26 de novembro de 2017

01 de Maio – Dia Nacional do Design na França

Proponho, a quem de direito, que a partir de 2018 o dia 01 de maio seja considerado na França como o Dia Nacional do Design, fazendo uma justa homenagem a pessoa que mais batalhou pela promoção da cultura do design na frança. Anne-Marie Boutin, nasceu no dia 01/05/1938 e pelo ao menos, desde o ano que a conheci, foi a pessoa mais qualificada para falar sobre o design Francês. Nos encontramos pela primeira vez no congresso do ICSID em Amsterdam, 1984. Anne-Marie foi a primeira diretora do Les Ateliers de Paris, na época a mais interessante escola de design na Europa. Na visita que fiz descobri um modelo de ensino muito mais próximo da realidade influenciando minhas escolhas quando o tema era o ensino do design. Quando Luiza, minha filha caçula, teve de fazer o estagio de conclusão de curso e escolheu o Les Ateliers tomou a decisão mais sábia de sua vida. Era o lugar certo, na hora certa, com as pessoas certas. Les Ateliers dirigido por uma matemática que amava o design, de temperamento forte, postura dura, porém sensível as questões sociais e uma visão de futuro pelo qual todos lutamos. Foi fundadora e presidente da APCI (Agencia francesa para a promoção da criação industrial) até sua morte, no dia 20 de novembro passado. Criou em 1999 o premio Observatório do Design, considerado o Oscar do design francês. Passou a vida tentando conciliar o mundo do design com o mundo da política pública. Por sua defesa do design conquistou muitos desafetos, que jamais deixarão de reconhecer sua importância. Encontramos-nos poucas vezes. A meu convite veio ao Brasil contar um pouco sobre sua experiência como promotora do design. Sempre que passava por Paris tentava fazer-lhe uma visita de agradecimento. Considero improvável que alguém tenha dado sua vida mais do que ela pela valorização do design na França. Faleceu sem conseguir realizar seu maior sonho o Centro Nacional de Design que espero, mais dia menos dia, há de surgir.

2 de novembro de 2017

João Pessoa Cidade Criativa da UNESCO no artesanato e na arte popular

João Pessoa Cidade Criativa da UNESCO no artesanato e na arte popular é o titulo que a capital da Paraíba recebeu no último dia 31 de outubro após um longo processo, que poucos sabem começou alguns anos atrás. A cada dois anos a UNESCO lança o edital para que as cidades interessadas se inscrevam para entrarem na Rede. Quando o resultado é anunciado, meses mais tarde, muitos questionam, por desconhecimento, as razões porque essa ou aquela cidade foram aceitas e outras rejeitadas. Conhecer os mecanismos e exigências da UNESCO é fundamental antes de se fazer qualquer crítica responsável.
Para fazer parte da Rede da UNESCO é necessário responder satisfatoriamente uma serie de perguntas que uma cidade de pequeno porte terá grande dificuldade, dentre elas a existência de um mercado demandante compatível com a oferta de bens simbólicos; da existência de ações de envergadura internacional e do desejo e da capacidade de investimento do poder público. Essa simples razão explica o porquê da maioria das cidades da Rede serem capitais e poucas delas cidades do interior. Essa conquista foi obtida não somente pelos méritos e ativos culturais que a cidade ostenta ou pelos investimentos na economia criativa realizados nos últimos cinco anos, mas também por suas propostas de futuro. São ações que quando realizadas a partir de 2018 abrirão novos mercados para o artesanato Pessoense, Paraibano, Nordestino e Brasileiro seja através da cooperação técnica internacional, seja pela participação em eventos especializados para os quais nossos talentosos artistas serão constantemente solicitados em participar. Do seleto grupo de 180 cidades de todo o mundo que compõe a Rede da UNESCO apenas oito cidades brasileiras conseguiram até o momento essa façanha. São elas: Brasília e Curitiba no design, Salvador na música, Belém, Florianópolis e Paraty na gastronomia, Santos no cinema e João Pessoa no artesanato.
João Pessoa se destaca em todas as sete áreas da Economia Criativa definidos pela UNESCO. A decisão de priorizar o artesanato e a arte popular em seu dossiê de candidatura foi em razão de ser um segmento que necessita do poder público por sua fragilidade sócia econômica e pelas possibilidades de ações transversais com o design, o turismo e a gastronomia, criando uma espiral virtuosa. Receber esse título é sem dúvida razão para comemorar, mas também para se preocupar em realizar o que foi prometido. Para isso será necessário à participação de todas as instituições e lideranças envolvidas com a Economia Criativa, seja em nível municipal, estadual ou federal, deixando de lado as intrigas e picuinhas políticas do passado. Afinal estamos olhando para o futuro e para o bem comum. Uma cidade criativa é antes de tudo colaborativa.

31 de outubro de 2017

João Pessoa - Cidade UNESCO do Artesanato

João Pessoa foi escolhida, junto com Brasília (design) e Paraty (gastronomia), para se integrarem a Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO. O objetivo dessa rede é posicionar a economia criativa no centro das políticas publicas municipais, estimulando o intercâmbio de especialistas e divulgando as melhores práticas em ações de interesse comum. João Pessoa foi reconhecida por sua riqueza cultural, expressa através de sua arte popular e de seu artesanato, dos ativos existentes no município e por sua visão de futuro apresentada em um plano de trabalho inovador. Dentre as ações previstas para o próximo ano está a criação de um Laboratório de Inovação e Design para o Artesanato e a realização de uma Feira Internacional de Artesanato com a participação de artesãos e artistas convidados de outras cidades da Rede. No próximo encontro anual das cidades criativas, em junho de 2018 na Polônia, João Pessoa será apresentada à Rede juntamente com as demais 63 cidades do mundo escolhidas pela UNESCO. Esse reconhecimento da UNESCO foi obtido graças ao esforço coordenado pelo SEBRAE na elaboração do dossiê contemplando todas as exigências deste processo de designação que ocorre somente a cada dois anos. O comunicado foi feito pela diretora da UNESCO, Irina Bokova, neste 31 de outubro de 2017.

2 de julho de 2017

Retrospectiva profissional

2016 Professor estrangeiro visitante no Tecnológico de Monterrey, Campus Puebla. Participa da Reunião Anual das Cidades Criativas da UNESCO em Ostersund / Suécia e da Reunião de Pequin na China, representando Florianópolis. Propõe a criação do Laboratório de Inovação Cultural em Puebla e coordena o projeto Saberes e Sabores de Puebla, patrocinado pelo Governo de Puebla. Membro Honorário do Conselho Consultivo da licenciatura de design da Universidade Iberoamericana de Puebla / México. Palestrante convidado no 4º Encontro Latino-americano de FoodDesign em Ensenada / México.
2015 Participa da Reunião anual da Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO em Kanazawa / Japão, representando a cidade de Florianópolis. Conferencista convidado pela Universidade do País Basco em Danostia / Espanha. Coordena o projeto Saberes e Sabores de Santa Catarina. Contratado como Professor estrangeiro visitante no Tecnológico de Monterrey, Campus Puebla muda-se para o México. Professor líder no projeto Betterware Design-lab. Professor convidado no Programa Internacional de Design Thinking e Inovação em Negócios do Design and Bussiness Innovation Institute em Guadalajara / México. Professor convidado na Universidade de Misiones e Universidade de Rosário / Argentina.
2014 Coordena a reformulação do Prêmio SEBRAE TOP 100 para sua 4ª edição. Realiza cursos sobre Design Territorial em Buenos Aires e Pergamino / Argentina. Palestrante convidado no Congresso Factor. Querétaro / México. Palestrante convidado pelo Centro de Design de Oaxaca. Conferencia Magistral na Universidade Iberoamericana de Puebla. Palestra na Universidade da Fronteira Norte em Tijuana. Realeza o workshop de Design Territorial em Ensenada / México e em Florianopolis na Universidade de Santa Catarina. Elabora por solicitação do SEBRAE Nacional a “Cartilha do Artesanato Competitivo”.
2013 Retorna à Florianopolis. Elabora proposta de inserção de Florianópolis na Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO. Diretor de Inovação da Associação FloripAmanhã.
2012 Cria e coordena a realização do projeto “Passaporte Cultural” no âmbito do CNPq patrocinado pelas embaixadas da Argentina, Bélgica, Espanha, Índia, México, Portugal, Peru e Suécia. Elabora para o SEBRAE Nacional o “Termo de Referência sobre Economia Criativa”
2011 Cria e coordena os Primeiros Jogos Internos do CNPq. Uma experiência pioneira de gestão do design aplicada na administração pública. Elabora para Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura o projeto de criação da “Rede Brasileira de Cidades Criativas”, patrocinado pelo ITAU/ Cultural. Coordena a 3a Edição do Prêmio SEBRAE TOP 100 do Artesanato Brasileiro. Palestrante convidado no “3º Foro de Inovação das Américas” realizado em Montevidéu / Uruguai.
2010 Realiza pesquisa sobre Matriz Identitária em três municípios do Nordeste: Porto de Sauípe (BA), Alagoa Nova (PB) e Barreirinhas (MA). Participa do grupo curador do Projeto Talentos do Brasil e redige a “Cartilha das Artesãs”, publicado pelo Ministério da Agricultura. Assume a Coordenação Geral de Recursos Humanos do CNPq, em Brasília, criando o Programa de Educação Corporativa de mestrado e doutorado “in company”.
2009 Contratado pela Fundação Catarinense de Cultura para desenvolver o projeto do Prêmio “Mérito Cultural Catarinense”. Participa em São Paulo como palestrante do Fórum de negócios Brasil / México. Participa como convidado da UNESCO do primeiro Fórum Mundial das Indústrias Criativas, realizado em Monza na Itália. Palestrante convidado da Municipalidade de Buenos Aires; da Federação Industrial da Argentina e do Centro Metropolitando de Diseño.
2008 Redige e publica, Pelo Instituto D´Amanhã o livro “Parintins – Duas faces da mesma moeda”. Coordena a segunda edição do Prêmio SEBRAE TOP 100 do Artesanato Brasileiro. Realiza planejamento estratégico da Fabrica da Pedra em Alagoas e do programa de Artesanato do Estado do Maranhão. Coordena o projeto denominado “Saberes e Sabores do Maranhão" patrocinado pelo Governo do Estado.
2007 Convidado pela UNESCO para integrar o grupo de consultores do Programa Design 21 – Social Design Network. Redige, a pedido do SEBRAE, o livro “Estratégias de Design e Inovação para as pequenas e micro empresas”. Convidado para participar como palestrante no Fórum Internacional de Design em Monterrey / México, organizado pela UDEM. Coordena a realização do Fórum Internacional do Design Social realizado em São Paulo. Preside o comitê de Inovação e Design do Word Trade Center / Clube de Negócios de São Paulo. Participa como especialista convidado da pesquisa “O futuro do turismo em Santa Catarina” coordenada por Domenico de Massi.
2006 Coordena o Projeto “Top 100 do Artesanato Brasileiro” patrocinado pelo SEBRAE. Ministra curso sobre Gestão do Design para grupo de professores do Instituto Tecnológico de Monterrey / México. Ministra as Disciplinas de “Ética, identidade Cultural e cidadania; e Projeto experimental de Identidade pessoal” no curso de Design da UNISUL. Presidente do Júri do 41º Festival Folclórico de Parintins – Amazonas. Presidente do Júri da etapa eliminatória do concurso AngloGold Ashanti de Design de Jóias – São Paulo. Presidente do Júri do Prêmio Top 100 do artesanato brasileiro. Presidente do Júri do II Salão Municipal de Artesanato da Prefeitura de Fortaleza. Membro do Júri da UNESCO para outorga do selo de excelência do artesanato do da América Central e Caribe em Havana / Cuba.
2005 Coordena o processo de planejamento estratégico de criação da A2D – Agencia para a promoção do design cerâmico. Coordena o processo de criação e implementação dos Programas de Artesanato das Prefeituras de Fortaleza CE; Prefeitura de São Luis – MA e do SEBRAE Amazonas. Desenvolve para o CEART – Centro de Artesanato do Ceará na uma ferramenta de avaliação de produtos. Propõe e criação de um Prêmio nacional para o artesanato competitivo, denominado “TOP 100 do Artesanato Brasileiro” cujo patrocínio foi assumido pelo SEBRAE Nacional. Ministra as Disciplinas de “Ética, identidade Cultural e cidadania; Projeto experimental de Identidade pessoal e Projeto experimental de design de produtos” no curso de Design da UNISUL. Ministra a disciplina “Design Urbano e identidade local” no curso de pós-graduação sobre Interpretação do patrimônio no Centro de Estudos Olga Mettig em Salvador /Bahia. Ministra palestras em: Aracaju/SE (Inauguração da Incubadora de Empresas de Design); Belo Horizonte/MG (Seminário sobre a Estrada Real); Blumenau/SC (Semana de Design da FURB); Colatina/ES (Seminário para setor têxtil e confecções); Florianópolis (1º Fórum Design Cerâmico); Fortaleza/CE (Seminário Internacional de Artesanato); Goiânia/ GO (Semana do artesanato); Guaramiranga/CE (seminário de avaliação do CEART); Londrina/PR (Casa Cor); Rio de Janeiro/RJ (Seminário de avaliação do PSA- SEBRAE); São Paulo/SP (Evento Mãos que fazem o Brasil); Teresina/PI (Casa Piauí/2005). Homenageado durante as comemorações dos 10 anos da APDesign – Associação dos Designers do Rio Grande do Sul. Presidente do Júri do 40º Festival Folclórico de Parintins/AM.
2004 Coordena a segunda Oficina de Design Urbano em São Desidério / Bahia. Coordena o Projeto de pesquisa Iconográfica do Rio Grande do Norte, publicado pelo SEBRAE/RN. Participa como jurado do Prêmio da UNESCO de Artesanato para América Latina e Caribe na cidade de Salvador. Coordena o Planejamento estratégico para a comunidade de artesãs da Reserva Mamirauá / Amazonas e para Prefeitura de São Luis / Maranhão. Contratado como conferencista para os seminários promovidos pela AngloGold em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Contratado como consultor em Design Estratégico pela Dryzun Joalheiros / São Paulo. Participa como especialista convidado do SGT-7 Mercosul para definição da nomenclatura relacionada com o artesanato. Palestrante convidado pela Universidade Católica do Chile. Participa como conferencista convidado em eventos especializados nas cidades de Cabo Frio, Londrina, Maceió, Nova Friburgo e João Pessoa.
2003 Coordena o Primeiro Workshop sobre Design Urbano do país, realizado na cidade de Barra de São Miguel / Alagoas. Participa do grupo técnico encarregado de redigir o Termo de Referencia para o programa Nacional de Artesanato do SEBRAE. Coordena os Projetos de Pesquisa Iconográfica do Paraná, publicado pelo SEBRAE/PR e do Maranhão. Publicado pelo Governo do Estado. Participa com o palestrante convidado em eventos realizados nas cidades de: Araxá, Belo Horizonte, Cascavel, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Londrina, Maringá, Natal, Pato Branco, Porto Alegre, Salvador, São Luis e Vitória. Redige o projeto pedagógico para criação do Curso Superior de Design na UNISUL /Florianópolis.
2002 Coordena em Bogotá um workshop de duas semanas sobre a Nova Joalheria Colombiana e outro sobre a utilização do Bambu na cidade de Cajueiro em Alagoas. Cria os dois primeiros cursos de pós-graduação em Design Estratégico no país, realizados nas cidades de Maceió/AL e Natal/Rn. Professor convidado do Mestrado em Gestão do Design na Universidade de Guadalajara / México. Coordena Missão Técnica do SEBRAE à Colômbia e ao México. Coordena o projeto de pesquisa “Memória do Artesanato Brasileiro” cobrindo os 27 estados brasileiros, publicado em CD-ROM pelo SEBRAE.
2001 Coordena com a empresa O2 um Workshop de design para Mosaicos Venezianos em Cuernavaca para desenvolvimento de novos produtos. Contratado pelo SEBRAE/Alagoas para coordenar a implantação do Programa Via Design no Estado. Ministra curso de aperfeiçoamento sobre Gestão Cultural em Belo Horizonte e participa como professor convidado do III Curso Intensivo para o Setor Artesanal realizado na Embaixada da Espanha em Santa Cruz de la Sierra – Bolívia. Redige o projeto de criação da Incubadora de empresas de design para a cidade de Fortaleza.
2000 Convidado pelo Sistema CRECE – Centros Regionais de Competitividade Industrial do México, como palestrante nas cidades de Acapulco, Cuernavaca, Guerretaro, Distrito Federal e Monterrey. Coordena o planejamento estratégico da Empresa Mosaicos Venezianos de México. Em Fortaleza coordena o planejamento estratégico do Programa Cearense de Design. Redige o Projeto "Infraestrutura sustentada para o artesanato do Estado do Pará". Forma a segunda turma de designers do Centro de Design do Ceará durante a segunda Semana Cearense de Design.
1999 Coordena Missão técnica do SEBRAE à Colômbia e ao México para conhecer Programas de apoio ao Artesanato. Realiza em Fortaleza o Primeiro Encontro Ibero-Americano de Design e Artesanato com o patrocínio do Governo da Espanha. Publica o Catálogo de Produtos Artesanais do Pará e do Piauí. Redige o projeto do Museu do Mar do Ceará. Realiza em Fortaleza o primeiro curso de pós-graduação em Design Digital.
1998 Realiza a pesquisa sobre a Demanda de Design no Nordeste do Brasil. Assessora o SEBRAE/Pará na implantação do Programa Estadual de Artesanato. Coordena a realização do Pará Design'98. Coordena em Fortaleza o Workshop de Análise dos Institutos e Laboratórios de Design. Realiza a Pesquisa de Identificação dos Produtos Artesanais do Piauí. Organiza a Primeira Semana Cearense de Design formando a primeira turma de designers do Centro de Design do Ceará. Designado pelo ICSID como Conselheiro regional para a América Latina.
1997 Contratado para coordenar a implantação e dirigir o Centro de Design do Ceará. Conferencista convidado do Congresso “The Human Village”, realizado em Toronto / Canadá. Consultor técnico na criação do Programa Brasileiro de Design para o setor cerâmico, na montagem do Programa Via Design, do SEBRAE/RS e na implantação do Programa de Artesanato do Piauí. Coordenador técnico do Workshop “Identidade dos produtos gaúchos”. Desenvolve o projeto de diagnóstico da competitividade da Indústria têxtil da Colômbia. Professor convidado nos cursos oferecidos pela Fundação Espanhoa de Artesanato, realizados no Brasil e Bolivia. Agraciado com o prêmio do mérito profissional concedido pelo CODIGRAM, durante o IV Congresso Mexicano de Design. Cria a empresa Barroso Design Ltda.
1996 Participa em Lyon/França da criação da Associação Internacional Design Sem Fronteiras. Organiza no Rio de Janeiro o Primeiro Fórum de Integração do ICSID na América do Sul. Organiza em Florianópolis o Seminário Internacional “Mar / A nova fronteira do design”. Participa do Seminário de Integração do ICSID em Nagoia/ Japão. Organiza em Bogotá / Colômbia o Seminário Internacional “Diseño sin Fronteras” com a participação d a diretoria do WCC- World Craft Council. Coordena a realização do Workshop Armênia'96 para desenvolvimento de novos produtos artesanais. Participa do Interdesign México'96 coordenando o grupo de projetos de embalagens para produtos típicos de Morelos. Desenvolve o projeto de criação do Centro de Design do Ceará.
1995 Coordena na Colômbia a criação dos Laboratórios de Design para o Artesanato e a Pequena Empresa. Convidado pelo Ministério do desenvolvimento econômico da Colômbia redige o Programa Prometheus “Programa Colombiano de Diseño”. Convidado pelo Ministério da Indústria e Comércio do Brasil elabora termo de referência para criação do Programa Brasileiro de Design. Coordena em Anvérs/Bégica um seminário denominado “Les Jeux du Design”. Professor convidado pela ECAL/Suíça; Ecole des Beaux-Arts de Nancy e de Lyon/ França; Universidad de Nuevo Leon/ México e Festival de Inverno de Ouro Preto. Organiza em Florianópolis o Fórum “Design no Mercosul” e passa a coordenar o Programa Catarinense de Design. Participa ainda de eventos na África do Sul, Chile, Itália, México e em Taiwan, onde se reelege para um segundo mandato como diretor do ICSID, tendo sido o candidato mais votado com mais de 90% dos votos.
1994 Convidado pela Universidade Nacional de Córdoba para acompanhar, como professor visitante, o desenvolvimento dos projetos de graduação da primeira turma de alunos de Design Industrial. Convidado por Artesanais de Colômbia para montar um Programa de Design para apoiar o setor artesanal. Coordena o Interdesign Colômbia 94. Convidado pelo Governo da Coréia do Sul para participar do Programa Design Clinic, prestando assessoria a três empresas. Participa de eventos organizados pelo ICSID na Alemanha e Suécia. Organiza em Florianópolis o Fórum Internacional Design e Diversidade Cultural com convidados de cinco continentes. Participa do Primeiro Congresso Brasileiro de Design como coordenador do grupo de formação do Condesign - Conselho Nacional de Design. Presta assessoria em design estratégico para a Cerâmica Cecrisa de Santa Catarina. Cria o Prêmio Brasileiro de Design Cerâmico. Ministra cursos na ECAL/Suíça; IED/Itália; Universidad de Valparaise/ Chile; Tecnológico de Monterrey/México; Centro Diseño La Recolleta e UNC/Argentina; Universidad Tadeo Lozano, Universidad de los Andes e Universidad de Risaralda/ Colômbia; PUC/RS, UFPB e ESDI/Brasil.
1993 Participa em Barcelona/Espanha, do Seminário Internacional sobre Centros de Design. Participa como professor convidado de workshop de projetos para Elf-Etochen, realizado na cidade de La Roche sur Foron / França. Novamente professor convidado do IED/Milão e ECAL/Suíça. Palestrante convidado na ESCP/Paris e Université de Compiégne. Indicado para concorrer a direção executiva do ICSID – Conselho Internacional das Sociedades de Design Industrial, é eleito no congresso de Glasgow/Escócia, passando a ser o primeiro designer do hemisfério sul a chegar a esta posição. Participam desta diretoria Mai Felip/Espanha, Uwe Bahnsen/Suíça, Dieter Rams/Alemanha, Alexander Manu/ Canadá, Jens Bernsen/Dinamarca, Gianfranco Zaccai/Estados Unidos, Kazuo Morohoshi/Japão e Zbynek Vokrouhlicky/ República Tcheca. Realiza em Florianópolis o Interdesign Brasil 93, sobre os “Usos criativos da madeira reflorestada”.
1992 Com bolsa da CAPES, participa do Curso de Design Management, oferecido pela Domus Academia, em Milão. De regresso ao Brasil organiza em Curitiba o Workshop Internacional “Renovação Tecnológica em Design”. Participa do Congresso Havana 92’ como conferencista convidado. Professor convidado do IED/Milão; ECAL/Suíça, ISDI/Havana e UAM/México, onde ministra cursos sobre Gestão do Design.
1991 Coordena missão técnica à Itália, Suíça, França e Espanha, com o objetivo de conhecer experiências didático-pedagógicas de ensino do design, estabelecer intercâmbio com as universidades e levantar subsídios para elaborar proposta de curso de mestrado em design para PUC/Paraná. Participa como especialista convidado do Ministério da Saúde sobre Seminário Franco Brasileiro sobre Tecnologia de produtos / Brasília. Palestrante convidado para o Primeiro NDesign / Curitiba. Participa do Workshop “Avaliação e Perspectivas em Design” organizado pela FUMA e CNPq / Belo Horizonte. Membro do Júri do primeiro Concurso Brasileiro de Design de Jóias – promovido pelo IBGM e H.Stern / São Paulo.
1990 Organiza em Florianópolis o Workshop Internacional “O Ensino do Design Industrial” reunindo representantes de 45 Universidades da América Latina e Europa dando início à Rede Latino-Americana de Intercambio entre docentes de Design. Publica o primeiro cadastro de professores de Design da América latina e Caribe. Colabora na organização da Primeira Bienal Brasileira de Design, em Curitiba. Convidado para participar como conferencista na Universidade Católica do Chile e na Universidade de Valparaiso.
1989 Participa como conferencista convidado do IV Congresso da ALADI em Cuba e de Seminário promovido pela UAM/Azcapotazlco no México. Cria no LBDI o regime de residência para designers recém-graduados. Inicia a pesquisa sobre as embarcações de pesca artesanal no sul do Brasil. Relator do Subgrupo de Design Industrial do Programa de Avaliação em Ciência e Tecnologia do CNPq.
1988 Transforma o LDP-DI/SC no LBDI – Laboratório Brasileiro de Design. Cria o Núcleo de BioDesign com o apoio do Ministério da Saúde. Coordena o workshop “O Ensino do Design nos Anos 90” realizado em Florianópolis, que reuniu todas as escolas de design do país, dando origem à “Carta de Canasvieiras” documento-marco que propôs a criação da ABEND - Associação Brasileira de Ensino do Design e a mudança da denominação dos cursos de Desenho Industrial para Design Industrial e Programação Visual para Design Gráfico.
1987 Transfere-se para Florianópolis para dirigir o LDP-DI/SC - Laboratório de desenvolvimento de produtos e desenho industrial de Santa Catarina, criado e, até então, dirigido por Gui Bonsiepe. Assessora a FUCAPI/Manaus na criação de uma Unidade de Design. Elabora Projeto de Criação de um Centro de Design por solicitação da Agência de Desenvolvimento do Rio de Janeiro.
1986 Convidado pela Empresa Vittel, da França para um concurso “Projeto da Garrafa de Água do ano 2000”. Participam do Concurso Philippe Starck, Gaetano Pesce, Emilio Ambasz, James Wines, Peter Cook. Seu projeto é comprado pela empresa e exposto no Centro Georges Pompidou de Paris, tendo sido publicado em mais de 50 revistas em todo o mundo. Licencia-se do CNPq e retorna para Belo Horizonte para trabalhar como designer da Empresa P&B, com João Delpino, onde desenvolve projetos de embalagens para indústrias de cosméticos, dentre estes a Linha Ágilis para Água de Cheiro. Contratado pela FUMA para ministrar a disciplina de Projeto de Produto para os alunos do último período.
1985 Organiza na Bahia a primeira Feira Brasileira de Tecnologia de Alimentos em Itabuna. Acompanha a implantação de Programas de Tecnologia Apropriada nos estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
1984 Obtém bolsa de estudos do Governo Italiano/ Ministério de Assuntos Estrangeiros, para participar de Curso de Especialização em Desenvolvimento Rural em Lucca / Itália. Retornando ao Brasil é designado pelo SESU/MEC – Secretaria de Estudos Superiores do Ministério da Educação para coordenar o grupo de especialistas encarregado de estudar e propor reformas para o ensino do Design. Realiza, no Rio de Janeiro, o Primeiro Encontro dos Diretores das Escolas de Design do Brasil em paralelo ao 3º Congresso da ALADI - Associação Latino Americana de Design Industrial.
1983 Cria e coordena o PTTA - Programa de Transferência de Tecnologias Apropriadas ao Meio Rural, envolvendo vários órgãos federais. Realiza a maior pesquisa sobre a oferta de design já feita no Brasil, cadastrando 1500 profissionais. Coordena a pesquisa sobre o Ensino de Design no Brasil que resulta na publicação “Desenho Industrial Brasileiro – Uma perspectiva educacional”, coordenado por Geraldina Porto Witter e Silvana Goulart.
1982 Cedido para o CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, muda-se para Brasilia, para implantar com Gui Bonsiepe um Programa de apoio ao Design. Organiza o espaço Design na II FEIRA Brasileira de Negócios em São Paulo. Organiza a Rio Export Design no Rio de Janeiro com o apoio do Escritório Verschlaisser e Visconti. Redige e publica o primeiro Catálogo sobre a Oferta Brasileira de Empresas de Design do País. Coordena e publica os melhores projetos do Primeiro Concurso Nacional de Tecnologias Apropriadas / Equipamentos agrícolas.
1981 Trabalha como designer na Prefeitura Municipal de Lausanne, desenvolvendo projetos de mobiliário urbano e adaptações de exposições, entre elas “Le temps de Gare” do Centro Georges Pompidou. Conclui o Curso de “Master em Design” com a Tese “Manual de Recomendações sobre Mobiliário Urbano”. Retorna ao Brasil e cria o Núcleo Básico de Design, primeira Associação de Designers de Minas Gerais. Publicado pelo CNPq a versão em português do livro “Estratégia de Design para os países periféricos” prefaciado por Gui Bonsiepe e publicado na França pelo CRCT – Centro de Pesquisa da Cultura Técnica.
1980 Desenvolve trabalhos de design de mobiliário para o Bureau Nisse Strinning atendendo demandas de indústrias da Alemanha, Itália e Suécia. Obtém bolsa de estudos para fazer o Curso de Especialização da EPFL – Ecole Polithecnique Federale de Lausanne, sobre “Estratégias para Países em vias de Desenvolvimento”. Com Fabrício Vanden Broeck e Thomas Kollbrunner, escreve e publica na Revista DIN – Design Information Network, a monografia “Estratégia de Design para os paises em desenvolvimento”.
1979 Obtém bolsa de estudos do CNPq e muda-se para Lausanne / Suíça, para fazer pós-graduação na ECAL – Ecole Cantonale de Beaux Arts et d`Art Aplique de Lausanne. Em parceria com Gerard Niermont projeta o stand da ECAL na Feira das Invenções de Genebra.
1978 Participa do projeto de Sinalização de Segurança para VALEP coordenado por João Delpino. Coordena a equipe que desenvolve o Projeto de Sinalização do Hospital do Instituto de previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais. Desenvolve inúmeros projetos de design gráfico para a Coordenadoria de Cultura do Estado de Minas Gerais, principalmente material de divulgação de eventos.
1977 Participa do Projeto de Sinalização Urbana da Cidade de Ouro Branco /MG e realiza projetos de programação visual para diversos estabelecimentos comerciais, tais como, Construtora Brazão; Construtora Reside, Papelaria Rex; Confecções Gulp; Laboratórios Biotest; Farmácias Catalão.
1976 Desenvolve projeto de Sinalização Urbana para Prefeitura de Belo Horizonte, apresentado no DESIGN 76’ Congresso de Design realizado pela ABDI em São Paulo. Como free-lance desenvolve projetos de Programação Visual para diversas empresas comerciais.
1975 Participa do Projeto de Mobiliário Urbano contratado pelo Programa 06 do Ministério da Indústria e Comércio. Desenvolve como free-lance, projetos de comunicação visual para a rede de Farmácias Santa Marta e as empresas Acqua; Irmãos Fernandes e Fayal.
1974 Realiza viagem à Europa visitando 11 países. Aprovado no vestibular para o Curso Superior de Desenho Industrial na UMA - Universidade de Minas Gerais. Desenvolve projeto de Sinalização institucional e participa do projeto de Sinalização Urbana para a Cidade de Contagem.
1973 No dia 13 de janeiro é contratado pelo CETEC - Centro Tecnológico de Minas Gerais - para o cargo de designer/comunicador visual. Participa da equipe de desenvolvimento do Projeto do Edifício sede da USIMINAS coordenada por Álvaro Hardy. Ganha em parceria com Marcelo Resende concurso de Programação Visual da CEMIG.
1972 Inicia os estudos superiores de Artes Plásticas na Escola Guignard. Começa trabalhar com o arquiteto Álvaro Hardy em projetos de design gráfico. Participa como ilustrador da revista de humor "Aliás". Ganha o primeiro prêmio no Salão de Arte de Divinópolis, Menção Honrosa no Salão Antônio Parreiras de Juiz de Fora e no Primeiro Salão Global de Inverno BH promovido pela Rede Globo.
1971/70 Colaborar com o arquiteto Cid Horta na apresentação de projetos entre eles da Igreja Santana da Serra e Postos de Gasolina para Texaco.
1969 Contratado para trabalhar como o arquiteto Alvimar Moreira como desenhista e ilustrador na Construtora Penaco, em Belo Horizonte.
1968 Contratado como desenhista técnico pela Construtora Fayal S/A. 1967 Primeiras lições de desenho e pintura com José Renato Pimentel.

23 de junho de 2017

Tactica y estrategia

Mi táctica es 
mirarte 
aprender como sos 
quererte como sos 

mi táctica es 
hablarte 
y escucharte 
construir con palabras 
un puente indestructible 

mi táctica es 
quedarme en tu recuerdo 
no sé cómo ni sé 
con qué pretexto 
pero quedarme en vos 

mi táctica es 
ser franco 
y saber que sos franca 
y que no nos vendamos 
simulacros 
para que entre los dos 
no haya telón 
ni abismos 

mi estrategia es 
en cambio 
más profunda y más 
simple 

mi estrategia es 
que un día cualquiera 
no sé cómo ni sé 
con qué pretexto 
por fin me necesites”
Empezar por ese poema de Mario Benedetti lo hizo motivado por dos razones. Para dar un ejemplo poético sobre lo que sea táctica y estrategia y aún por creer que solo las cosas que nascen en el corazón pueden, y deben, prosperar. ¿Cuál es la diferencia entre táctica y estrategia? La primera es el método y la segunda el objetivo. Son palabras militares. Con las tácticas se gañan las batallas y con la estrategia se gaña la guerra. Estrategia significa utilizar acciones tácticas y operacionales para conquistar o mantener un territorio. Aplicar esos conceptos al diseño significa tener muy en claro donde queremos llegar y por cuales caminos.
Diseño nos es solo método, que se imparten en las escuelas y se perfeccionan en la vida real. Diseño es saber utilizar el método para lograr en el final una respuesta para un problema, de modo innovador, sorprendente y bello.
Esa afirmación me obliga definir mis conceptos para: Innovador, sorprendente y bello. Innovador significa lograr que su creación original sea comercializada o utilizada, pues si ese producto o servicio no llega en la vida real, para nada sirvió. La diferencia entre invención y innovación es que la primera amplia la frontera del conocido y la segunda los resultados están disponibles y accesible, sea en el mercado o en la vida cotidiana. Crear y innovar. Dos cosas distintas. Solo acumular experiencias y conocimientos, mismo que novedosos, sin aplicación en la vida real suena ser una patología mental. Hay que buscar viabilizar nuestras ideas y nuestros sueños. Y los sueños que se suena juntos son los mejores.
Diseño es design. Design significa proyecto. Y proyecto es una secuencia de actividades con fechas y costos pre definidos donde el resultado final es algo que hasta entonces no existía. Proyectar (o diseñar) es construir nuevas realidades. Es ampliar el mundo material y visual en que vivimos. Esa dimensión humana del diseño, capaz provocar cambios de comportamientos, implica en una enorme responsabilidad socio, cultural y ambiental. Innovar sin impactar debería ser el paradigma de los diseñadores del siglo XXI.
El buen diseño tiene aún que sorprender. Y solo el corazón, a través de ritmo de sus latidos, determina nuestro grado de satisfacción y encantamiento. El diseño tiene que tocar el corazón, pues también nasce en el corazón. No se hace diseño sin emoción. Del corazón nascen las ideas más espontaneas y las respuestas más verdaderas. El corazón es la brújula de la intuición, otro atributo indispensable de un diseñador y temerario para un ingeniero. Nuestra decisiones finales casi siempre ocurren dentro de una lógica nebulosa, donde dos más dos no son necesariamente cuatro.
Y por final tiene que ser bello o por lo menos llegar muy próximo de un estándar de calidad estética definido por su público blanco. Los conceptos de equilibrio y harmonía non son los mismos para todos. Como cantaba Caetano Velloso; “…bello es solamente lo que es espejo”.
Entonces miremos-nos en el espejo. ¿Quién somos? Somos seres singulares, con experiencias diferentes. Esa singularidad es que define nuestra identidad, el más precioso atributo que disponemos. Por eso la primera cosa es amar a sí mismo. Tener el auto estima siempre arriba. Creer en su propia capacidad de lograr sus sueños. Esa singularidad es lo que diferencia los productos y servicios de calidad en un mundo cada vez más competitivo. Sea en el mercado o en el campo de las ideas. Por eso hay que buscar nuestras raíces culturales, revisitar nuestro pasado, decodificar nuestro repertorio cultural para sacar ideas aun singulares.
Por fi, tenemos que contextualizar el campo y los limites de nuestra actuación. Tiempo y lugar determinan las respuestas a los problemas. El diseño nasció como una respuesta a las necesidades de una era industrial. Vivimos hoy en un mundo posindustrial, virtual e intangible, en una sociedad de bienes simbólicos creados pelos nuevos agentes culturales de la economía creativa. Así mismo, hasta la luz de hoy, las universidades insisten en graduar diseñadores industriales o diseñadores gráficos, cuando deberían estar graduando solamente diseñadores, sin esas especializaciones anacrónicas. Siguen enseñando diseño como se fuer los años setenta. Los límites de nuestra actuación no son más definidos por nuestra formación académica. Son fruto de nuestra capacidad de actuar como agente de cambio y menos como experto.
El valor de las cosas está siendo definido por criterios intangibles. As marcas sirven exactamente para eso, definir el valor intangible de la empresa y de sus productos y servicios. Lo que no tiene marca es genérico. Marcas o productos sin tener una distinción, son genéricos. Para ser genérico no necesita ser bueno. Basta cumplir sus funciones y ser barato. Existen muchos diseñadores genéricos. Quizás la mayoría, con o sin diploma, que laburan para sobrevivir. Para un joven diseñador, en ese mercado de supervivencia, no basta ser creativo. Hay que ser ágil, eficaz, agradable y barato.
Por otra parte el mercado esta se poniendo cada día más plural, más diversificado, donde los distintos públicos definen su lugar, espacio e códigos comunes, La teoría de la Cola Larga de Cristian Anderson explica mejor ese fenómeno. Existen nichos para todo tipo de productos o servicios. Basta cada uno descubrir el suyo. Solo así podrá determinar el precio de su trabajo y de sus productos o servicios.
La gran oportunidad que veo, no sé si como tendencia o como aspiración, son los diseñadores emprendedores y hacedores. Ellos no buscan empleo. Generan trabajo. Los nuevos referentes del diseño latinoamericano son, en su mayoría, empresarios y productores de sus propios proyectos.
Ese diseño va de la mano con otras áreas de la economía creativa, es especial la artesanía y la gastronomía. Dos campos de acción con enormes demandas no satisfechas. Su importancia cultural e social son factores claves para determinar el tipo de intervención que necesitan. Sobre eso podría hablar durante horas, pues fue en lo que más dedique mi tiempo en los últimos treinta años. Sobre eso tengo más de cien textos publicados en mi blog.
Sin perder la línea de raciocinio vuelvo al tema titulo de esa ponencia. Diseño estratégico es mirar el futuro. Es saber dónde queremos llegar. Par eso tenemos que formular unas preguntas fundamentales. ¿Para quién vamos poner nuestra inteligencia a servicio? Qué deseamos para nosotros mismo? Queremos sobretodo sernos ricos y felices por que logramos acumular riqueza y buenos momentos? Ó plenos y realizados porque compartimos nuestras riquezas y nuestros buenos momentos? Acumular o compartir?
Para mí la riqueza es la calidad del tiempo que dispongo y felicidad es poder compartí-lo con otras personas haciendo sus vidas mejores.
En una sociedad libre cada uno tiene el derecho de escoger, según sus deseos y convicciones. No me gusta hacer juicio de valor sobre elecciones ajenas. Solo lamentar, sobre todo cuando veo que esas elecciones fueran basadas en el egoísmo o el prejuicio.
Nuestras escojas, para satisfacer nuestras necesidades, aspiraciones y deseos no pueden comprometer las mismas aspiraciones de las generaciones futuras. El deseo narcisista de pasar a la posteridad como un simples hacer de obyectos icónicos es pensar chico. Podemos y debemos hacer mucho más. En las cosas más simples, en los problemas más pequeños, dejar un ejemplo de inteligencia, solidaridad y amor a nuestra casa y destino común. Eso es pensar estratégicamente. Diseño, por lo tanto, no es proyectar productos, servicios o sistemas. Diseño es proyectar el futuro. Ser un diseñador estratégico es mirar un futuro mejor para sí y los suyos sin comprometer el futuro de los demás. Simples así.

31 de maio de 2017

O pensamento do design na gestão de pessoas

Quando aceitei o convite para assumir a Coordenação Geral de Recursos Humanos do CNPq, no principio de 2010, o fiz motivado pela possibilidade de exercitar o Design Management em uma área diversa de todas que havia atuado nos últimos 20 anos. O movimento iniciado na década de 80, que propunha levar o “modus operandi” do design para a esfera da administração das empresas, carecia de exemplos práticos. Todo o esforço de desenvolver e demonstrar a importância da aplicação do Design Management como estratégia administrativa restringia-se quase exclusivamente à esfera acadêmica. A exceção corria por conta de algumas empresas multinacionais, dentre elas a Braun na Alemanha e a Sony no Japão, que incorporaram à sua alta direção o responsável pela área de design. Isso se devia, não somente pela crescente importância da estratégica competitiva de impulsionar a inovação em produtos e serviços, mas também pela forma diferenciada de analisar os problemas gerenciais. São poucas as possibilidades de aplicação do pensamento do design na solução de problemas que envolvam uma grande quantidade de variáveis e tendo sempre o ser humano como principal preocupação. Essa era uma oportunidade de demonstrar na prática estas ideias e conceitos, e também, a possibilidade de resgatar parte da dívida com a instituição que proporcionou grandes câmbios em minha vida profissional, começando pela bolsa de estudos na Suíça em 1979 e depois como empregador em meu retorno ao Brasil em 1981.
Neste meu retorno, depois de 25 anos longe de Brasília, voltei para cumprir um último período antes da aposentadoria quando me deparo com esta nova responsabilidade. A primeira decisão foi colocar em prática os princípios do design socialmente responsável, que é o uso da inteligência para melhorar as condições de vida e de trabalho dos indivíduos. Para isso é necessário, antes de tudo, conhecer as necessidades, expectativas e desejos dos servidores, que somente através de uma escuta sensível e individualizada, apoiada por um processo de consulta e validação coletiva, permitiria identificar as principais reivindicações. Assim procedi através de reuniões com a equipe de trabalho que estava sob minha coordenação, com 60 servidores. A análise dos resultados dessa consulta apontou algumas demandas reprimidas que fundamentaram a primeiras ações propostas e submetidas à aprovação da diretoria que aprovadas foram implantadas nos dois anos seguintes. Desse conjunto de problemas a primeira tentativa de solução apontava para a necessidade de se criar novos estímulos, de valorizar os indivíduos e de uni-los nos mesmos desafios.
Desde o momento que a titulação acadêmica passou, por força de lei, a representar um substancial aumento nos salários, podendo ser acima dos 100% no caso do doutorado, essa passou a ser uma razão legitima para todo servidor aspirar este benefício. Mas como fazê-lo se, nos últimos dez anos, a política da instituição havia sido reduzir o numero de solicitações deferidas? Mesmo tendo obtido autorização como o servidor se ausentaria por longos períodos, entre dois e quatro, sem passar no retorno por todos os problemas de readaptação que foram já identificados, desde a desconexão entre o conhecimento adquirido e as funções técnicas exercidas até a necessidade de cumprir o interstício obrigatório de igual período? Como ampliar a oferta de oportunidade de mestrado e doutorado, que compatibilizasse interesses institucionais com interesses pessoais? Como fazer isso sem ausentar-se do trabalho? Destas dúvidas e inquietações nascia a necessidade e oportunidade de propor a criação de uma Universidade Corporativa do CNPq, em parceria com reconhecidas instituições acadêmicas. Depois de muitas negociações foi estabelecido um convênio com um consórcio conformado por três universidades do Rio Grande do Sul e outro com o Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília, permitindo a 32 servidores do CNPq fazerem o mestrado e o doutorado “in company”, ou seja, sem se ausentarem do trabalho. A segunda frente de atuação foi o início de um projeto de mapeamento dos macroprocessos da área de recursos humanos e na sequência, de toda a instituição. Somente a partir desse estudo seria possível propor um reordenamento da estrutura funcional e do organograma da instituição já que as organizações estão sempre em processos de mudança e adaptação aos novos imperativos.
Em design não se projeta para o cliente, mas com o cliente. Qualquer nova sugestão de ação ou projeto deve ser fruto de um desejo compartilhado, construído e detalhado por várias pessoas, cada uma aportando seu conhecimento e informações. Para gerenciar este processo é preciso saber ouvir e saber dividir. Um modo de demonstrar esta preocupação e engajamento é através das atitudes cotidianas. Uma delas, de caráter simbólico, foi deixar a porta da sala permanentemente aberta como demonstração de receptividade e transparência. Ainda no quesito comunicação e, como forma de estreitar o diálogo entre os vários níveis decisórios e hierárquicos, propus a recomposição do Fórum dos coordenadores gerais enquanto instância intermediária entre a alta gerência e o corpo técnico-administrativo. Do mesmo modo sugeri a criação de uma rede social interna, denominada “Entrenós”, como veiculo de participação e debate e de incremento das relações interpessoais.
2011 foi um ano marcado pela mudança física do CNPq para um novo imóvel situado no Lago Sul, próximo ao aeroporto de Brasília, gerando um clima de insatisfação em parcela razoável da força de trabalho, acostumada a organizar suas vidas em torno da localização física da instituição, que por mais de 30 anos ocupou dois prédios na asa norte da cidade. Acostumados a almoçarem em suas casas e aproveitarem o período da pausa do meio dia para resolverem todos os problemas de ordem pessoal, os servidores viram-se com essa mudança, repentinamente obrigados a permanecerem em seu local de trabalho durante o período do almoço ou fazerem quilômetros extras todos os dias. O estranhamento das pessoas ao seu novo habitat, seja profissional ou pessoal, é natural nas primeiras semanas ou meses, cuja adaptação dependerá do tipo de acolhida e de conforto. Tornava-se urgente minimizar a insatisfação daqueles que não se conformavam com a perda de sua zona de conforto, propondo ações envolventes, sedutoras e inteligentes. Surgiu assim o Projeto dos “Primeiros Jogos Internos do CNPq” que durante oito meses mobilizou centenas de pessoas criando uma atividade dinâmica e divertida.
A ideia central dos Jogos Internos era provocar uma mudança comportamental levando os servidores e colaboradores a seu unirem em equipes heterogêneas buscando a vitória nas 23 provas diferentes, cada uma delas voltada para uma das múltiplas inteligências. O argumento para formação das equipes que disputaram um prêmio de 35 mil reais foi fazê-lo buscando na diversidade a força competitiva, já que ninguém domina os oito tipos de inteligências cientificamente estudadas. Estas provas serviram para aproximar as pessoas; estabelecer novos vínculos de amizade e companheirismo; difundir os conceitos de equipes de alto desempenho; estimular um maior conhecimento das ações e metas institucionais; aumentar a autoestima e o sentimento de orgulho e pertencimento institucional. O sucesso dos Primeiros Jogos Internos, evento pioneiro na administração pública, superou as expectativas e induziu a necessidade de se pensar em um projeto que voltasse a ocupar as horas de descanso e de ócio. Ocupar este tempo com uma atividade cultural foi o desafio, vencido com a proposta do Projeto “Passaporte Cultural”, inteiramente patrocinado pelas Embaixadas e representações diplomáticas sediadas em Brasília.
Durante o ano de 2012, de março a novembro, cada mês foi dedicado a um país cuja produção cultural, e em especial a cinematográfica, fosse apresentada durante a pausa do almoço. Espanha, Bélgica, Argentina, Portugal, Alemanha, Índia, México, Suécia e Peru foram os países convidados que aceitaram o convite, propondo programações mensais em graus crescentes de qualidade.
Não é somente a saúde mental que preocupa a área de qualidade de vida. A proposição dos “Círculos da Saúde”, de automonitoramento, apoiadas por médicos, psicólogos e fisioterapeutas, baseava-se em uma prática nova e experimental de formação de grupos de ajuda mútua para monitorar as promessas e desejos individuais de melhoria da saúde e do condicionamento físico. Grupos entre 10 e 15 indivíduos que se apoiam mutuamente, durante um período de seis meses, para conseguir lograr os objetivos estabelecidos. O incremento da autoestima dos servidores foi também o elemento motivador para a criação do projeto denominado de “Memorial do Servidor” cujo objetivo é fazer um registro da história oral na visão dos servidores aposentados ou em vias de se aposentar, prevendo homenagens de agradecimento para aqueles que se destacaram em seu trabalho e com suas contribuições.
Pensar como designer nos amplia a percepção dos problemas e permite diluir as fronteiras que estabelecemos entre áreas de competência. Observar uma instituição de um ponto de vista privilegiado permite identificar e sugerir soluções para demandas e problemas emergentes, e em algumas vezes, antes mesmo que ocorram. A coerência com este pensamento significa explorar novas possibilidades. Propor novos desafios, dentre eles uma parceria mais estreita com a cultura por meio de um acordo de cooperação com a recém-criada Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura, responsável pela coordenação de um novo programa de governos denominado de Brasil Criativo. A partir destes encontros propusemos o lançamento de um Edital direcionado às “Indústrias Criativas” estimulando a inserção desta categoria nos segmentos prioritários do Programa Ciência Sem Fronteiras, cuja meta é a concessão de 100.000 mil bolsas de estudo no exterior.
Do mesmo modo a proposta de maior aproveitamento do capital Intelectual disponível na instituição para ampliação da cooperação técnica e intercambio internacional, oferecendo ajuda aos países da América Latina e África na implantação de projetos, programas, laboratórios, centros de pesquisa e sistemas de CT&I foi sugerida como forma de dar novos estímulos e valorizar os servidores de maior experiência e titulação acadêmica do CNPq.
Buscando sempre a melhoria contínua, identificando e mapeando as demandas e expectativas dos servidores significa a repetição semestral da “Pesquisa de avaliação e monitoramento do grau de satisfação e eficiência no trabalho” com a aplicação de uma ferramenta estruturada, desenvolvida junto com a equipe de psicólogos, que aponta o grau, intensidade e localização dos pontos de tensão e de conflito permitindo agir de modo preventivo.
Este conjunto de ações e projetos, propostos e implementados no curto espaço de dois anos, demonstraram a assertividade de um modelo de gerenciamento pautado pela busca incessante da inovação como estratégia de mudança de paradigmas, reorientando as ações de promoção da satisfação e da qualidade de vida no trabalho como elementos fundamentais para o crescimento das instituições, coerente com os princípios que orientam, respeitam e valorizam os seres humanos, vistos como indivíduos únicos e singulares e não somente como um recurso da organização.

24 de maio de 2017

ócio criativo

Ha três anos fui dispensado do trabalho obrigatório, pela aposentadoria. Desde então venho tentado usar todo o meu tempo para criar algo. Transformando cada dia em uma oportunidade de criar alguma coisa, seja lá o que for, passou a ser minha principal preocupação. Pintando um quadro, escrevendo um texto, fazendo um jantar, preparando uma palestra, formatando um projeto, ou propondo alguma coisa que julgo útil e necessária, estou sempre movido por esse desejo de usar o tempo de modo mais produtivo e menos contemplativo. Isso me obrigou a rejeitar a ideia de simplesmente deixar a vida fluir, sem fazer planos. Não que condene aqueles que assumem essa atitude, ao contrário, às vezes até os admiro. Contudo, não consigo ficar parado. É como se tivesse uma dívida a ser paga, comigo mesmo ou com o mundo. "Keep Walking" ouço dizer o João Caminhante do rótulo do whisky. Considero um desperdício abdicar da experiência e conhecimento acumulado, simplesmente por uma questão cronológica de direito adquirido. É na terceira idade que melhor percebemos os caminhos oferecidos com suas bifurcações que nos conduzem a muitos futuros possíveis, prováveis e diferentes. Por estar mais próximo do fim, do que do princípio da vida, talvez consigo perceber com mais clareza a importância das coisas singulares e dos momentos mágicos.

23 de maio de 2017

João Pessoa - Cidade Criativa

Durante dez dias visitei tudo que era possível em João Pessoa, entrevistando pessoas, encontrando amigos, descobrindo coisas. Hoje estou convencido que João Pessoa tem tudo para aspirar pertencer ao seleto grupo de cidades que compõem a Rede UNESCO de Cidades Criativas. Não somente pelo que já possui, mas pelo que poderá fazer. Essa rede foi criada para promover o intercâmbio e a cooperação técnica entre cidades compartilhando suas melhores práticas. Uma conquista que implicará também no compromisso do poder público de instituir e manter uma política efetiva de valorização das chamadas indústrias culturais.
João Pessoa é a 3ª cidade mais antiga do país, detentora de uma cultura popular rica e preservada em suas tradições e festejos. Por sua história e patrimônio recebeu da UNESCO, em 2007, o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. Avaliada como a capital do nordeste brasileiro com melhor qualidade de vida e a cidade mais arborizada do Brasil. Recebeu também o reconhecimento como sendo a segunda cidade mais verde do mundo com 7 m2 de floresta por habitante e 30 km de praias. O Centro Histórico de João Pessoa é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional abrangendo 502 edificações em uma área de 370 mil m². A cidade possui para seus 800 mil habitantes um ativo cultural único. São 17 cinemas; 6 Teatros (o maior deles com 3.000 lugares); 10 museus; 3 bibliotecas públicas; 3 universidades; 2 jornais diários; 6 canais de televisão com sinal aberto e produção local, 11 estações de rádio FM. Duas orquestras sinfônicas e uma Orquestra de Câmara. Anualmente são organizados Festivais internacionais de Cinema e de Música clássica. Por ser a capital do Estado da Paraíba é o ponto de escoamento da produção artesanal, cuja diversidade poder ser conhecida e admirada no Museu Casa do Artista Popular.
Instituições estratégicas na área da cultura e do turismo sendo comandas por uma nova geração de técnicos qualificados, com uma visão de futuro e com uma política mais responsável e transparente, aposentando velhas e ultrapassadas práticas e conceitos. Tive a oportunidade de visitar, através de um novo produto turístico criado pelo SEBRAE (inovando sempre) a Rota dos Ateliês, os espaços de trabalhos dos principais artistas, dentre eles Clóvis Junior e Miguel dos Santos, para mim um dos maiores escultores vivos do Brasil, além de ser uma figura humana atenciosa e sensível. A nota triste ficou por conta do abandono da Casa do Artesão Paraibano, no centro da cidade, com meia dúzia de artesãos tentando sobreviver em meio às inundações. Situação que deverá ser revertida tão logo se conheça o destino reservado para a cidade.

5 de maio de 2017

O que é uma empresa criativa?

Empresa criativa é o nome da minha empresa escrita de outro modo: “Ser Criativo Empreendimentos Culturais do Brasil”, em substituição ao simples “BarrosoDesign”, que vigorava antes. Mudei porque cheguei à conclusão que é muito mais importante ser criativo do que ser designer, pois poucos são os designers criativos.
O que é ser designer? É ser um solucionador de problemas utilizando suas múltiplas inteligências, em especial à espacial e artística, além de um processo de trabalho específico, diferenciado das demais atividades envolvidas com criação e desenvolvimento de projetos. Esse processo de trabalho obedece a uma sequencia que se inicia com a definição do escopo do problema, seguido pela analise dos fatores incidentes, geração de alternativas de solução, visualização, seleção, experimentação, testes, avaliação e produção. Essa sequencia de ações, bem conduzidas e fazendo as perguntas corretas leva inevitavelmente a uma solução para o problema. Talvez apenas mais uma solução, entre outras possíveis e não experimentadas. Seguimos uma lógica onde dados (atuais e confiáveis) quando confrontados entre si se transformam em informação. As informações por sua vez quando contextualizadas (no espaço e no tempo) se transformam em conhecimento. E o conhecimento quando aplicado a solução de problemas se transforma em inteligência. Ser designer é ser inteligente quando se trata de conceber um produto, mensagem, espaço ou serviço. Ser um designer pleno é ter uma atitude de permanente questionamento, visão sistêmica e uma cultura tecnológica ampla e diversificada. Que, se somados a uma autoestima elevada facilita os relacionamento sociais e profissionais, que por sua vez aportam projetos e oportunidades, que bem aproveitadas e com bons resultados geram reconhecimento e satisfação alimentando uma espiral virtuosa.
O que é ser criativo? É ir mais além do que apresentar uma simples solução para um problema. É propor uma solução que surpreenda e encante. É propor algo singular, exclusivo, inovador em sua abordagem. Ser criativo é fugir do caminho do meio, que é o caminho da mediocridade. É trilhar caminhos desconhecidos. É possuir um pensamento assimétrico, contrario ao pensamento linear que somente encontra soluções incrementais e jamais revolucionárias. É através do pensamento assimétrico que novas conexões são realizadas apontando novas direções. Ser criativo implica em ter coragem de ousar e prazer em fazer isso. É não ter medo do erro, pois ele faz parte do processo. É ter segurança naquilo que faz. É saber usar a sensibilidade, a emoção e a intuição como ingredientes fundamentais para ativar o processo criativo.
Como ser criativo? Ser criativo é fazer de cada dia uma experiência nova. Nas coisas simples do cotidiano mudar as regras, alterar a rota, mudar o curso, a abordagem, o tempero, sempre buscando o melhor, o mais prazeroso, o mais surpreendente. Imaginando que o próximo projeto, ou problema, será seu último desafio e por isso deverá superar todos os anteriores. Não importa a dimensão do problema ou do cliente o esforço deve ser igual. Jamais se contente com a primeira ideia, mesmo que ao final descubra que foi a melhor. Para ser criativo é necessário abrir os olhos e a mente para novas descobertas e possibilidade. Viajar e ampliar horizonte, conhecendo outras culturas, pois é na alteridade que descobrimos nossa identidade. Ser criativo é usar essa identidade única e singular que cada um possui como fonte de inspiração e de referencia, decodificando o repertorio cultural adquirido, pois nele estão os elementos de diferenciação qualitativa que buscamos. Ser criativo é enxergar o futuro.
O que é uma Empresa Criativa?
É a empresa que consegue identificar e manter seu nicho de mercado, através de produtos e serviços únicos, singulares e exclusivos. É a empresa sem concorrentes, a não ser no preço. Sabe que a qualidade é inegociável e aposta em sua capacidade criativa internalizada.
O que é uma empresa inovadora?
É a empresa que consegue colocar suas criações originais no mercado e está sempre um passo adiante de seus competidores.

24 de abril de 2017

O nascimento do design em Minas Gerais

Em 1972 um grupo de idealistas liderado pelo engenheiro Luis Carlos da Costa Monteiro criam em Belo Horizonte a Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais – CETEC. Dentre as áreas de atuação é incluído um setor de design, assim mesmo, com a grafia inglesa. O design vinha sendo apontado como uma ferramenta estratégica para apoiar o esforço competitivo das empresas nacionais, dentro de uma política industrial de substituição das importações. Para assumir a implantação e coordenação desta unidade convidam Marcelo de Resende, ex-aluno da FUMA e naquele momento trabalhando e vivendo em São Paulo. Retornando para Belo Horizonte, Marcelo busca formar uma equipe contratando companheiros dos tempos de Universidade, dentre eles, Érico Dirceu Weick, Eustáquio Lembi de Faria, Oswaldo Coutinho do Amaral e Ricardo Mendes Mineiro. Indicado por Cid Horta e Álvaro Hardy fui fazer uma entrevista com Marcelo na Fundação João Pinheiro. Aceito e incorporado à equipe anotaram em minha carteira profissional a função: designer, no dia 13 de janeiro de 1973.
O setor de Design teve como consultor técnico o Professor Radamés Teixeira, ex-diretor da Universidade Mineira de Arte e da Escola de Arquitetura. Recordo-me de seus argumentos sobre a importância da cultura para o exercício do ato de projetar. Dizia que a revolução industrial inglesa somente foi possível com o ouro levado de Minas Gerais e usado por Portugal para pagar uma dívida Leonina com os Ingleses. Foi ele quem me induziu a deixar o curso de Belas Artes e prestar o vestibular para design, legitimando assim uma profissão que eu havia abraçado de modo espontâneo e intuitivo.
Trabalhava durante todo o dia no CETEC e estudava design à noite na FUMA, tendo como professores meus colegas de equipe. Crescíamos, aprendíamos, trabalhávamos e nos divertíamos juntos. Tínhamos privilégios extraordinários para época, dentre eles acesso a toda literatura disponível mantendo a assinatura de dezesseis revistas internacionais de design. Essa era nossa principal fonte de informação, atualizada e específica. Meu primeiro projeto foi desenvolver a identidade visual do CETEC e o desenho de pictogramas para os setores e laboratórios. Em paralelo o resto da equipe trabalhava no projeto de uma televisão e de um rádio. Reproduzíamos o sistema de trabalho dos estúdios de design que conhecíamos somente pelas revistas importadas. Nessa época era necessário dominar manualmente as técnicas elementares de representação bidimensional (desenho) e tridimensional (modelagem), coisas que as novas tecnologias deixaram hoje superadas. Projetar era 10% inspiração e 90% transpiração considerando as horas que passávamos tentando visualizar e apresentar nossas ideias e propostas como pacientes artesãos.
A subsistência financeira do setor foi garantida nos primeiros anos com o financiamento de projetos pela Secretaria de Tecnologia Industrial do Ministério da Indústria e Comércio através do Programa 06 de apoio ao design. Esse programa constituía em uma opção estratégica para apoiar os emergentes grupos existentes no Brasil através de projetos de interesse coletivo. Coube ao setor de design do CETEC desenvolver um sistema de mobiliário urbano para cidades de porte médio. A equipe coordenada por Marcelo de Resende desenvolveu extenso projeto incluindo tanto a parte de equipamentos como de sinalização urbana. Supervisionavam este projeto através de visitas periódicas, Itiro Iida e José Abramovitz estabelecendo assim vínculos que dariam origem, no futuro, a outros experimentos institucionais e que resultaram anos depois na criação do Programa de Design do CNPq e na criação do LBDI em Santa Catarina. Apesar de o CETEC atuar com custos subsidiados no atendimento as demandas das empresas, poucas buscavam nossos serviços, sendo os principais clientes o poder público, como prefeituras municipais, gerando um crescente desencanto no grupo. A baixa demanda das indústrias impeliu o desenvolvimento de projetos a partir de desejos individuais como um triciclo de uso urbano e um planador. Produtos que nunca chegaram a serem produzidos industrialmente.
Discutíamos temas importantes relacionados com design para escaparmos das autorreferencias. Começamos com artigos e textos selecionados e depois com os próprios autores conhecidos na época e que se transformavam no centro de um debate as sextas-feiras á tarde. Assim fizemos com Aloísio Magalhães, Gui Bonsiepe e Josine des Cressoniers na época secretaria do ICSID e diretora do Centro de Design de Bruxelas. Um documento interno, produzido pelo setor de design do CETEC, sobre implicações entre cultura e tecnologia foi um divisor de águas de nossa atuação profissional. A questão de se buscar um design em consonância com a cultura e as necessidades sociais do Brasil passou a ser nosso eixo norteador.
Na busca de um sentido para o nosso trabalho os olhares começaram a se voltar para as necessidades sociais reprimidas. A oportunidade surge com a demanda de um Prefeito de Juramento, uma pequena cidade do interior de Minas Gerais, em apoiar seus esforços de buscar um desenvolvimento harmônico e autossustentável para seu município, na época privado de luz, telefone, água encanada e estradas pavimentadas. Os produtos resultantes desta ação não eram soluções convencionais. Dentre as ações me recordo das tentativas de uso do bambu como condutor hidráulico trazendo água para o núcleo urbano; construções de cisternas com elementos pré-moldados de fibrocimento; uma lavanderia publica construída no regime de mutirão; uma lagoa de estabilização; uma marcenaria ambulante, e uma feira de ofícios, revelando talentos artísticos insuspeitos e apontando o artesanato como uma tecnologia patrimonial de valor econômico e cultural. Mais do que soluções tecnológicas apropriadas o que se buscava era a tentativa de demonstração de uma terceira via na solução dos problemas urbanos. A necessidade de confrontar a experiência de Juramento com outros modelos de intervenção e buscando maior aprofundamento teórico sobre a questão das tecnologias ditas alternativas ou apropriadas deram origem ao SINTA-78, um seminário internacional com a presença de reconhecidos conferencistas contribuindo para aprofundar os conceitos do design social.
A experiência no CETEC moldou minha forma de projetar e definiu os parâmetros para minha vida profissional. Com Marcelo Resende aprendi a elaborar, negociar e gerir um projeto de design; com Eustáquio Lembi e Osvaldo Coutinho aprendi sobre as metodologias mais assertivas e as bases conceituais do design; com Claudio Martins e Ricardo Mineiro a dimensão política e ideológica do design social; com João Delpino a visão sistêmica e a capacidade de argumentação e resposta e com os demais o significado das palavras cooperação, liberdade, ética, cultura, tecnologia, criatividade e inovação. O Setor de design do CETEC foi, indiscutivelmente, o berço do design em Minas Gerais.
Na equipe de design do CETEC passaram talentos que se espalharam pelo Brasil. Guardo na memória, com especial carinho, os rostos e os nomes de: Alceu Castelo Branco, Claudio Martins, Cláudio Pinto de Barros, Eustáquio Lembi Faria, Fernando Velloso, Guydo Jose Rossi Menezes, Junia Gazzinelli, João Delpino, Luiz Carlos Garcia Chiari, Mariangela Braga Reis, Marcio Fávio Guerra Duarte, Marco Tulio Boschi, Olinda Dias Martins, Oswaldo Coutinho do Amaral, Patricia Mascarenhas Lanari, Ricardo Mendes Mineiro, Regina Alvarez Correia Dias, Roberto Toledo Neder, Wagner Ramos Prates...

Como um designer soluciona problemas? O (meu) pensamento do design

Os teóricos do design publicaram extensa literatura sobre a metodologia diferenciada do design, com seus passos e abordagens características, mas pouco se atendo aos mecanismos e motivações que operam esses métodos descritos. São poucas as reflexões sobre algumas características indispensáveis no trabalho do designer, como o de decidir diante de incertezas, geradas por um grande número de variáveis e tendo de atuar dentro de uma lógica nebulosa, utilizando apenas da intuição e o coração como bússola. O designer, como gerador de soluções inovadoras e muitas vezes radicais, não opera com elementos de decisão mensuráveis e infalíveis. Criar algo que até então não existia, leva para o campo do desconhecido, das incertezas e de erros necessários. A intuição é uma característica pouco confiável para muitos e mesmo temerária para engenheiros e tecnólogos, mas vital no design.
Quanto a capacidade de um bom designer de conceber sempre soluções que além de apropriadas e inovadora são surpreendentes, muitos confundem com talento. Para mim o talento é a capacidade de obter bons resultados como consequência de três qualidades : uma autoestima elevada, uma atitude disposta a correr riscos e sua cultura como base para seus processos criativos. Nós designers criamos novas realidades e contribuímos para definir parte de nossa cultura material. Porém, é nos detalhes desse processo de criação que começam as diferenças, que embora possam parecer sutis, fornecem a chave para a compreensão desse mecanismo mental que considero o meu pensamento do design. O bom designer não se contenta em solucionar pragmaticamente um problema. Busca uma solução que surpreenda e encante. Através da beleza e do valor simbólico, marca seu lugar no tempo e no espaço. Soma-se a essas habilidades a capacidade de decodificar repertórios culturais, que quanto mais amplos forem maiores são as possibilidades de combinar informação e com isso criar inovações radicais.
As primeiras perguntas que sempre fiz foram: Para quem, e por que, vou projetar? Aprendi que quem projeta para si próprio é o artista; o publicitário para o consumidor; o arquiteto para seu cliente e o designer para o “usuário” de seu produto ou serviço. Entender as necessidades, desejos e aspirações dos atuais e futuros usuários não são tarefas triviais. Exigem tempo, informação, sensibilidade e intuição. Todo designer começa por fazer perguntas que ainda não foram feitas. Visita mentalmente situações, soluções e lugares onde ninguém ainda esteve. Somente assim surgem as coisas verdadeiramente novas e com elas a surpresa e o encantamento. Este processo não usual de abordagem de um problema é fruto do pensamento que acima de tudo questiona e interroga e evita sempre o caminho do meio, que é a opção pela mediocridade.
Os designers mais conscientes sabem que os produtos são nossos cúmplices e exprimem o estilo de vida que adotamos. Por essa razão e por princípio ético não devemos nos eximir de nossa responsabilidade política, pois ao projetar estamos fazendo uma afirmação sobre nossas convicções, sobre o tipo de sociedade e de futuro que aspiramos. Contudo, aquilo que as pessoas desejam varia no tempo e nos lugares, mas esses desejos e anseios não podem comprometer as necessidades das gerações futuras. Isso nos cobra uma visão de longo prazo em oposição ao imediatismo, pautado pelo consumo efêmero.
A principal característica do meu pensamento do design talvez seja a assimetria, ou não linearidade na abordagem dos problemas. A linearidade pressupõe um processo de melhoria da qualidade de um serviço ou produto de modo incremental, com modificações ou acréscimos sucessivos sobre um padrão existente. Com isso conseguimos apenas mudanças incrementais. O pensamento assimétrico, essencial nos problemas de maior complexidade, é aquele que permite visualizar soluções revolucionárias. O pensamento assimétrico busca analisar e vivenciar simultaneamente situações diferentes que se cruzam, convergem ou divergem. Essa assimetria permite visualizar novas possibilidades através de caminhos ainda não trilhados, estimulando e propiciando abordagens não convencionais como principio gerador de novas ideias. Distingue-se por oposição do pensamento linear, racional e previsível.Um designer, consciente que o todo é a soma das partes, começa por enfocar o todo e não uma parte de algo que não esta mais operando satisfatoriamente.
Um designer é também um decodificador de sinais e mensagens, que apontam as mudanças comportamentais da sociedade, propondo um futuro diferente do passado. O ser humano é o ponto focal e dele partem as exigências que devem orientar a busca de soluções. São as interfaces existentes entre o individuo e seu ambiente, sejam físicas ou visuais, que definem o campo operativo do designer.
Hoje vejo o design não mais como uma área do conhecimento, ou uma carreira profissional. Vejo o design como uma atitude diante da vida. Fazer melhor, sempre e tudo. De modo inovador e surpreendente. Não repetindo caminhos trilhados. Olhando para o futuro e pensando naqueles que nele irão viver.