27 de fevereiro de 2014

Imagens das cidades



As cidades existem na memória das pessoas de acordo com as expectativas ou lembranças nela vividas, e podem se traduzir em um sentimento comum predominante. Essa imagem pode surgir espontaneamente no inconsciente coletivo, pode ser construída ou pode ser conquistada.
Na metade do século passado o Rio de Janeiro era a “Cidade Maravilhosa”. Isso virou música conhecida e cantada em todo o mundo. O Rio era o destino sonhado nos filmes de Hollywood. 50 anos depois essa imagem de “Cidade Maravilhosa” perdeu significado, não sendo mais reconhecida como adjetivo qualificativo da cidade, pois suas belezas naturais foram ofuscadas pela violência urbana entre outras mazelas.

A população de Nova Iorque, depois do ataque de 11 de setembro, resgatou um antigo pictograma desenhado por Milton Glaser em 1977. Da noite para o dia apareceram milhares de pessoas vestindo camisetas impressas com I NY.  Era uma demonstração de amor a cidade, de orgulho de pertencimento, de resgate da autoestima. Imagem com um tremendo poder de permanecia na memória das pessoas.

Algumas cidades ganham um título por merecimento, como aquelas consideradas patrimônio da Humanidade, ou Cidades Criativas da UNESCO. Consideram passado, presente e futuro como compromissos, compatíveis e convergentes. As cidades que conquistam esses reconhecimentos não o fazem somente por seu patrimônio histórico ou natural, mas também por suas políticas públicas, compromissadas com a preservação, memória, manutenção, utilização responsável e crescimento de seu patrimônio.  

Neste momento, Florianópolis apresenta sua candidatura ao Título de Cidade UNESCO da Gastronomia, depois de quatro anos de trabalhos, pesquisas, relatórios, aproximações e negociações institucionais, capitaneadas com competência pela “FloriapaAmanhã”. Mais do que buscar um reconhecimento por aquilo que ela é, Florianópolis apresenta seu compromisso com a gastronomia como um dos pilares de sua Economia Criativa. 
Um exemplo que pode ter sido seguido por muitas cidades brasileiras.

20 de dezembro de 2013

2014

9 de dezembro de 2013

Arte popular, artesanato, manualidades - Novos paradigmas



Arte popular, artesanato, manualidades e industrianato são conceitos ultrapassados pela realidade. As fronteiras conceituais não foram suficientes para dar conta da diversidade de expressões estéticas e visuais existentes hoje no comercio de bens simbólicos.

A análise tátil e visual de um produto não é suficiente para classificá-lo e atribuir um valor. É preciso conhecer suas origens, matérias primas e técnicas utilizadas, habilidades e conhecimentos requeridos na sua realização. Essa informação é uma nova exigência desse mercado para aqueles que promovem e comercializam, sejam lojas especializadas de artesanato, galerias de arte ou feiras comerciais.

O que esse mercado busca hoje? Peças únicas, de valor artístico inquestionável, que podem ser fruto de um indivíduo de baixa escolaridade e distanciado da sociedade de consumo urbana ou de alguém com formação artística acadêmica superior. Tanto faz. A originalidade e a inovação que convivem e dialogam com a tradição e as raízes culturais são os paradigmas de um desenvolvimento sustentável e socialmente responsável. Não importa de nem onde e nem em que condições emergem.

Do mesmo modo, a ruptura das fronteiras entre aquele que cria, para seu prazer ou para seu sustento, ou daquele que cria para aquele que produz, deveu-se a em grande parte a inserção do design nas unidades de produção artesanal, introduzindo técnicas e métodos próprios do processo de criação. Desapareceram as figuras do artista popular e do artesão, fundidos em um só individuo, capaz de criar e de reproduzir com pequenas variações os modelos originais. 

Restringir o acesso ao mercado, ou determinar o valor comercial de um produto apenas por uma análise acadêmica, é hoje impensável.  O mercado consumidor de bens simbólicos já está amadurecido para discernir o que é bom daquilo que é apenas belo.Bom e belo, dois conceitos que comportam imensas considerações. Pessoalmente penso que o belo é fruto do equilíbrio e da harmonia dos elementos, já o bom é aquilo que inova, surpreende, instiga a reflexão e traz o encantamento e o frescor de algo novo, porém referenciado em tempo e lugar.

25 de novembro de 2013

Como organizar um casamento - Design do efêmero

A experiência de organizar o casamento de minha filha serviu mais uma vez para utilizar a metodologia do design na solução de problemas complexos e com grande número de variáveis. Pelo fato da noiva ser designer, se casando com um designer, sendo eu um designer e a mãe dela também, isso não tornou minha tarefa mais difícil, como podem ter pensado alguns. Ao contrário, as coisas transcorreram sem atropelos e com poucos erros, graças à aplicação do “design thinking” como agora virou moda dizer.

O relato dessa experiência tem por objetivo ajudar aqueles que pretendem organizar um casamento tornar sua tarefa menos árdua e com certeza mais prazeirosa. Se o casamento virou uma indústria como pude constatar, nada melhor que realizar um projeto de design para o mesmo, seguindo a mesma metodologia que sempre defendemos ser a mais apropriada quando se deseja um resultado surpreendente emocionante com um custo aceitável.
Resumindo, os passos são os seguintes:
1. Mapa mental e visual do universo simbólico dos noivos
2. Lista e análise dos principais protagonistas e atores envolvidos.
3. Definição de data e local
4. Definição do conceito
5. Seleção da equipe técnica
6. Formação de repertório
7. Design gráfico e site
8. Fornecedores estratégicos a. Decoração b. Alimentos e bebidas c. Recepção e transporte d. Hospedagem e. Música f. Salão de beleza
9. Acompanhamento da produção
10. Realização
11. Pós-evento

Explicando melhor:
Um projeto de design começa pelo cliente, revelando suas necessidades e expectativas, desejos e possibilidades. Portanto, o primeiro passo foi tentar traduzir em textos e imagens aquilo com que o casal sonha. Uma ferramenta atual: o Pinterest

Segundo passo foi fazer a lista de convidados. Uma mais ampla e generosa e uma segunda com aquelas pessoas que estarão presentes, seja onde for à cerimônia. É em torno dessa segunda lista, menor, mais íntima, que a cerimônia deve ser pensada com um acréscimo de alguns outros nomes cuja presença é apenas provável. Ferramenta: Google docs.

Definir o local e data considerando as dificuldades estruturais e logísticas em cada escolha é o terceiro passo. Seis meses é um prazo razoável para organizar um casamento a contento e mais que um ano um pouco temerário. No meu caso particular foram 12 meses da data do noivado ao casamento, porém com o agravante de serem duas cerimônias, o casamento civil na França e o Religioso no Brasil. Foram dois eventos perfeitos em tudo, com uma providencial ajuda do tempo em dois inacreditáveis dias de céu azul e sem vento em duas cidades conhecidas por seu “temperamento” chuvoso: Lille e Florianópolis. Definir as datas das cerimônias deve levar em consideração a facilidade logística para os convidados que tiverem de viajar. Escolher feriados tem seus inconvenientes pelo incremento da demanda por voos e hospedagens e aumento das tarifas.

Quarto passo é definir um conceito para o casamento, entendido como um conjunto de escolhas estéticas e formais. Isso implicará em todas as decisões que vierem depois, da decoração a música. Conceito é diferente de “tema” como andam fazendo em aniversário de crianças. Conceito é pensar em um tempo e lugar, em imagens que ficarão para sempre na memória. No conceito está o repertório simbólico e iconográfico escolhido. O vestido da noiva é a expressão maior do conceito adotado. Formal ou informal? Tradicional ou transgressor? Aberto ou fechado? Cada resposta leva a decisões muito precisas, e sempre mais complicadas quanto mais radicais forem essas escolhas. O caminho do meio é o mais seguro, mais fácil, menos arriscado, porém o mais previsível e pouco surpreendente. Casamento ao ar livre é lindo nos filmes. Na vida real a possibilidade de dar zebra é sempre muito maior. Basta ver a quantidade de dias com temperatura amena, céu claro e sem vento existem em um ano. Garanta sempre um espaço protegido das intempéries caso o tempo não colabore.

O quinto passo é contratar uma “cerimonialista” como são chamadas as profissionais especializadas em organizar eventos, pois sem elas a dificuldade de encontrar fornecedores confiáveis será muito maior. O custo dessas profissionais é apenas aparentemente baixo, pois seus ganhos serão sempre acrescidos da comissão praticada em toda cadeia produtiva do casamento, embora neguem. A função destas pessoas é providenciar até três orçamentos para cada item de um casamento e fazer o acompanhamento da produção até o dia da cerimônia, indispensável sem elas.

O sexto passo é fazer repertório, assistindo casamentos no horário e nos locais escolhidos. Essa informação é preciosa para observar todos os detalhes de uma decoração, principalmente na hora de assinar os contratos com esses fornecedores, já acostumada a se saírem bem nos questionamentos posteriores, dadas a descrição genérica da natureza de suas atividades.

O sétimo passo é o design gráfico. Definir uma cor padrão, um monograma e suas aplicações, os impressos (convite, menu da festa, cartão agradecimento, etc) e um “hot-site” do casamento. Nesse site inclua a lista de sugestão de presentes, de preferência de lojas virtuais que transformam o objeto escolhido em dinheiro. Uma elegante forma de não impor uma escolha estética aos noivos e de contribuir financeiramente ao começo de vida a dois.

Escolher os fornecedores estratégicos e o oitavo passo. Todos oferecem um extenso cardápio de opções. Do serviço de Buffet ao fotógrafo, os melhores tem uma agenda já quase completa para os próximos dois anos. Em certos itens o barato sai caro. Veja os portfólios, compare os fornecedores, experimente, negocie. Essa é a parte mais demorada, que exige tempo e disposição. Um bom produto é também consequência de bons insumos e de serviços de qualidade dos fornecedores. Não delegue para a “cerimonialista” estas escolhas. A atuação dela começa após definir o que queremos, acompanhando a produção, até o encerramento da cerimônia e da festa de casamento. Porém, faça um “check-list” com todos os itens, prazos e custos, para monitorar o trabalho de produção.

A lista final de convidados confirmados deve estar concluída no máximo 30 dias antes do casamento. Neste período defina a ocupação das mesas na recepção, especificando os lugares de cada convidado, de preferência seguindo a velha fórmula francesa de um homem e uma mulher alternadamente. Esse trabalho de inteligência social é fundamental para o êxito de uma festa. Saber colocar na mesma mesa pessoas com interesses convergentes e capacidade de se comunicarem entre si depende do grau de conhecimento que temos sobre elas. Na dúvida use a intuição.

A alma de uma festa é a música. Contrate uma banda ou um DJ que toquem de tudo, sem preconceitos ou preferências únicas. O bacana é variar de ritmo estimulando e acompanhando a animação das pessoas. Coloque transporte alternativo para aqueles que exageram na bebida. Isso poderá evitar sentimento de culpa por algum acidente com convidados voltando da festa. Antes de ir embora controle o que foi consumido, quebrado ou que sobrou principalmente das bebidas finas. É ai que se escondem os gastos imprevistos.

Depois de tudo terminado as lembranças ficarão registradas nas fotos e vídeos do casamento. Portando não economize nesse item, contando apenas com os parentes e amigos para executarem esse trabalho. Um bom fotógrafo é capaz de captar os instantes que apenas os noivos detêm de sua dimensão emocional. Faça um álbum, edite os vídeos, guarde esses momentos com cuidado. Quanto mais o tempo passar maior valor sentimental te-rão. Reconheço que ficou um pouco longo esse texto. Meu propósito foi apenas ajudar quem tiver a árdua tarefa de organizar um casamento e não sabe por onde começar.

Em Florianópolis Recomendo: Styllu´s Buffet / La fête / Will Koetzler Fotógrafo / DJ Chisfestere. Não recomendo: Flora Betel

21 de setembro de 2013

Turismo cultural em Marrakech – Uma viagem (improvisada) de três dias ao Marrocos.



Decidi ir para Marrakech depois de uma disputa mental em visitar cidades que ainda não conheço e me interessam por razões diversas entre elas Carcassone por ser o coração da Provance; Berlim por sua dinâmica cultural ou alguma das muitas cidades árabes do norte da áfrica.  Desisti do sul da França pela dificuldade logística e da Alemanha pelo frio que fazia.
Estava em Paris diante da perspectiva de um fim de semana chuvoso e com uma agenda livre de uma semana antes de voltar ao Brasil. Ficar na cidade ou aproveitar as ofertas de viagens de última hora?  Viajar de improviso na Europa pode ser decisão de impulso diante da oferta de voos baratíssimos do tipo “last minute”. Assim, optei por ir à Marrakech, com a grafia e o sotaque francês, onde desembarquei no domingo pela manhã, depois de um voo de três horas, com um Guia da Cidade editado pela Hachette comprado no aeroporto de Orly. O tempo do voo serviu como preparação mínima para entender e me locomover pela cidade, de taxi, ônibus, a pé e de charrete, assim nessa sequencia, por quilômetros de largas avenidas e ruelas de dar medo.
A primeira descoberta foi que a cidade de Marrakech é monocromática, cor de louça de barro, entre o ocre e o avermelhado. Nada escapa dessa imposição cromática. Os táxis, os transportes coletivos, as casas, até os meios-fios são pintados da mesma cor.  O único que desobedeceu a essa norma e habito local foi Yves Saint Laurent, pintando de azul anil as paredes da casa (foto abaixo) e as cerâmicas de um Jardim particular que foi morada do pintor Jacques Majorelle, comprada e restaurada por Yves e seu amigo Jacques Berger. Virou atração turística obrigatória. Plantas dos cinco continentes, cuidadosamente selecionadas e cultivadas durante anos, distribuídas em espaço próprios nos canteiros, que circundados por pequenos pontos de água, seriam a personificação do paraíso para os sentidos, não fosse à fila interminável de turistas que fizeram desse espaço uma referencia no turismo eco cultural.  Diante da aridez do deserto esse contraponto ecológico foi o maior luxo que o dinheiro pode comprar para seus primeiros proprietários. Puro luxo emocional. Como de resto são os Riads e restaurantes das mil e uma noites existentes na cidade. Estabeleci de imediato o conflito cultural gastronômico, entre a cidade nova que quer ser contemporânea ou a tradicional marroquina.
Experimentei todas as modalidades de Cuscus e Tahijes, em restaurantes quase populares até o palácio Dar Yacoosa, com a decoração mais suntuosa possível, que vale cada Dirahn gasto. Terminar o dia diante de uma bela mesa, ouvindo virtuosos músicos locais, dança do ventre, incensos perfumados e um inacreditável vinho local é a compensação por um dia inteiro de andanças e descobertas, e aprendendo na pratica pedaços do modo local de vender produtos e serviços. Do preço do taxi ao do artesanato, tudo passa por um duelo entre ser explorado ou pagar o preço justo. Quanto mais seus olhos brilharem maior a facada.
Dou duas dicas para quem for a Marrakech. Nunca compre nada no primeiro dia da viagem. Procure saber, converse e desconverse. Deixe para comprar no dia seguinte quando a emoção e o desejo estiverem esfriados. Segunda: Tudo aquilo que não tiver o preço escrito ou tabelado seja você a dar o primeiro numero. Oferta que terá de ser bem mais abaixo daquilo que estiver disposto a pagar, porque irão chorar lagrimas de crocodilo ou rir da sua proposta, para começar o jogo no qual são mestres, vender pelo melhor preço seu produto ou serviço de acordo com a paciência do cliente. Assim comprei um Killim pequeno, como prova material da minha primeira tentativa de imersão na cultura local, visitando os locais de produção artesanal, uma babuch para andar dentro de casa e os inevitáveis presentes. 
O coração da cidade é a Praça Jemma-el-Fna. Durante o dia parte desse gigantesco espaço vazio é ocupado por dezenas de encantadores de serpente, com algumas enroladas no pescoço, querendo cobrar por cada foto que deles for tirada.  O mesmo fazem músicos com trajes e instrumentos típicos e demonstrações de macacos e falcões amestrados e dezenas de vendedores de sucos de laranja, dulcíssimas.  Ao cair da tarde e pela noite adentro a praça se enche de centenas de barracas com comidas exóticas, cheiros e temperos fortes consumidos com as mãos sem ajuda do álcool, proibido perto da mesquita. Milhares de pessoas circulam curiosas para ouvir os contadores de histórias, os músicos locais e negociar com vendedores de pequenos artesanatos.
Dessa praça, que fica situada no meio da área murada do centro da cidade, a Medina, sai um emaranhado de ruas e ruelas sem passeios, disputadas palmo a palma por ciclistas e motociclistas, carroças de burro, turistas lentos e pessoas apressadas. Mulheres de burca negra, apenas mostrando os olhos ou uma exímia motorista de ônibus, demonstram ambiguidade da vida da mulher na cultura muçulmana.  A sujeira nas ruas e o estado de conservação dos imóveis espantam. As ruas não têm placas com seus nomes, desconhecem a simetria. Ruelas que se estreiam às vezes em passagens de um metro de largura, tornando impossível a localização sem a ajuda de informações das pessoas do local. Todos solícitos e simpáticos. Os mais prestativos caminham na sua frente até o destino informado, claro a espera de alguma ajuda financeira, nunca menor que cinco euros. Aprende-se depressa a ter de andar com um bom e detalhado mapa da cidade, algum senso de orientação e tempo para errar algumas vezes.O mapa abaixo é o mais detalhado que encontrei sobre a Medina.
Vale a pena o esforço de fazer essa viagem. Rompem-se velhas ilusões, preconceitos ou estereótipos. Descobre-se uma cidade que oscila entre a tradição e a modernidade, que vive uma desigualdade social gritante e uma inegável tensão no choque de culturas. Nela o folclore vira objeto de consumo de massa e a arte popular e o artesanato cada vez mais repetitivo, sem a ousadia do design, talvez com temor de perder sua identidade. Uma pena. As inovações presentes em algumas raras exceções, na moda no vestuário e em objetos de adorno, multiplicam às vezes por dez o seu preço percebido.
Uma das características estéticas locais, presentes até nos postes de iluminação pública, é o uso excessivo de elementos de adorno.  Tudo é muito rebuscado. Todas as combinações geométricas de linhas são exploradas nos azulejos, entalhes, grades, pisos, portas e molduras. Em Marrakech a máxima do design “menos é mais” não se aplica.
Três dias foram insuficientes  para conhecer todos os pontos de maior interesse, com um mínimo de tempo de fruição. Voltei com a bagagem cheia de óleos e temperos exóticos, entre eles água de flor de laranjeira, curry, garans e o desejo de conhecer da próxima vez, Casabranca, toda branca e de frente para o mar.


19 de julho de 2013

1 de março de 2013

Termo de Referencia sobre Economia Criativa

Entregue ao SEBRAE Nacional o "Termo de Referencia sobre Economia Criativa" que deverá orientar as pesquisas sobre oferta e demanda.
Sugestões de acrécimo são esperadas e benvindas.

Um resumo está disponível no link abaixo:
http://issuu.com/eduardobarrosoneto/docs/trec?mode=window
 

2 de janeiro de 2013

As Cidades do Futuro ou o Futuro das Cidades



Costumo classificar as cidades do futuro em três grupos: A sonhada, a possível e a provável, fruto das escolhas que fizeram seus dirigentes e por sua população.
A cidade sonhada é aquela que oferece qualidade de vida a todos os seus habitantes, que se traduz no aprovisionamento satisfatório dos serviços essenciais (água, luz, esgoto, comunicações, transporte, segurança, saúde e educação), mas também em oferta de trabalho e oportunidades para o empreendedorismo, tudo isso preservando o meio ambiente e valorizando a cultura e a história. Os recursos financeiros e humanos existentes são utilizados de modo ético, responsável e transparente.
A cidade possível é aquela que aspira ser um dia a cidade sonhada e se empenha em sua transformação, começando pelo desejo político de mudança compartilhado por todas as forças vivas da sociedade. Para isso planejam o futuro e investe em projetos que vão além do calendário político. Oxigenam suas instituições convocando colaboradores por seu mérito técnico e não por interesses fisiológicos ou corporativos.
Uma cidade provável é aquela que aposta na continuidade das ações e escolhas do passado e em nome dos interesses de minorias preserva as estruturas de poder.
Em qual dessas cidades vivemos?
Uma Cidade Possível e Criativa.
A economia do terceiro milênio aponta para áreas cuja capacidade criativa gera novos produtos e serviços que veem ao encontro das aspirações e desejos das pessoas. Nelas estão inseridas a arquitetura, o design, a moda, a música e a mídia. Mas também as artes, o artesanato, a gastronomia; os softwares; o turismo. São setores de baixo impacto ambiental, relacionados com a cultura e geradores de melhores oportunidades de trabalho. Esses setores, antes segregados e pouco apoiados, representam hoje 7% do PIB do Brasil e em algumas cidades um percentual muitíssimo maior na formação do produto interno local.
Neste momento que 5.565 prefeitos começam seus mandatos, em especial os 200 prefeitos das cidades entre 100 e 500 mil habitantes, é o momento de fazerem suas escolhas sobre o futuro que aspiram. Seria  oportuno que considerem o potencial de desenvolvimento existente nos segmentos ditos da economia criativa em seus municípios, cuja importância foi percebida pelo Governo Federal demonstrada com a criação da Secretaria da Economia Criativa no âmbito do Ministério da Cultura, em julho passado, que estabelece uma política de governo para o setor, com ramificações em uma dezena de Ministérios. 
O Programa Brasil Criativo, que está pronto para ser lançado, é o pano de fundo deste movimento irreversível da sociedade em direção ao estímulo da inteligência e capacidade inovadora brasileira.

Leia também: http://eduardobarroso.blogspot.com.br/2012/03/como-ser-uma-cidade-criativa.html

18 de dezembro de 2012

Balanço de fim de ano



Não tenho do que me queixar de 2012. Um ano de grandes mudanças, de cidade, de trabalho, de estilo de vida.
Desde agosto que estou oficialmente aposentado, pelo CNPq. Cumpri minha missão, como atualmente está na moda dizer.  Foram 35 anos de contribuição à previdência, sendo que 15 destes anos licenciado tentando viver como designer e consultor autônomo. Feliz decisão que me abriram portas e horizontes. Com mais experiência voltei no final de 2009 para Brasília e tive a sorte de poder colocar em prática novas ideias de administração com inovação.
Dediquei o primeiro semestre de 2012 a duas grandes tarefas: concluir os projetos iniciados no CNPq e praticar o desapego já que os vínculos que se estabeleceram no trabalho e na vida social serão rompidos pelo tempo e pela distancia.
O retorno à Ilha no inicio do segundo semestre foi um novo recomeçar. Finalmente havia tempo para mergulhar em outra dimensão da prática cultural. Assim desenvolvi a proposta de um Sistema de Certificação para as Cidades Criativas Brasileiras; um sistema de curadoria dos produtos de arte popular e artesanato para o Projeto Brasil Original e o Termo de Referencia sobre Economia Criativa. Três exercícios intelectuais, referenciados nas experiências vividas e colhidas em escala global.
O prêmio autoimposto pela conclusão destes trabalhos foi um mergulho em um dos garndes berços da cultura conhecendo parte da Croácia e da Grécia, e revendo velhas paisagens e velhos amigos na velha Europa. Viagens são para mim parte do processo de aprendizagem e também para adquirir um pouco de distancia critica naquilo que se estava antes envolvido.
Para fechar o ano “comme Il faut”  retomei um velho hábito há quatro décadas abandonado. O de levantar da cama e me sentar diante de um cavalete de pintura, e tendo ao fundo o cantar dos Bem-te-vis que fizeram ninho no meu telhado.
Desde julho um novo sorriso ilumina a família e novas esperanças se desenham para todos nós.
Foi um feliz 2012. Que assim seja 2013.