalhamento de ações e projetos relacionados com o design.
Em pouco tempo ficou evidente a necessidade da atuação de um contraparte brasileiro junto com Bonsiepe na qualidade de interlocutor nas relações de aproximação com o setor acadêmico e produtivo. Para esta função tive o privilégio de ser convidado, após a recusa de Luiz Blank do INT, provavelmente em virtude do trabalho que Bonsiepe havia prefaciado denominado “Estratégia de design para os países periféricos”.
Este trabalho acadêmico, foi redigido por mim, Thomas Kollbrunner da Suíça e Fabrico Van Den Broeck do México, como conclusão do curso de pós-graduação de fizemos juntos na Escola Politécnica de Lausanne em 1980 e publicado no Brasil pelo CNPq.
O conteúdo deste trabalho tinha a pretensão de definir as linhas gerais de uma ação estratégica e sistêmica para a inserção do design na realidade dos países em desenvolvimento, e assim interpretado pelo CNPq.
Com o entusiasmo de atuar em nível nacional e tendo a dimensão estratégica desta oportunidade nos lançamos na definição de um conjunto de ações que se iniciaram pela quantificação e qualificação da oferta de design em função das demandas que se identificaram nas reuniões de detalhamento do III PBDCT - Plano Brasileiro de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico.
Um recenseamento dos designers brasileiros a partir das listas dos formados pelas escolas de design foi o ponto de partida. A leitura atenta das respostas fornecidas em um longo questionário permitiu identificar primeiramente que 80% dos quase dois mil profissionais que responderam a esta pesquisa atuavam apenas marginalmente com design.
Este distanciamento da atividade pratica impedia a aquisição da experiência necessária para o atendimento das incipientes demandas industriais.
Impunha-se, portanto, qualificar a demanda. Uma inédita pesquisa sobre a oferta acadêmica foi realizada. Todas as escolas de design foram visitadas. Professores, servidores, alunos e ex-alunos foram entrevistados. Os resultados, publicados pelo CNPq, motivaram a criação de um grupo técnico para definir um currículo mínimo para os cursos de design.
Deste esforço saíram recomendações para mudanças estruturais no ensino do design, e para tanto, era necessário formar mestres e doutores. Mas de cinqüenta bolsas de estudos no exterior foram concedidas pelo CNPq para a área de design.
A massa crítica resultante destes investimentos deu origem ao mais formidável incremento da atividade docente no Brasil, que conta hoje com mais de 300 cursos superiores de design, em todas as suas especificidades.
3 de junho de 2010
O fim da infidelidade ou da fidelidade? A teoria de K-Pax

As novas tecnologias de localização e de comunicação, com a imagem sendo transmitida em tempo real, não comporta mentiras. Se hoje estas tecnologias são opcionais em breve poderão ser obrigatórias. Nesta hipótese todo ser vivente terá de informar onde se encontra para rápida localização em caso de emergência. Informação preciosa para sua proteção e preservação em caso de acidente, doença ou catástrofe eminente. Informação com o custo da perda da privacidade, do direito de se isolar, de se esconder do mundo. Basta uma câmara no formato de um “botom” mostrando aquilo que a pessoa esta vendo e fazendo, 24 horas por dia, transmitida em tempo real e com localização geográfica precisa.
Transportadas para a relação amorosa estas novas tecnologias serão eficaz instrumento de controle das ausências e distancia física. O conceito de monogamia existirá ou não. Deixando de ser um consenso passará a ser uma escolha individual. Novos comportamentos implicarão em novos contratos sociais. Estar com alguém deixará de ser uma expressão geográfica para ser uma expressão onipresente. No planeta K-Pax esta questão já foi aparentemente resolvida, segundo Prot seu mensageiro. Lá não existe família. As crianças são criadas por todos. É a primazia do individuo. Lá também não existem crimes, violências, etc. O sentido de certo e errado faz parte da consciência universal. Porém, de férias na terra Prot descobre o amor, casa, tem filhos, os perde e pira. Ponto final.
1 de junho de 2010
Os melhores anos de nossas vidas

Ivonete Gargioni, Gui Bonsipe, Marcelo Resende, Ignacio Urbina, Cleonice Cantele, Lucy Barroso, Antonio Mota, Eu, Tete Kaiser, Mariana Costa, Fernando Gerba, Fabio Rautemberg, Carlos Righi, Pedro Paulo Delpino, Maria Luiza Gomes, Maria Emilia Vignes, Marcos Prudencio,Celio Teodorico. Em baixo: Maria Cristina Paiva, Guilherme Nehring, Gerard Niermont, Claudia Floriano, Silia Kassumi, Regina Alvarez, Claudia Maynardes
31 de maio de 2010
Recortes

Revista eletrônica Design Brasil: Você foi editora dos livros do Laboratório Brasileiro de Desenho Industrial. Como foi essa experiência? Na sua opinião, há espaço no Brasil para o ressurgimento de algo similar ao LBDI?
Adélia Borges A experiência foi rica e curta. Terminou prematuramente por falta de recursos. O LBDI prestou um enorme serviço ao design brasileiro. Promoveu seminários internacionais memoráveis em que pudemos nos conectar com os colegas estrangeiros e nos conhecer melhor também. Acho que o vazio deixado pelo LBDI ainda está por ser preenchido.
20/06/2007
18 de maio de 2010
A realidade do artesanato não corresponde ao quadro que pintam
Grande parte daqueles que me seguem neste blog o fazem por interesse nos temas relacionados com o artesanato. Portanto, para estes escrevo hoje, mais como um desabafo do que como um especialista dando conselhos sensatos. Querendo ou não temos de avaliar o que representaram, nestes últimos anos, os investimentos realizados por organismos públicos e privados para o apoio ao artesanato e, o quanto isso representou em mudanças qualitativas na vida dos artesãos. Antes de tudo cabe lembrar que, atualmente, a renda média mensal na atividade artesanal não alcança um salário mínimo. Por outro lado podemos estimar, por baixo, que o investimento médio anual em cada estado da Federação não foi inferior a um milhão de reais, nos últimos dez anos. O melhor exemplo desta assimetria entre custo x beneficio são as feiras de artesanato. Os recursos necessários para realizar uma feira nacional de artesanato jamais se justificam frente às vendas realizadas. Se este dinheiro fosse transformado em poder de compra, seria muito mais relevante o resultado apurado, mudando o panorama de penúria que vive a atividade artesanal no Brasil. É certo que um dos maiores problemas do artesanato brasileiro é o escoamento da produção. Porém as feiras somente garantem a desova de estoques em venda de varejo. Os que conseguem firmar contratos futuros são uma exceção à regra que não ratificam os discursos de justificativas. Vivemos inventando a roda sem buscarmos apreender com outros países. Na vizinha Colômbia existe uma das maiores feiras artesanais do mundo, evento realizado sempre no mês de dezembro. Trata-se da “Expoartesanias”. Depois de uma década e meia constatamos seus erros e acertos sendo o mais expressivo seu faturamento diário beirando um milhão de dólares. Produtos inovadores focados na demanda interna – com a cara colombiana - parece ser seu segredo. Nós continuamos mirando na Europa, tentando interpretar o gosto alheio. Não podemos nunca nos esquecer que o artesanato tem um vinculo e compromisso com a cultura de origem, cujo consumo seja motivo de orgulho e admiração, antes de tudo, dos brasileiros.
17 de maio de 2010
O que representa participar de uma cooperativa artesanal?
Participar de uma cooperativa artesanal é compartilhar os mesmos valores, que são:
Confiança Mútua – Acreditar um nos outros, sabendo que todos trabalham para um mesmo objetivo comum. É saber que poderá contar com o trabalho de todos quando surgir uma demanda.
Solidariedade – Mais do que trabalharem juntos, os artesãos vivem uma vida conjunta e por isso sabem dos problemas de cada um. Ajudar nas dificuldades e apoiar quem necessita é apoiar a si mesmo.
Interdependência – Um por todos e todos por um. Como no lema dos escoteiros os associados necessitam um dos outros para produzirem e venderem o fruto de seu trabalho.
Aceitação das lideranças – Alguém deve seguir a frente e representar o grupo. O verdadeiro líder é aquele que todos confiam, pois por eles foi escolhido.
Participação direta – Cada artesão que participa é também dono da cooperativa, podendo e devendo exprimir suas preocupações, desejos, expectativas e sugestões. Eleger ou ser eleito para representar o grupo.
Sinergia – Significa que o resultado do trabalho de várias pessoas pode gerar um resultado melhor do que de uma pessoa agindo sozinha.
Visão Comum – Significa olharem todos na mesma direção, desejando as mesmas coisas, e fazendo o mesmo esforço.
Aprendizagem coletiva – Juntos é mais fácil conseguir uma capacitação. Juntos, um apreende com o outro e ajudam a formar a próxima geração.
Informalidade – Cada uma faz seu tempo, define suas horas de trabalho e seu compromisso é com o resultado. Pode com isso dedicar um tempo para outras atividades indispensáveis.
Ética – Significa não fazer tudo aquilo que você não gostaria que fizessem com você.
Confiança Mútua – Acreditar um nos outros, sabendo que todos trabalham para um mesmo objetivo comum. É saber que poderá contar com o trabalho de todos quando surgir uma demanda.
Solidariedade – Mais do que trabalharem juntos, os artesãos vivem uma vida conjunta e por isso sabem dos problemas de cada um. Ajudar nas dificuldades e apoiar quem necessita é apoiar a si mesmo.
Interdependência – Um por todos e todos por um. Como no lema dos escoteiros os associados necessitam um dos outros para produzirem e venderem o fruto de seu trabalho.
Aceitação das lideranças – Alguém deve seguir a frente e representar o grupo. O verdadeiro líder é aquele que todos confiam, pois por eles foi escolhido.
Participação direta – Cada artesão que participa é também dono da cooperativa, podendo e devendo exprimir suas preocupações, desejos, expectativas e sugestões. Eleger ou ser eleito para representar o grupo.
Sinergia – Significa que o resultado do trabalho de várias pessoas pode gerar um resultado melhor do que de uma pessoa agindo sozinha.
Visão Comum – Significa olharem todos na mesma direção, desejando as mesmas coisas, e fazendo o mesmo esforço.
Aprendizagem coletiva – Juntos é mais fácil conseguir uma capacitação. Juntos, um apreende com o outro e ajudam a formar a próxima geração.
Informalidade – Cada uma faz seu tempo, define suas horas de trabalho e seu compromisso é com o resultado. Pode com isso dedicar um tempo para outras atividades indispensáveis.
Ética – Significa não fazer tudo aquilo que você não gostaria que fizessem com você.
26 de abril de 2010
Carta da Terra

Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da explicitos nesta Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida.
Para ler a Carta da Terra:
http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html
14 de abril de 2010
59 anos do CNPq
Nesta semana o CNPq completa 59 anos de existência. Uma solenidade foi organizada para premiar os servidores que completam 25 anos de serviço e também para aqueles que se aposentam e, nestas circunstâncias, fui convidado para dizer algumas palavras que reproduzo abaixo para aqueles que não puderam estar presentes:
Aceitei com prazer esta convite para deixar uma mensagem não somente pela condição temporária de coordenador geral de recursos humanos, mas principalmente pelo fato de estar em situação funcional muito parecida com aqueles que são agora a prata da casa e também com aqueles que se aposentam.
Para os que completam 25 anos faço um agradecimento especial pelos anos de dedicação e de companheirismo. Vocês representam o verdadeiro e inalienável patrimônio institucional para os quais estamos voltando hoje nossos olhos e nossos esforços. Estamos tentando imprimir um novo ritmo de trabalho com uma nova diretriz que é a valorização das pessoas, passando inclusive a assinar desta forma todas nossas comunicações internas. Mais do que simples palavras uma determinação traduzida nas ações mais simples do nosso cotidiano.
Ser “prata da casa” além de uma justa homenagem é também uma forma de lembrar que cabe a vocês ajudarem a formar a nova geração de servidores, transmitindo o conhecimento que acumularam ao longo destes anos e também a visão de uma instituição pioneira e de referência em toda a América Latina no fomento da Ciência da Tecnologia e da Inovação.
Para aqueles que se aposentam compartilho minhas reflexões sobre este “rito de passagem” para o qual também estou me preparando para enfrentar dentro de alguns meses.
Para alguns que agora nos deixam será o momento de - após ter cumprido o dever - poder gozar a vida de modo mais relaxado, sem compromissos com ações e projetos, horários e prazos, dedicando-se mais ao convívio com a família e os amigos.
Tempo de colher à sombra os frutos de uma jornada que se iniciou há quatro décadas. Nada mais justo e compreensível. Este é afinal o objetivo da aposentadoria.
Contudo para poder aproveitar verdadeiramente este benefício é necessário estar preparado psicologicamente para aceitar e entender as mudanças na vida cotidiana, que vão desde a perda da referência física do espaço profissional até o gerenciamento do tempo ocioso.
Qualquer que seja o projeto desta nova etapa da vida que se inicia gostaria de lembrar que nunca é tarde para tentar realizar velhos sonhos.
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ao completar cinquenta anos de idade relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo assumindo o pseudônimo criado para si mesma. Cora Coralina. Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado pem 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos de idade e reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX.
José de Sousa Saramago é um escritor, dramaturgo e poeta português. Em 1975 quando era diretor do jornal Diário de Notícias em Lisboa foi demitido pelo militares e resolveu então dedicar-se apenas à literatura. Dois anos depois, quando tinha 55 anos de idade, publicou seu segundo romance “Manual de pintura e caligrafia” trinta após ter escrito seu primeiro livro. A partir deste momento não parou mais de escrever. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1998.
Como eles milhares de pessoas anônimas recomeçaram suas vidas depois dos 50 anos. Uma nova atividade, um novo lugar, um novo sonho a ser perseguido dão novo sentido à vida.
E para concluir gostaria de lembrar de um episódio com o poeta Mario Quintana. Quando tinha oitenta e quatro anos foi entrevistado por uma jovem jornalista que queria saber como ele ocupava suas horas vagas ao que ele respondeu “aprendendo inglês”. “Para quê?” pergunta ela surpresa, ao que ele responde afirmando que essa era uma boa fórmula de enganar a morte, ou seja, sempre fazendo planos a longo prazo.
Aceitei com prazer esta convite para deixar uma mensagem não somente pela condição temporária de coordenador geral de recursos humanos, mas principalmente pelo fato de estar em situação funcional muito parecida com aqueles que são agora a prata da casa e também com aqueles que se aposentam.
Para os que completam 25 anos faço um agradecimento especial pelos anos de dedicação e de companheirismo. Vocês representam o verdadeiro e inalienável patrimônio institucional para os quais estamos voltando hoje nossos olhos e nossos esforços. Estamos tentando imprimir um novo ritmo de trabalho com uma nova diretriz que é a valorização das pessoas, passando inclusive a assinar desta forma todas nossas comunicações internas. Mais do que simples palavras uma determinação traduzida nas ações mais simples do nosso cotidiano.
Ser “prata da casa” além de uma justa homenagem é também uma forma de lembrar que cabe a vocês ajudarem a formar a nova geração de servidores, transmitindo o conhecimento que acumularam ao longo destes anos e também a visão de uma instituição pioneira e de referência em toda a América Latina no fomento da Ciência da Tecnologia e da Inovação.
Para aqueles que se aposentam compartilho minhas reflexões sobre este “rito de passagem” para o qual também estou me preparando para enfrentar dentro de alguns meses.
Para alguns que agora nos deixam será o momento de - após ter cumprido o dever - poder gozar a vida de modo mais relaxado, sem compromissos com ações e projetos, horários e prazos, dedicando-se mais ao convívio com a família e os amigos.
Tempo de colher à sombra os frutos de uma jornada que se iniciou há quatro décadas. Nada mais justo e compreensível. Este é afinal o objetivo da aposentadoria.
Contudo para poder aproveitar verdadeiramente este benefício é necessário estar preparado psicologicamente para aceitar e entender as mudanças na vida cotidiana, que vão desde a perda da referência física do espaço profissional até o gerenciamento do tempo ocioso.
Qualquer que seja o projeto desta nova etapa da vida que se inicia gostaria de lembrar que nunca é tarde para tentar realizar velhos sonhos.
Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas ao completar cinquenta anos de idade relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo". Nesta fase, deixou de atender pelo nome de batismo assumindo o pseudônimo criado para si mesma. Cora Coralina. Seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás, foi publicado pem 1965, quando a poetisa já contabilizava 75 anos de idade e reúne os poemas que consagraram o estilo da autora e a transformaram em uma das maiores poetisas de Língua Portuguesa do século XX.
José de Sousa Saramago é um escritor, dramaturgo e poeta português. Em 1975 quando era diretor do jornal Diário de Notícias em Lisboa foi demitido pelo militares e resolveu então dedicar-se apenas à literatura. Dois anos depois, quando tinha 55 anos de idade, publicou seu segundo romance “Manual de pintura e caligrafia” trinta após ter escrito seu primeiro livro. A partir deste momento não parou mais de escrever. Ganhou o prêmio Nobel de Literatura de 1998.
Como eles milhares de pessoas anônimas recomeçaram suas vidas depois dos 50 anos. Uma nova atividade, um novo lugar, um novo sonho a ser perseguido dão novo sentido à vida.
E para concluir gostaria de lembrar de um episódio com o poeta Mario Quintana. Quando tinha oitenta e quatro anos foi entrevistado por uma jovem jornalista que queria saber como ele ocupava suas horas vagas ao que ele respondeu “aprendendo inglês”. “Para quê?” pergunta ela surpresa, ao que ele responde afirmando que essa era uma boa fórmula de enganar a morte, ou seja, sempre fazendo planos a longo prazo.
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