15 de maio de 2013
7 de maio de 2013
29 de abril de 2013
Design Territorial?
Pensar o território de modo mais abrangente, identificando
necessidades, desejos, talentos e vocações e disso extrair soluções viáveis e
inovadoras, envolvendo os principais atores, é uma abordagem que vem sendo
experimentada sob a denominação de Arranjos Produtivos Locais – APL´s aplicada pelo
sistema SEBRAE em todo o Brasil. Evolução do conceito de “clusters” tem
demonstrado sua capacidade de apoiar o desenvolvimento local. Porém ainda falta
nestes projetos às contribuições que o design pode aportar, seja para revelar sentimentos
positivos na população, seja para solucionar problemas reais que ainda não
foram satisfatoriamente atendidos ou percebidos pelo poder público local.
Uma metodologia específica de design territorial pode ser resumida nos seguintes passos:
- Sensibilização e envolvimento dos atores locais;
- Identificação das aspirações da população, das vocações locais e do potencial de desenvolvimento existente com ênfase aos empreendimentos da Economia Criativa;
- Inventário da matriz identitária da região, em especial de sua cultura material e iconográfica e validação de sua identidade cultural;
- Criação e validação de um “conceito norteador” que traduza de modo afirmativo as qualidades percebidas e identificadas com a cultura do território;
- Desenvolvimento de um projeto de “imagem do território” com definição das formas e veículos de comunicação com a sociedade;
- Cartografia ilustrada do território com e sinalização dos pontos de interesse;
- Melhoria da produção associada ao território e design de embalagens com identificação de origem;
- Desenvolvimento de equipamentos e mobiliário de uso público considerando as matérias primas e capacidade produtiva local;
- Desenvolvimento de projetos de caráter simbólico atrativos de demanda (agendas, rotas e roteiros relacionados às festas e celebrações; praça principal; espaços temáticos, valorização dos pontos de interesse, entre outros).
Em cada uma das etapas acima descritas correspondem técnicas e ferramentas
específicas de apoio à decisão no processo de design.
As mais utilizadas são:
- Planejamento estratégico participativo
- Pesquisa de demandas e tendências;
- Pesquisa identitária;
- Oficina Criativa;
- Processos de avaliação e de validação.
Um projeto de Design Territorial necessita de um espaço específico de trabalho,
dotado de recursos instrumentais, informacionais e humanos de qualidade e
integrado à vida do território, cuja escala seja compatível com o volume de
recursos disponíveis e necessidades existentes.
Laboratórios de Design
e Inovação Cultural - Labín
Propus a criação dos Laboratórios de Design Inovação
Cultural pela primeira vez durante um evento realizado pela UNESCO na Cidade de
Monza, na Itália, em novembro de 2009.
A ideia central é que a inovação também pode ser de ordem
cultural, propondo novos produtos e serviços identificados com sua cultura de
origem, porém de encontro às necessidades e aspirações da demanda.
Por sua natureza abrangente requer a colaboração de indivíduos
capazes de traduzir e aplicar seus conhecimentos na solução dos problemas
específicos de natureza técnica, econômica, social e cultural, de modo integrado,
ousado, inovador e viável.
Os projetos desenvolvidos possuem um caráter demonstrativo,
devendo por essa razão serem acompanhados, documentados e posteriormente
difundidos.
É o espaço por excelência para desenvolver um projeto de Design Territorial.
Marcadores:
Design territorial,
estrategia de design,
inovação cultural
5 de abril de 2013
25 de março de 2013
Manifesto – Em memória do LBDI ou “Curtas Histórias do Design – CHD 15X30”
Manifesto entendido aqui
como uma “manifestação dos indivíduos que consideram sua experiência
durante o tempo que passaram no LBDI como importante para sua formação como
designers e humanistas” através de depoimentos orais, textuais e visuais de sua
trajetória profissional após esse período.
Em face da quantidade de antigos colaboradores e amigos do
LBDI que devem aderir a essa proposta, e para que todos tenham um tempo
reduzido, porém suficiente para dar conta do recado, estipulamos um modelo de
evento que chamamos “Curtas Histórias do
Design – CHD 15X30” onde cada participante terá 15 minutos e 30 imagens para
sintetizar os aspectos mais relevantes de sua trajetória de vida, experiências,
projetos e sonhos.
Para aqueles que não puderem comparecer a possibilidade de
apresentação de um audiovisual com o mesmo tempo de duração é possível. Do mesmo modo os palestrantes que desejarem
disponibilizar sua apresentação, pensando naqueles que estiveram ausentes é esperada.
Para isso teremos um site, ou blog, especialmente criado para o evento (que se
habilita a construí-lo?)
A proposta é realizar este evento em 2015, ano que o LBDI
completaria 30 anos de existência, se não tivesse sido extinto em 1997. Nosso
evento coincidirá com a realização em Florianópolis da 5ª Bienal Brasileira de
Design. Oportunidade de mostrar as novas gerações uma parte da história do
design, hoje pouco conhecida.
Mais do que um momento de lembranças e saudosismo será uma
oportunidade de novas aproximações, destinos que se cruzaram, tomaram rumos
diferentes e agora voltam a se encontrar em um lugar que os uniu, com uma visão
de futuro.
Propomos a data de 04 a 07 de setembro de 2015 lembrando que
dia 07 será uma segunda-feira, feriado nacional. Com esse formato podemos ter
até 80 apresentações, com folga para curtir uma praia pela manhã e festas
noturnas.
Acreditamos ser possível realizar esse evento com a
participação dos protagonistas assumindo suas próprias despesas de viagem e
estadia. Contudo, teremos de buscar apoio junto das instituições que davam suporte
ao LBDI, para cobrir as despesas de realização (espaços, equipamentos e
acolhimento).
O manifesto em “Memória do LBDI” é ao mesmo tempo uma
convocatória e um produto futuro contendo um conjunto de trajetórias que se
cruzaram, construíram outros caminhos, assumiram outros desafios, mas permaneceram
de certo modo unidos por esse vínculo do passado.
PS. Será necessária uma imagem gráfica para divulgar. Que
tal um trabalho em equipe para começar? Quem se habilita?
4 de março de 2013
O pensamento do design
Nos
últimos anos especialistas em marketing começaram a usar o termo “Design
thinking” para definir o pensamento e modo particular como os designers abordam
os problemas. Essas tentativas, por
serem formuladas por profissionais de outras áreas, sempre deixaram de apontar detalhes
fundamentais que, no meu entendimento, fazem grande diferença entre o
pensamento do design e aquilo que chamam de “design thinking”.
Os
teóricos do design tentaram explicitar através de estudos e pesquisas a metodologia
diferenciada do design, com seus passos e abordagens características, mas nunca
se atendo ao mecanismo cerebral que opera esses métodos descritos.
Poucos se
preocuparam em abordar características que são indispensáveis em nosso
trabalho, como o de decidir diante de incertezas ou de um grande número de
variáveis. Atuar dentro de uma lógica nebulosa, que utiliza a intuição como
bússola. A intuição é uma característica pouco confiável para muitos e mesmo
temerária para engenheiros e tecnólogos, mas vital no design. A essa capacidade
de decidir assertivamente, encontrando as soluções mais surpreendentes e
inovadoras, damos o nome de talento.
A maioria
dos designers, preocupados em fazer, se esqueceram de explicitar o que os
distingue de outros especialistas principalmente dos arquitetos, dos
engenheiros, dos publicitários e artistas de modo geral. Os designers têm com eles
em comum apenas o fato que criarem novas realidades, definindo a cultura
material de um tempo e lugar.
Porém é
nos detalhes desse processo de criação que começam as diferenças, que embora
possam parecer sutis, fornecem a chave para a compreensão desse mecanismo
mental. A primeira pergunta que um designer faz é: para quem e por que vou projetar?
Quem projeta para si próprio é o artista. O designer projeta para o usuário de
seu produto ou serviço, levando em consideração suas necessidades, desejos e
anseios, tarefa que exige tempo, informação, ferramentas específicas,
sensibilidade e intuição.
Um
designer buscar começar por onde ninguém ainda esteve. Somente assim surgem as
coisas verdadeiramente novas e com elas a surpresa e o encantamento. Este
processo não usual de abordagem de um problema é fruto do pensamento que acima
de tudo questiona e interroga. Um designer é um inconformista por natureza que
acredita que tudo pode, e deve ser melhorado.
Designers
sabem que os produtos são nossos cúmplices e exprimem o estilo de vida que
adotamos. Um designer, por princípio ético, não pode se eximir de sua
responsabilidade política, pois ao projetar está fazendo uma afirmação sobre
suas convicções, do tipo de sociedade e de futuro que aspira. Este discurso, de
difícil adequação na vida real, e em função das exigências do mundo
capitalista, é outro elemento fundamental de distinção do “pensamento do design”.
A
principal característica do pensamento do design é sua assimetria, ou condição
de não linearidade. A linearidade pressupõe um processo de melhoria do grau de
qualidade de um serviço ou produto de modo incremental, com modificações ou
acréscimos sucessivos sobre um padrão existente. O pensamento assimétrico corresponde à
capacidade de analisar, e vivenciar simultaneamente situações diferentes que se
cruzam, se convergem ou se divergem. Essa assimetria permite visualizar novas
possibilidades através de caminhos ainda não trilhados, estimulando e
propiciando abordagens não convencionais, espontâneas e aleatórias como
principio gerador de novas ideias. O pensamento do design explora varias
possibilidades, mesmo que sejam divergentes ou antagônicas. Distingue-se por
oposição do pensamento linear, racional e previsível. Um designer, consciente
que o todo é a soma das partes, começa por enfocar o todo e não uma parte de
algo que não esta mais funcionando.
Um
designer deve ser também um decodificador de sinais e mensagens, que apontam
para mudanças comportamentais da sociedade propondo um futuro diferente do
passado. Isso implica em ter o ser humano centro das preocupações, pois dele partem
as exigências que devem orientar a busca de soluções. Contudo, o que os homens
desejam varia de lugar e tempo. Portanto é necessário focar os indivíduos e
precisar seu problema. Cada produto resultante do trabalho de um designer deve
considerar desde as necessidades básicas da sociedade até as expectativas e
desejos dos pequenos grupos sociais.
40 anos
de atividade profissional como designer, atuando em todas as suas variantes, me
permite concluir que é a visão do longo prazo e não no consumo efêmero que distingue
o design da publicidade. Começar a partir do todo e não dos detalhes é que diferenciam
os designers dos engenheiros. Conceber as interfaces físicas e não o espaço
físico é que distancia o designer dos arquitetos. Pensar no usuário e não em si
mesmo contrapõe o designer ao artista. O artista pensa no seu publico, o
publicitário no consumidor, o tecnólogo no usuário e o designer na
sociedade.
A consciência
desse modo singular de pensamento foi sendo por mim percebida com o tempo, a
partir das inúmeras oportunidades que surgiram, ou foram criadas, identificando
em cada uma delas esse modo distinto de afrontar os problemas. Na maioria
destes momentos tive a parceria de Marcelo Resende, responsável por construir comigo
parte desse percurso profissional. Sua maturidade, visão crítica, capacidade
criativa e paixão pelo trabalho foram meus maiores balizadores. A ele juntei
minha ousadia, determinação e intuição.
Juntos nós tentamos fazer e pensar sempre um design inclusivo, fugindo
do banal, buscando o frescor das coisas originais.
Afinal,
para que serve o pensamento do Design?
O
pensamento do design serva na prática para buscar (e encontrar) soluções não
usuais e inovadoras para um determinado problema que tenha o ser humano como
foco, respeitando a diversidade cultural, sem negligenciar de nenhum aspecto do
problema, questionado as implicações presentes e futuras que aquelas soluções
podem ter, evitando impactos negativos sobre o meio ambiente e sobre a
sociedade.
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